Por mais alto que seja um ser humano, ainda assim será pequeno e até quase insignificante, se o compararmos, fisicamente, com o tamanho do mundo; suas obras e construções palpáveis. Somos assim, minúsculos, onde pouquíssimos são os que se destacam perante uma divina grandeza, que não se pode medir ao certo, ganhando notoriedade, fama e reconhecimento, mesmo sem querer, graças a seus feitos que os imortalizam na história.

Independente da crença, visitar Cassia, uma comunidade italiana localizada na região da Úmbria, na província de Perugia, é uma experiência que faz refletir sobre a importância de nossa existência e abre a possibilidade de uma analise mais profunda sobre aquilo que estamos construindo, enquanto obra não material, nesta passagem por aqui. Além de ser um belo passeio, cheio de curiosas visões, do chão ao céu, nesta bela cidade que nos aproxima do divino.

 

No caminho, adentrando a cidade, começaram as surpresas vindas por terra.

O lugar é bastante acolhedor e já no seu clima é possível sentir a extrema tranquilidade e harmonia que está por toda parte. Como minha passagem pela cidade iria durar apenas dois dias, me instalei em um convento para poder passar a noite e acredito não poder ter escolhido lugar melhor para descansar e poder sentir a atmosfera local que respira serenidade e religiosidade, como cartão de visitas dando boas vindas aos visitantes.

 

Um convento, um pouco afastado do centro, começava a me preparar para as surpresas vindas de cima.

Por si só, Cassia possui encantos naturais que já os fariam ser uma bela escolha de destino, mas é justamente pela religião que muitos há visitam todo ano. Pois além de estar localizada bem próxima a cidade de Assis (que guarda a tumba com os restos mortais de São Francisco) em seu Santuário é possível ver o corpo de Santa Rita de Cássia, tida entre os católicos como a Santa dos Impossíveis e Advogada das Causas Perdidas.  Este era meu objetivo por lá.

 

Uma estreita entrada de um albergue e a capela onde morreu Francisco de Assis, me fizeram sentir menor.

Antes mesmo de chegar ao lugar onde a Santa, eternamente, repousa fiz o roteiro sagrado passando por algumas igrejas impressionantes. Mas foi a da Santa Maria Degli Angelo que mais me marcou. Pelo tamanho e história. Aliás, o tamanho e a história, lá, são inseparáveis. Uma vez que a basílica maior foi construída anos mais tarde para “abraçar” a pequena capela original batizada de La Porziuncola onde, segundo a história, morreu Francisco-de-Assis.

 

Da cúpula da igreja maior, vêm a iluminação natural da pequena capela, proporcionando a sublime visão!

Isso já era o suficiente para fazer valer a viagem até ali, mas a Basílica de Santa Rita de Cássia guardava a maior surpresa: O corpo, incorrupto, da padroeira que faleceu em 1457, postado em um altar adornado de pétalas de rosa (seu símbolo) em uma caixa de vidro onde é possível vê-la em suas tradicionais vestes, sendo possível até mesmo notar seus olhos entre abertos. Algo impressionante e intrigante que com palavras é impossível descrever.

 

O corpo de Santa Rita de Cássia permanece intacto e incorrupto desde sua morte. Seria outro milagre?

Os milagres atribuidos a ela vão desde os sinos de todas a igrejas local começarem a tocar, sozinhos, logo após sua morte, enquanto uma fragrância invadiu o convento onde vivia; passando por abrir os olhos numa procissão que levava seu corpo quando religiosos discutiam sobre quem devia ter a precedência, encerrando a disputa; até o fato da conservação de seu corpo até hoje e o fato de sua face, de tempos em tempos, mudar de posição.

Minha volta ao convento, para passar a noite, foi de reflexão sobre o que vi pela cidade, principalmente depois de saber um pouco da história de Santa Rita, que demonstrou força e amor durante a vida como esposa, mãe e freira agostiniana que a ajudou a perdoar o responsável pela morte de seu esposo, assassinado. E mesmo eu não tendo uma religião definida, aquela experiência ajudou a reforçar minha religiosidade e me preparar mais para destino seguinte.

 

Dois momentos e uma certeza: As belezas da cidade se devem muito ao céu!

 

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Fernando Ferrari (fffernandoferrari@gmail.com) é brasileiro de nascimento, francês de cidadania e italiano de coração! Publicitário, escritor amador, mora em São Paulo, já esteve na Itália duas vezes e mantém o blog www.cabecatroncoetextos.blogspot.com
Um dia pretende trabalhar e viver mais tempo por lá, mas enquanto não surge uma oportunidade, escreve para diminuir a saudade.

2 COMENTÁRIOS

  1. OI Fernando,
    Adorei o seu post, aliás fiquei super curiosa em relação a hospedagem em um convento. Isso poderia até virar assunto para um outro post. Por exemplo: como faz para reservar, é preciso muita antecedência? Você chega lá na hora e encontra lugar? Você tem que participar de cerimônias religiosas? O quarto é individual ou você dorme com outras pessoas? Qual é a faixa etária dos outros hóspedes, qual o perfil, etc…
    Já tinham me falado sobre essa possibilidade de hospedagem aqui na Italia, mas eu nunca experimentei. Deve ser interessante!
    Até o próximo post!
    Barbara

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