Talvez as novas gerações nunca tenham ouvido falar, mas existe um filme que marcou a história por sua beleza e simplicidade. Estou falando de “O Carteiro e o Poeta” (em italiano “Il Postino”). O filme, de 1994, venceu diversos oscars e prêmios com a tocante história de um carteiro que queria aprender a escrever poesia. O carteiro em questão era interpretado pelo grande ator italiano Massimo Troisi (que faleceu logo após o final das gravações do filme) e achava que poderia conquistar sua amada Beatrice com a ajuda do poeta chileno Pablo Neruda.

Pois bem, a trama de “O Carteiro e O Poeta” se passava em um minúsculo vilarejo siciliano localizado na ilha de Salina, no arquipélago das Ilhas Eólias. E foi para lá que continuamos viagem, saindo da ilha de Vulcano (digo continuamos porque estava viajando com meu marido, lembra das cenas dos últimos capítulos?).

Confira horários e preços de barcos e balsas para Salina, o porto mais próximo na “Sicília-continente” é Milazzo (existe inclusive um estação de trem). Mas vamos às atrações de Salina:

O pôr do sol em Salina, visto da mesma praia onde morava o "poeta"
O pôr do sol em Salina, visto da mesma praia onde moravam “O carteiro e o poeta”

A cidadezinha de Pollara

A cidadezinha onde foi gravado o filme “O Carteiro e O Poeta” se chama Pollara e nós chegamos até o local com uma vespinha alugada partindo do porto da cidade.

O objetivo era aquele de fazer uma caminhada na praia onde o poeta costumava passear, mas o mar estava muito agitado e tinha praticamente “engolido” o trecho de areia. Deu para sentar e ficar lá curtindo o vai-e-vém das ondas, em meio aquelas casinhas desabitadas e ao lado de um outro casal, que provavelmente tinha tido a mesma idéia que a gente.

Antiga vila de pescadores em Salina
Antiga vila de pescadores em Salina

Aproveitamos também para procurar a casa do “poeta”. Achamos, mas um aviso no portão informava: “si prega di non disturbare, la casa è abitata – tel. +39 339.4253684” (pedimos que não disturbem, a casa é habitada – com um número de celular).

Tentamos entrar em contato, mas não obtivemos sucesso. Como era o momento de um pôr do sol mágico, fomos até o terraço no lado exterior da casa para imaginar como eram os finais de tarde de verão do poeta. E lá tirei uma foto que guardo com tanto carinho e boas lembranças:

Eu no terraço da casa do poeta, em Salina
Eu no terraço da casa do poeta, em Salina
Cena do filme "O carteiro e O Poeta"
Cena do filme “O carteiro e O Poeta”

Quem sabe, se um dia voltar, nos hospedaremos exatamente nessa casa e passaremos lentos dias de verão, a apreciar a natureza, a saborear um bom vinho e… escrever?

A Malvasia delle Lipari, um vinho típico de Salina

Salina também é famosa internacionalmente por um vinho tão delicioso quanto raro: a Malvasia delle Lipari. Se trata de um vinho raro porque ele é um D.O.C., ou seja, um vinho que só pode levar esse nome se tiver determinadas características, entre elas a produção nas ilhas eólias. Como o território das ilhas eólias não é imenso – são apenas 115 km² – dividos em 7 ilhas (Lipari, Salina, Vulcano, Stromboli, Filicudi, Alicudi e Panarea), dá para você perceber que a produção é limitada.  Na época compramos uma garrafa de Malvasia delle Lipari por aproximadamente 20 euros.

Detalhe dos vinhedos de Salina
Detalhe dos vinhedos de Salina

A Malvasia delle Lipari é um vinho de sobremesa: branco, doce e liquoroso: para fechar o seu jantar com chave de ouro.

Mas mesmo que você não curta vinhos, não dá para não curtir o panorama: a vista dos vinhedos com o mar no fundo é de encher os olhos! Um verdadeiro cartão postal.

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Salina, terra de vinhedos: aqui é produzida a Malvasia delle Lipari

A ilha das alcaparrras

A flor da alcaparra
A flor da alcaparra

Um outro produto típico de Salina são alcaparras. Eu não tinha idéia de como era uma planta de alcaparra até fazer essa viagem. Foi lá que vi uma flor linda. Olhando nos arredores notei que em outras plantas, o botão que gerava a flor era, na verdade, a alcaparra! Como era pleno verão e temporada de alcaparras, a ilha estava forrada. Nós, como turistas desavisados, saímos colhendo alcaparras e juntamos uma boa porção. Ao chegar em casa, lavamos bem e adicionamos sal para conservar em um pequeno vidro. Passei um ano comendo peixes preparados com a alcaparra de Salina! Uma delícia… Recentemente um amigo comentou que talvez fosse proibido colher as alcaparras. Bem, fato está que não tinha nenhum aviso, nenhuma cerca e ela estava lá, produto da natureza maravilhosa siciliana. Foi um das minhas melhores lembranças de viagem, o souvenir perfeito!

O que mais você encontra em Salina

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Assim como em outras localidades sicilianas, durante o verão, é fácil sentir o perfume dos figos maduros e deliciosos da estação. Para quem gosta existem também os figos da índia (eu não gosto). Outro produto típico é a cerâmica pintada a mão (uma mais linda que a outra!). E claro, um mar límpido e transparente.

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E você, tem alguma outra dica de Salina para compartilhar com a gente? Aqui: mais dicas sobre a Sicília.

7 COMENTÁRIOS

  1. Barbara
    Eu vi esse filme, lindo lindo.
    Ainda agora estava lendo a reportage que a Viagem e Turismo fez esse mês sobre o Sul da Itália. Sicília, Basilicaga e Puglia, linda demais.
    Tô querendo muito conhecer essas regiões.
    Bjs
    Dani Bispo

  2. OI Dani, tudo bem?
    Eu estou curiosa para ler a matéria da Viagem e Turismo e saber quais as dicas que eles dão. 🙂
    Existem lugares na Sicília realmente de tirar o fôlego. Para mim, o top do top é a ilha de Favignana, no arquipélago de Egadi. Mas dá para montar um roteiro bem mais amplo, com pelo menos 15 dias de Sicília e ainda vai ter coisa para ver. Eu só recomendo vir em uma época quente porque, além da história e da arquitetura (uma das grandes riquezas do território afinal a Sicília era a porta de entrada via mar da Itália e foi conquistada por dezenas de povos diferentes ao longo dos séculos), o mar é realmente show. Mesmo para quem mora em pleno Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa. rs!
    A Puglia eu ainda não conheço e está na minha lista de destinos que quero conhecer, já a Basilicata me parece muito menos interessante, apesar de toda a campanha nas redes sociais. Bem, de qualquer forma, a Itália inteira é linda.
    Depois me avisa quando você vem e se puder ajudar com alguma dica, será um prazer.
    Bjos
    Babi

  3. Oi Barbara!
    Eu amo “O Carteiro e o Poeta”, mas ainda nao estive em Salina (que faz parte da minha quilomètrica lista de lugares a serem visitados no verao, mas que acaba ficando para depois). Seu texto è uma delicia, tanto que enquanto o lia escutava na minha mente a trilha sonora do filme, acredita?
    Bjos
    Patricia

  4. […] Quem não conhece ou que nunca se emocionou com esta obra-prima do cinema italiano que atire a primeira pedra! A história de Pablo Neruda, exiliado na Itália, e seu amigo carteiro foi gravada no vilarejo de Pollara que fica localizado em Salina, uma das ilhas arquipélago das Eólias. Eu ainda não conheço Salina, mas a Bárbara Bueno do blog Brasil Na Itália já e contou ludo lá no post Salina: o paraíso de “o carteiro e o poeta” na Sicília. […]

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