Páre, admire e entre: a catedral de Prato é uma obra de arte por fora e por dentro. Neste artigo você vai conhecer os tesouros, histórias e lendas que este lugar sacro guarda cuidadosamente.

A Catedral de S. Stefano: um pedaço da história de Prato

Localizada na majestosa Piazza del Duomo (que em português seria a “Praça da Catedral“), a Catedral de Santo Stefano é um ícone da cidade de Prato, Itália, e um espetacular exemplo da arquitetura românico-gótica.

catedral de Santo Stefano em Prato

Este templo sagrado transcende sua função religiosa para se tornar um símbolo da arte e história local, com suas paredes guardando segredos milenares e tesouros artísticos que cativam todos que por lá passam.

Uma característica das antigas catedrais italianas é que elas foram construídas aos poucos, ganhando formas diferentes ao longo dos séculos.

Os primeiros documentos históricos que conhecemos sobre a Catedral de Prato são do século X e mencionam a Pieve di Borgo al Cornio, um pequeno vilarejo provavelmente de origem lombarda, que era o núcleo mais antigo da cidade.

Pois esse antigo vilarejo chamado Borgo al Cornio se transformaria na cidade de Prato que conhecemos hoje.

Obras de Arte na Catedral de Prato

A fachada atual da catedral de Prato, construída entre 1385 e 1457, foi erguida sobre a estrutura original em estilo românico, projetada por Guidetto da Como.

catedral de Prato na Toscana, Itália

Uma combinação marcante de alberese claro e mármore verde, também conhecido como serpentino de Prato, define a paleta de cores deste imponente edifício, exemplificando a estética bicolor que dominou a arquitetura de Prato até o século XV. A interação desses dois materiais não apenas realça a beleza do edifício mas também reflete a rica tradição artística da região.

Entre as duas fachadas, um espaço intencionalmente deixado vazio ainda permite hoje o acesso ao púlpito de Donatello e Michelozzo por meio de uma escada e um corredor.

O púlpito da catedral de Prato é uma obra de Donatello e Michelozzo, datada de 1428-1438
O púlpito da catedral de Prato é uma obra de Donatello e Michelozzo, realizada no período que vai de 1428 a 1438 (século XV)

O púlpito original, encomendado a Donatello e Michelozzo em 1428, está preservado no Museu da Ópera do Duomo di Prato.

Esse mesmo púlpito era usado para a Ostensão da Sagrada Cintura da Madonna, um dos eventos religiosos mais importantes do território. Ao longo do ano, a “Sacra Cintola” é exposta ao público cinco vezes, mas a ostensão solene ocorre em 8 de setembro, coincidindo com o Cortejo Histórico.

Vale a pena visitar também as capelas internas da Catedral de Santo Stefano: são verdadeiros tesouros de arte.

A Cappella dell’Assunta e a Cappella Maggiore exibem afrescos de renomados artistas como Paolo Uccello, Andrea di Giusto e Filippo Lippi. No transeto direito, a escultura da Madonna dell’Olivo, obra dos irmãos Da Maiano, atrai olhares admirados, enquanto o presbitério apresenta obras contemporâneas de Robert Morris.

A Cappella della Sacra Cintola, com afrescos de Agnolo Gaddi realizados no final do século XIV, é especialmente notável. Ela foi projetada para abrigar a preciosa Sacra Cintola e é protegida por uma impressionante grade de bronze, que adiciona uma camada de majestade ao espaço.

A lenda da Sagrada Cintura, ou “Sacra Cintola”

A Sacra Cintura devocional é uma faixa de seda ou papel, decorada com flores e com a imagem da Madonna, usada como proteção contra doenças e como esperança de maternidade. Essa tradição está ligada à antiga lenda do presente da cintura da Madonna.

A lenda conta que a relíquia da Sagrada Cintura ou do Sagrado Cíngulo chegou a Prato no século XII, trazida pelo mercador Michele Dagomari que, em Jerusalém, casou-se com Maria, uma moça descendente do sacerdote ao qual o apóstolo incrédulo São Tomás havia doado a preciosa relíquia, antes de partir para evangelizar a Síria e a Mesopotâmia. A Virgem, de fato, havia oferecido sua cintura ao apóstolo, o único ausente à sua ascensão ao céu, durante uma aparição no Monte das Oliveiras: assim narra o Transitus Mariae, um texto apócrifo do pseudo José de Arimateia, composto entre os séculos II e V, que relata os eventos em torno da morte da Madonna.

Bernardo Daddi, discípulo de Giotto, na predela de um políptico realizado entre 1337-1338, narrou as histórias, começando pela entrega da Sagrada Cintura a São Tomás; depois o presente da Cintura, dentro de um escrínio de junco, pela mãe da noiva; então a partida dos noivos por mar, rumo a Prato, onde a jovem noiva Maria não chegou, pois morreu durante a viagem.

A relíquia é conservada hoje em Prato, na Capela do Sagrado Cíngulo: é uma faixa de lã de cabra tingida de verde, tecida com nove fios de ouro, um para cada mês de gravidez. O políptico de Daddi está disperso e conserva-se a predela, com as sete cenas, no Museu Cívico de Prato.

A festa da Madonna della Cintura, que se celebra no primeiro domingo após 28 de agosto, em algumas localidades se fundiu com a de São Nicolau de Bari, venerado em 6 de setembro.

A cor verde do tecido representa a virgindade da Madonna. A palavra “incinta”, com significado de sem cintura, indica a maternidade. A Sagrada Cintura de Maria foi replicada, em forma devocional, em uma fita decorada, para ser usada por jovens mulheres estéreis como pedido e esperança de maternidade, ou pelas parturientes. Foram criadas cinturas devocionais, de seda rosa ou verde, ou de simples papel, com pinturas de florzinha, a imagem da Madonna que doa sua Cintura, a inscrição S.M.V. (Santa Maria Virgem) e, às vezes, também o nome da pessoa a quem era destinada a cintura devocional. Eram chamadas: a verdadeira extensão de Maria, mas na realidade a extensão da cinta não era fixa e dependia de usos locais. Essas fitas eram então dobradas (às vezes segundo disposições precisas) e guardadas em uma bolsinha, ou dentro de um livro de orações.

A prática da cintura devocional se difundiu em ambientes agostinianos, já que outra versão narra que a Sagrada Cintura foi doada a Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho. Surgiram confrarias de cinturados que estavam ligadas à devoção mariana e à prática do rosário e as cintas de tecido ou de papel se apresentaram, portanto, segundo tradições iconográficas diferentes, pois foram realizadas em localidades diversas. Essas cintas eram vistas como proteção do abdome, local da procriação, e, portanto, o simbolismo devocional se misturou com o erótico e mágico.

Também se difundiu a prática de rezar com uma coroa do Rosário chamada da Madonna della Cintura ou da Madonna della Consolazione. A Cintura assumiu valor simbólico, indicando um vínculo de submissão, entre o crente e a Virgem, vínculo que gera proteção por parte da Madonna, inclusive em casos de pestilências. Consoladora dos aflitos, como é chamada a Madonna nas Ladainhas Lauretanas, se difundiu principalmente graças à Ordem dos Agostinianos.


Visitar a Catedral de Santo Stefano é mais do que um passeio turístico; é um mergulho profundo no passado, um encontro com a arte e a fé que moldaram a história de Prato. Ao cruzar seu limiar, os visitantes são transportados por uma atmosfera repleta de arte e espiritualidade, onde cada canto revela uma nova obra de arte, cada detalhe conta uma história.

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Barbara Bueno - brasilnaitalia
Barbara Bueno é uma jornalista brasileira que mora em Florença desde março de 2005. Foi para a Toscana em busca das suas origens italianas. Em janeiro de 2007 criou o blog BRASIL NA ITALIA. Já trabalhou como content manager para a Regione Toscana, obteve habilitação como assistente turística e foi proprietária de agência de viagem na Italia (até chegar a pandemia...). Hoje se interessa por criptomoedas e voltou a fazer o que mais gosta: buscar novidades, visitar lugares interessantes e escrever! Se você tem uma dúvida sobre a Italia visite a seção Dúvidas sobre a Italia.

1 COMENTÁRIO

  1. Absolutamente necessário conhecer a história da Igreja e depois visitar estas obras sagradas tão ricas.

COMENTÁRIOS:

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