Existem duas formas de encontrar tesouros: A primeira é ter um mapa nas mãos e sair por aí seguindo suas coordenadas até achar o lugar, supostamente “exato”, fazer um “X” no chão e começar a cavar. A outra é desconhecer totalmente a existência de algo precioso e acabar achando sem esforço! E foi mais para essa linha da segunda opção o que aconteceu comigo quando conheci Classe. Uma descoberta que posso dizer ter sido agradável e casual.

Na província de Ravenna, região da Emília-Romanha, já chegando ao Norte da Itália, vizinha a Rimini, está localizada esta pequena cidade que guarda relíquias e monumentos importantes da igreja católica, no que diz respeito a mudanças e fases pelas quais já passou. Peças, mais especificamente, do período da arte chamada “Bizantina” que inclui estruturas e detalhes que ajudam a contar sua história e servem como ótima fonte de estudo aos interessados.

 

A cidade é tão tranquila que, mesmo de dia, foi possível andar por suas ruas sem ver, sequer, uma pessoa.

Mesmo eu desconhecendo outros locais que guardam obras desse segmento, acredito que Classe seja um dos lugares mais apropriados para quem deseja se aprofundar no assunto, ou apenas apreciar, justamente por conta da atmosfera local que oferece tudo o que for necessário para isso. Desde material de estudo, aberto a todos, até a serenidade de poder refletir sobre eles, podendo conversar a respeito em um ambiente que conserva o clima leve.

 

A sensação de solidão e o silêncio são panos de fundo para registros fotográficos e naturais.

Denomina-se arte Bizantina aquela produzida no Leste do antigo Império Romano. E seus traços mais marcantes, que ajudam a exemplificar, podem ser vistos na Basílica de São Apolinário, no centro de Classe. Uma estrutura construída no século VI, referência nessa linha, especialmente por conter em seu interior um belo mosaico de pintura que alcançou grande expressividade no período. E, sinceramente, eu não fazia ideia, apesar de já achar lindo!

 

Uma luz: Não foi difícil perceber que a Basílica guardava importantes peças do período, em seu interior.

O painel, localizado sobre o altar, é a atração principal interna da igreja e mostra um Santo numa paisagem, cercado de ovelhas, uma cruz e elementos que (mais tarde vim saber) ter sido interpretado como simbolizando a transfiguração de Cristo, segundo especialistas. E algo interessante que pode ser notado é que apesar de possuir um conteúdo “forte” seus traços aliviam esse peso o distinguindo das demais pinturas, mais comuns em toda a Itália.

 

O mosaico ajuda a olhar para frente na missa, mas tira a atenção às palavras do padre, tamanha beleza.

Foi em Classe que vi menos pessoas circulando. Foi em Classe que me senti mais sozinho, mas sem desespero quanto a isso. Foi em Classe que descobri relíquias por acaso. Talvez se eu fosse católico fervoroso, almejaria conhecê-la há muito tempo a ponto de, quando o dia chegasse, nem me encantaria tanto. E talvez se eu tivesse um mapa, nem a teria achado. Por isso prefiro sempre acreditar que nada é por acaso e que muitos encontros já estão marcados.

A torre da igreja, construída entre 534-539 é como árvore: Alta, firme e com muita história para contar.

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Fernando Ferrari (fffernandoferrari@gmail.com) é brasileiro de nascimento, francês de cidadania e italiano de coração! Publicitário, escritor amador, mora em São Paulo, já esteve na Itália duas vezes e mantém o blog www.cabecatroncoetextos.blogspot.com
Um dia pretende trabalhar e viver mais tempo por lá, mas enquanto não surge uma oportunidade, escreve para diminuir a saudade.

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