A semana foi animada para a comunidade brasileira em Roma. Após vários dias de espetáculos, mostras de cinema, literatura, dança e culinária típicas no festival Brasil!, foi a vez de Zeca Baleiro empolgar os cerca de 1000 espectadores do show realizado nesta sexta-feira, dia 20 de setembro.

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“Este festival é resultado de um trabalho de três anos de atividade cultural promovida pela Embaixada”, explicou, em entrevista ao BRASIL NA ITÁLIA, o Adido Cultural brasileiro em Roma, Caio Noronha. “A programação inclui artistas que já tinham vindo a Roma para participar de eventos culturais, ao lado de outros que se apresentam pela primeira vez na Itália, como é o caso de Zeca Baleiro. Assim, damos ao público a oportunidade de ver artistas de qualidade, mas ainda não tão conhecidos aqui. Podemos dizer que, pela sua dimensão, esse é o evento brasileiro da década na cidade”, completou.

O público diversificado da noite, incluindo estudantes, famílias de origem brasileira e boa parcela de italianos, participou ativamente de um show formado por sucessos da música brasileira, tanto clássicos como recentes. A abertura do espetáculo, feita pela cantora Lica Cecato, trouxe canções como “Melodia Sentimental”, de Villa Lobos, e “Brasileirinho”, de Waldir Azevedo, além de composições próprias da artista. Ela terminou sua participação, muito aplaudida, saudando Zeca Baleiro com a canção “Aquele Abraço”, de Gilberto Gil.

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Subindo ao palco acompanhado de Tuco Marcondes, na guitarra e bandolim, e Adriano Magoo, no piano e acordeom, Zeca imediatamente começou a desfilar sucessos como “Babylon”, “Bandeira (Ópio)”, “Quase Nada”, “Bicho de Sete Cabeças”, “Samba do Approach” e “Telegrama”. A homenagem ao grupo Charlie Brown Jr. veio com “Proibida pra mim”, que também faz parte da discografia de Baleiro, e de “Desejo”, que gravou ao lado de Chorão em seu trabalho mais recente.

zeca_baleiro_fotoO show foi marcado pelos arranjos intimistas e melódicos, trazidos inclusive a canções originalmente mais rápidas, como “Mamãe Oxum” e “Versos Perdidos”. A plateia acompanhou todo o ritmo do show com palmas e entrou no jogo quando o cantor pediu participação, como no momento em que dividiu o auditório para fazer um coro alternado para a música “Salão de Beleza”.

Baleiro, por sua vez, se sentiu à vontade para falar sobre suas impressões em tocar na Itália pela primeira vez. “Não falo italiano, mas aprendi a gesticular em italiano, já que vivo em São Paulo há 22 anos”, brincou. E seguiu destacando a importância da música italiana na memória cultural e afetiva do brasileiro.

“Primeiro conhecemos artistas como Nico Fidenco, Gigliola Cinquetti, Pepino di Capri”, lembrou, emendando uma versão de “Sapore di Sale”, de Gino Paoli, ao violão. “Mais tarde, através de compositores como Tom Jobim e Chico Buarque, conhecemos outra geração de músicos italianos: Lucio Dalla, Sergio Endrigo”, enquanto executava “Menino Jesus”, versão de Chico Buarque para “4 marzo 1943”, de Lucio Dalla.

“Falta ainda conhecer um pouco mais da música contemporânea italiana. Algo nos chega por meio de intérpretes como Zizi Possi e Marisa Monte, mas ainda temos muito a descobrir”.

Baleiro terminou o espetáculo agradecendo à Embaixada Brasileira pela oportunidade de realizar o espetáculo e voltou ao palco ainda uma vez, com “Alma não tem cor” e “Lenha” – dando o tom a mais uma noite de sotaques e idiomas diversos no Auditorio Parco della Musica em Roma, que durante esta semana, vestiu verde e amarelo.

Confira aqui a programação do Festival Brasil!, de 15 a 22 de setembro em Roma

Ouça mais Zeca Baleiro no site do cantor e compositor

 

Crédito fotos do show: Juliana Winkel; foto do cantor em destaque: divulgação

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