Quer vir para a Italia e tirar cidadania sem stress? Comece a jogar futebol! O time do Aosta tem garimpado jovens de 16 a 25 em São Paulo, aqueles que podem se revelar novos fenômenos do futebol. Como diz a matéria de 4 páginas publicada na GQ de janeiro, eles importam e naturalizam os meninos, ou seja, pensam em todo processo de cidadania, da localização das certidões até a tão esperada carta de identidade como um verdadeiro italiano. Oferecem algumas poucas centenas de euro por mês mais vito e allogio (comida e hospedagem). A seguir trechos interessantes da matéria comentados por mim:

“Qui viviamo la provincia, cioè il nulla” – Mauro Capello, 43, dirigente da esquadra apaixonado por futebol de salão e Brasil (“Aqui vivemos o campo, ou seja, o nada”)
Quem vem para qualquer cidade da Italia, vindo de uma metropole como São Paulo, realmente estranha a mudança de ritmo de vida no início. Às vezes me sinto vivendo nos tempos dos meus avós (se não ligar a TV e me deparar com Il Grande Fratello, claro). Mas pensando bem não é tão mal assim. Pelo menos você não tem que dirigir olhando no espelho retrovisor, com medo que apareça alguém inesperado no semáforo para te matar ; já que agora roubar é o mínimo.

“Sei que a qualquer momento vou para um time mais importante, onde ganharei mais. Com o meu pai tenho um projeto: o de a cada ano conquistar alguma coisa a mais, seja esportivamente, seja financeiramente. Depois, um dia, espero conseguir criar uma familia e mante-la jogando futebol, mas aos meus filhos quero transmitir o espírito brasileiro e não o italiano”. Gabriel Lima, camisa numero 3, titular da nacional italiana Under 21 aos 19 aninhos
Acho lindo ter sonhos e conquistá-los. Mas um pouco de retribuição a terra responsável pela realização dos seus sonhos, não seria mal, ainda mais publicamente em uma revista italiana. Não vejo necessidade de dizer que quer “transmitir o espírito brasileiro e não o italiano”. Até porque a gente transmite aos filhos um pouco de quem a gente é, e não a bandeira de um país.

“Ormai ci sentiamo stranieri nel campionato italiano” Matteo Bravi, capitão da esquadra composta de italianos e dois estrangeiros, mas nenhum oriundo, da gema. ( Chegamos ao ponto de nos sentir estrangeiros no campeonato italiano) Ele próprio explica a diferença: “nós treinamos 3 vezes por semana, ou seja, somos iniciantes. Os brasileiros, ao contrário fazem a vida de profissionais em troca de um pedaço de pão. Coisa que nenhum italiano aceitaria”
O fato é que para os brasileiros, ganhar 500 euros ao mês, sem ter que pagar casa e comida, é uma maravilha, ainda mais porque existe a esperança de um futuro melhor. Para um italiano, não é bem assim. Primeiro porque a moeda é o euro, não se faz a conversão para Real. Depois porque o objetivo, em geral, é viver tranquilo e formar uma família invés de viver para trabalhar como acontece no Brasil em troca de um salário que deixa a desejar.

O que o italiano quis dizer, nas entrelinhas, é que por anos os italianos lutaram com a ajuda de sindicatos, para atingir uma boa qualidade de vida, com um salário que faz juz ao empenho do trabalhador. E de repente, as coisas estão mudando com essa globalização, porque tem quem aceite trabalhar por pouco, em consequência, os salários acabam caindo, mas os preços se mantém, então a qualidade de vida de um italiano cai.

Para quem ganhava R$ 1000, se tanto no Brasil, tendo que pagar do bolso todos os custos que o Governo brasileiro não oferece (como saúde, educação, segurança e transporte), é um grande negócio.

*Observem que estou explicando a realidade, sem julgar, até porque não poderia recriminar ou apoiar. O mundo é aquele que é.

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Barbara Bueno é uma jornalista brasileira que mora em Florença desde março 2005. Foi para a Toscana em busca das suas origens italianas. Em janeiro de 2007 criou o BRASIL NA ITALIA. Já trabalhou como content manager para a Regione Toscana, atualmente colabora com a agência Caprionline. Dúvidas sobre a Italia são respondidas exclusivamente online. Escreva um comentário abaixo ou publique sua pergunta aqui.