Se você acha bonito uma casa rodeada por um belo gramado verdinho saiba que você está sendo influenciado por um hábito criado na Idade Media! Quem explica é o historiador Yuval Noah Harari na introdução do seu livro Homo Deus. Não resisti a vim aqui compartilhar um resumo da história com vocês.

O historiador explica que na Idade da Pedra os homens não sonhavam com um jardim na entrada de suas cavernas. E nenhum campo verde recebia os visitantes da Acropoli de Atenas, do Campidoglio de Roma, do Templo de Jerusalém ou da Cidade Proibida em Pequim. A ideia de fazer crescer um gramado na frente da entrada de residências particulares e de edifícios públicos nasceu com os castelos franceses e os aristocráticos ingleses na Idade Média. No início da Idade Moderna este hábito foi adquirido pela população e era um símbolo de status social. Mas por quê?
Gramados são símbolo de status desde a Idade Media
Gramados bem cuidados necessitavam de uma grande quantidade de terreno e de trabalho, especialmente nas épocas que antecederam o cortador de gramas e os irrigadores automáticos. E para completar em troca não ofereciam nada de valor. Não era possível usar o terreno para o pasto de animais e o terreno não produzia alimentos. Os pobres agricultores não poderiam dedicar terreno e tempo para fazer crescer simplesmente um pouco de grama.
A presença de um belo gramado em frente a um castelo representava portanto um status symbol que não dava para falsificar. Era como se o proprietário gritasse: “Eu sou rico e poderoso e possuo um campo tão vasto e tantos servos que posso me conceder o luxo desta excentricidade verde.”
Este “objeto de desejo” continuou assim a exercitar o seu fascínio com o passar dos séculos e no século XIX a nova burguesia também adotava o gramado símbolo do poder que na época era exclusividade de banqueiros, advogados e industriais que podiam se dar a esse luxo.
No entanto, com a revolução industrial e os novos instrumentos para os cuidados do jardim os cortadores de grama e irrigadores ficaram ao alcance de uma ampla classe média.
Hoje até no meio do deserto encontramos gramados verdíssimos que necessitam de uma quantidade preciosa de água para manter a cor sempre verdinha e saudável – caso por exemplo do Museu de Arte Islamica no Qatar.
Harari sugere que, conhecendo a história, a gente possa ser livre para escolher se desejamos manter a tradição (neste caso uma tradição medieval europeia) ou desejamos fazer novas escolhas e caminhos diferentes. Como você deseja a entrada da sua próxima casa?
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