Jornadas de trabalho duplas, pouco tempo para dormir, corre daqui e corre dali; não estava sobrando tempo nem para atualizar meu querido blog, uma das coisas que mais gosto de fazer! Até que… finalmente sobrou um final de semana livre (quer dizer, eu teria que fazer uma viagenzinha de trabalho e aproveitei para emendar uma continuação relax). E assim, final de semana passado eu fui parar em Chianciano Terme, no sul da Toscana.

vista para o antigo centro histórico de Chianciano Terme

Já ouviu falar em Termas Sensoriais? Bem, se você for a Chianciano é isso que te espera. Esta pequena cidadezinha é bastante famosa pela sua água que faz bem ao fígado e gente da Italia inteira vai pra lá no verão para cuidar da saúde e do bem estar. No entanto, agora no início de abril é baixa estação, o que significa ótimos preços, pouca confusão. Se eu estava esperando encontrar um monte de velhinhos, me frustrei. Só tinha casais jovens e eventualmente um grupo de amigas solteiras, inclusive a maior parte dos turistas estava no meu hotel, provavelmente todos seguidores fiéis das ofertas via internet. 🙂

As famosas termas sensoriais

Existe um verdadeiro centro dedicado ao prazer e ao bem estar construído em um parque repleto de pinheiros. A entrada é bem moderna, com uma espécie de vetrine de um plástico em amarelo neon que me lembrou muito os espaços da Brunete Fraccaroli na Casa Cor de vários anos atrás! Abaixo segue a minha lá nesta entrada, não repare porque fui vestida bem casual, meu hotel era ali ao lado e eu queria curtir o início do calor da primavera. 🙂

É preciso reservar antes de ir porque existe um número limitado de visitantes para evitar uma grande concentração de pessoas. Eu cheguei às 13 horas, recebi uma sacola com um roupão, toalha e chinelinho e lá fui eu para o vestiário colocar o biquini. Uma coisa esquisita é que o vestiário é somente vestiário, a parte de chuveiros e banheiros fica em um outro lugar. Não é muito prático para quem resolve tomar banho lá porque os chuveiros são poucos (6) e depois você tem que passar enrolada na toalha pelo corredor na frente de homens e mulheres. Seria mais prático um pouco mais de privacy, mas no meu caso, optei por tomar banho no hotel.

Ao sair do vestiário uma hostess explica como funciona o centro, te dá um folheto com 4 sugestões de “itinerários” chamados Energizante, Rilassante, Depurativo e Riequilibrante. Eu estava sem a menor vontade de ficar seguindo um folheto e acabei optando por fazer o que dava vontade. Comecei por uma tal de “caminhada no rio” que na verdade era um percurso para caminhar em cima de pedras. Conforme você caminhava, recebia pequenos jatinhos d’água que variavam temperatura do quente ao gelado. Dei duas voltas e fui para as piscinas.

Essa piscina principal era dividida em diversas zonas, que inclusive eram metade internas e metade externas. Fiquei pensando que seria uma delícia estar nessa piscina durante o inverno, quem sabe com a neve lá fora. Era interessante e relaxante, mas nada demais para quem está acostumado com hidromassagem. Esperava que a água fosse daquelas com cheiro de ovo podre, típicos das termas, mas descobri que depois que a água de Chianciano não é fedorenta. Em compensação, senti o cheiro de cloro, o que é um pouco frustrante. Em compensação vale a pena a pequena piscina em uma salinha isolada, com cromoterapia e música clássica embaixo d’água. Foi muito gostoso relaxar ao som de violinos, água quente e luzes azuis, rosas, verdes que mudavam aos poucos.

Também divertido o setor terra, no andar debaixo: lá tem o chamado fango (barro) que você pode espalhar a vontade pelo corpo. Eu me cobri todinha, literalmente dos pés a cabeça! O difícil foi tirar essa argila do corpo, não porque ela grudava, mas porque o primeiro chuveirinho era de água gelada e o segundo era quente demais para o meu gosto. Reparei que era minha sina passar do quente ao frio, quente ao frio. Voltando ao andar térreo, tinha uma seção com gelo picado para espalhar no corpo depois que você saísse de uma das várias saunas disponíveis.

Entre uma atividade e outra, eu fiz pausa com chazinho e frutas secas, estendida em uma das espreguiçadeiras com vista para o parque. A parte final foi dedicada a salas fechadas com aromaterapia. Me lembrou muito o espaço do Ernesto Neto na EX3, era basicamente o mesmo espírito! 🙂 Fantástica a Cromoterapia dei Chakra para terminar; de tão relaxante, quase todo mundo pegava no sono.

O centro antigo

No dia seguinte ao relax, minha sugestão é fazer um passeio no centro antigo de Chianciano. O panorama é muito bonitinho, com os tradicionais telhadinhos toscanos, as estradinhas cheias de curva, os vinhedos. Pela cidade você vai encontrar cartazes que falam sobre um hóspede ilustre: Luigi Pirandello. O escritor italiano se instalou em uma pensão na Via Solferino com a mulher Antonietta e os três filhos Stefano, Lietta e Fausto no início dos 1900. Dessa experiência nasceria um texto muito interessante, o Pallino e Mimì no Novelle per un anno na qual ele descreve uma senhora com o seu cachorrinho que eram hóspedes da mesma pensão. Segue um trecho do texto original:

La canina si chiamava Mimì e alloggiava con la padrona alla Pensione Ronchi. La padrona era una signorina americana, ormai un po’ attempatella, da parecchi anni dimorante in Italia, in cerca d’un marito, dicevano le malelingue. Ora, quell’estate, a Chianciano, Mimì era liberissima.

O museu etrusco

Um pouco de história e cultura faz parte de qualquer viagezinha pela Toscana que se preze! Quando vi o museu etrusco por fora não dei muita bola, achei que seria uma perda de tempo, mas já que estava lá, ia visitar do mesmo jeito. Surpresa! Adorei, foi a melhor parte da minha viagem. Lá você descobre como viviam os etruscos há milhares de anos, qual era o papel da mulher na sociedade, o trabalho. Pode conferir ao vivo uma das moedas mais antigas do mundo, as jóias de ouro, os vasos, as esculturas.




Informações Práticas

A melhor forma de transporte para chegar em Chianciano Terme é o carro porque não vale a pena depender de transporte público para ir das termas até o centro antigo. O panorama é bacana, você pode depois incluir visita a famosas cantinas em Montepulciano (ali do lado) ou outras cidadezinhas interessantes nos arredores.

Eu me hospedei no Albergo Angiolino porque encontrei uma ofertíssima na internet. Esse é um daqueles hotéis em que você é recebido pelos proprietários, nesse caso bastante atenciosos. As vantagens principais são a pouca distância das termas (5 minutos a pé), a vista (me deram um quarto com uma linda vista para o vale).  O café da manhã era bom e abundante, com café e cappuccino feitos na hora pelo barman (nada de maquineta!) e eu tinha também jantar incluso. A comida era bem simples, na primeira noite por exemplo tinha um buffet de salada e depois duas opções de primo (sopa ou spaghetti al pomodoro) servidas por garçom na mesa, duas opções de segundo e doce. É um hotel 3 estrelas, não espere luxo. O ponto menos positivo era a cama porque detesto quando peço cama de casal e unem duas de solteiro, mas o proprietário tinha sido tão gentil antes com o tal do quarto com vista que achei melhor deixar para lá. Resumindo: se você encontrar a oferta certa vale a pena.

o quarto do hotel Angiolino
vista do meu quarto no Angiolino

Pesquise disponibilidade de datas e tarifas no Albergo Angiolino de Chianciano Terme.

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