Eu começava a deixar as praias do Sul da Itália, em direção ao Norte, carregando a intrigante dúvida quanto à origem divina da beleza da região. Fácil seria dizer que é simplesmente pelo fato da excelente localização geográfica que faz do país da Bota, um lugar privilegiado. Mas, assim como William Shakespeare, sempre acreditei na teoria de que existem mais mistérios entre o céu e Terra do que sonha nossa vã filosofia. E a prova disso, encontrei em Paestum!

Trocando areia por asfalto, a beleza da natureza me acompanhava e mostrava sua força entortando árvores.

Paestum foi uma grande cidade em tempos remotos, fundada no fim do século VII a.C. e originalmente chamada de Poseidonia. (Ao saber deste primeiro nome, minha desconfiança quanto a beleza da região estar relacionada a algo mais sublime, começava a virar uma certeza).  A cidade prosperou durante o Império Romano, mas, como aconteceu um dia ao próprio Império, declinou e foi abandonada na Idade Média. Mas não extirpada, para o delírio dos turistas!

Hoje ainda é possível comprovar a força do lugar, que há tempos esquecida, guarda eternas lembranças.

Redescoberta no século XVIII, sua importância está nas ruínas que preserva, sendo considerada um famoso sítio arqueológico, patrimônio da humanidade desde 1988, localizada próximo a Salerno avaliada um dos parques ecológicos mais sugestivos da Itália, com três grandes templos, tumbas e edifícios abertos a visitação;  sem contar objetos de arte e de uso diário encontrados em outras partes do sítio que ainda não foram totalmente escavadas.

As construções são imponentes e enchem os olhos dos visitantes, remetendo aos tempos áureos do lugar!
Diante do Templo de Hera; Atena e Poseidon, me senti um pequeno humano errante perto de três gigantes.

Paestum é como uma cidade museu. Onde em todo canto é possível ser testemunha da história e comprovar isso pelos cinco sentidos: Vendo suas obras e construções; tocando e sentindo sua energia; ouvindo seu silêncio que ainda guarda resquícios do abandono passado e a admiração pela descoberta de quem a conhece no presente; seu cheiro de natureza pura no ar, e a vontade de querer sentí-la por completo com aquele gostinho de quero mais!

O fascínio de Paestum é imaginar que, no passado, a distância entre humanos e Deuses era menor.

Senti a força da cidade, em sua totalidade, através de todos os meus sentidos convencionais e tive a certeza de que somos muito mais que seres dotados de funções mecânicas que nos mantém em pé. Somos especiais e privilegiados, por carregarmos dons e habilidades que podemos até chamar de “super poderes”. Basta saber usar! E através de um desses, a denominada “intuição”, cheguei a conclusão daquilo que desconfiava desde o início: A beleza daquelas terras é abençoada pelos deuses que ainda vivem por lá. Pode acreditar! E se duvidar, Paestum pode confirmar.

 

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Fernando Ferrari (fffernandoferrari@gmail.com) é brasileiro de nascimento, francês de cidadania e italiano de coração! Publicitário, escritor amador, mora em São Paulo, já esteve na Itália duas vezes e mantém o blog www.cabecatroncoetextos.blogspot.com
Um dia pretende trabalhar e viver mais tempo por lá, mas enquanto não surge uma oportunidade, escreve para diminuir a saudade.