Chegar vivo ao céu parece impossível. Mas aqueles que conhecerem Assis, cidade na região da Umbria, provavelmente irão parar para pensar melhor no assunto e verão que pode existir algo de concreto no meio dessa suposta “ideia absurda”. Concreto, palpável e uma experiência que pode ser vivenciada também pelos demais sentidos. Sejam dos mais crentes até aqueles que no fundo têm fé, mas preferem dizer que não acreditar em nada.

Eu acabava de deixar o convento na cidade de Cassia, onde havia passado a noite, partindo para Assis, sem imaginar que esta próxima cidade reservava surpresas encantadoras, ainda maiores que as vividas no ponto sagrado anterior, durante aquele, apenas um dia, que iria passar e que inicialmente achei curto, mas que logo mudei de opinião ao me aproximar da cidade e ver que seu tamanho era menor do que eu imaginava.

De longe, Assis parece bela, pequena e comum. Mas seu verdadeiro tamanho se mede internamente.

Famosa por ser o local de nascimento de São Francisco, que lá fundou a Ordem dos Franciscanos em 1208, o local fica cerca de 145 quilômetros ao norte de Roma e é uma cidade interessante de arquitetura medieval, bem conservada, repleta de casas e edifícios de pedra, passagens cobertas, ruelas que sobem, descem e desembocam em pequenas praças, arcos, escadarias, muralhas, fontes, restos de uma antiga fortaleza e diversas igrejas.

Dica: reserve um transfer particular para Assis e vá até o seu hotel com todo conforto.

De cima a baixo, a cidade conserva uma atmosfera harmoniosamente divina.

Dentre elas, está a principal: A Basílica de São Francisco. Um edifício classificado pela UNESCO como Patrimônio Mundial que, assim como o mosteiro local, começou a ser erguida logo após a canonização de Francesco Bernadone (nome de batismo do Santo) em 1228, tendo ficado completa em 1253. Um lugar sagrado grandioso, que abriga afrescos que contam a história de vida daquele que, dentre outras coisas, é tido como protetor dos animais.

A Basílica é grandiosa, por fora e por dentro. Guardando muitas belezas e mistérios escondendo.

Impossível não notar sua imponência. Impossível não sentir uma energia positiva e tranquilizante, mesmo para aqueles que não seguem fervorosamente uma religião, por toda a parte do complexo. Um ponto onde circulam muitas pessoas, mas parecendo ter apenas um intuito em comum: Pedir mais união ao mundo. Seja através de preces solitárias ou frequentando as missas que sempre acontecem e são abertas a todos os presentes.

Os jardins ao redor da igreja é um ponto que reflete o espírito local e o eterno pedido: Paz.

Sentindo-me de bateria interna carregada, percorria o caminho que me levava ao ponto mais almejado por todos que frequentam o lugar: A tumba onde estão depositados os restos mortais de São Francisco de Assis, guardados em um dos subsolos do terreno da Basílica. Um caminho cheio de lindos vitrais e pinturas, muitas com indicações de não ser permitido fotografar e grupos de pessoas com baterias cheias em suas câmeras e celulares.

Ao avançar um pouco mais, um arrepio e uma emoção tomou conta. Um sentimento diferente, certamente causado pelo fato de eu, agora finalmente, estar diante de uma parte concreta da história universal: A capela, construída por seguidores do Santo, onde estão seus restos mortais, na minha frente! Podendo ser tocada, mas como continuava a gritar, silenciosamente os avisos espalhados, era expressamente proibido fotografar.

Tumba de São Francisco: Proibido fotografar. Pecado seria deixar de registrar!

Acho que pequei. Mas estou certo que deste pecado posso ser facilmente perdoado, se bem justificado.  Para isso uso a seguinte defesa: Sei que não é permitido fotografar com flash, por isso não usei. Tomei todo cuidado, também para não ser notado, em prol de uma boa causa: Encontrei uma maneira de fazer com que aquela ideia que no começo parecia impossível, fosse reavaliada. Pois mesmo não chegando vivo ao céu, foi por pouco. Afinal, não é todo dia que se pode quase tocar o firmamento, sem tirar os pés do chão. E como a vida é feita de oportunidades, esta eu aproveitei.

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Fernando Ferrari (fffernandoferrari@gmail.com) é brasileiro de nascimento, francês de cidadania e italiano de coração! Publicitário, escritor amador, mora em São Paulo, já esteve na Itália duas vezes e mantém o blog www.cabecatroncoetextos.blogspot.com
Um dia pretende trabalhar e viver mais tempo por lá, mas enquanto não surge uma oportunidade, escreve para diminuir a saudade.

1 COMENTÁRIO

  1. Realmente ASSISSI ( come parlano gli Italiane ) è uma belissima cidade medieval, a energia é uma coisa extraordinaria é mágico o momento quando se chega a cidade, indescritivel, terra de Francesco de Bernadone e Clara de Assis, sempre que vou a Itália apareço por lá, e é sempre uma coisa nova.

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