Olimpíadas de Roma 2040? A cerimônia de encerramento de Milano Cortina 2026 ainda ecoa nos ouvidos dos italianos quando o país já começa a olhar para o horizonte de 2040. O jornal Il Messaggero publicou nesta quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, dois artigos que discutem a possibilidade de Roma candidatar-se para sediar os Jogos Olímpicos de Verão daqui a catorze anos — um debate que ganha força justamente pelo impacto internacional que a Itália causou com sua organização impecável dos Jogos de Inverno.
Índice
O legado de uma Olimpíada bem-sucedida
A Itália saiu de Milano Cortina 2026 com a cabeça erguida e o mundo olhando com admiração. O Comitê Olímpico Internacional anunciou a concessão da Ordem Olímpica de Ouro ao presidente Sergio Mattarella e à primeira-ministra Giorgia Meloni. Giovanni Malagò, por sua vez, aparece entre os homenageados com a Ordem Olímpica de Prata. Um reconhecimento que confirma que a Itália se mostrou à altura e que poderá sê-lo também num futuro próximo.
Com 30 medalhas conquistadas pela delegação italiana, descrita pelo próprio Malagò como um “feito histórico”, o país-bota demonstrou capacidade técnica, organizacional e emocional para receber um evento da magnitude olímpica. E foi justamente esse sucesso que reabriu o debate sobre os Jogos de Verão.
Abaixo um breve vídeo com a festa de encerramento de Milano Cortina 2026:
Roma 2040 em pole position — mas com cautela
Quem melhor resume o cenário é Giovanni Malagò, que presidiu o CONI de 2013 a 2025 e hoje lidera a Fundação/organização de Milano Cortina 2026 (além de ser membro do COI). Em declaração ao Il Messaggero, o dirigente reconhece a vantagem objetiva de Roma 2040, mas faz questão de gerir as expectativas com pés de chumbo:
“É indubitável que Roma tem uma vantagem objetiva, sobretudo pela existência do Estádio Olímpico, que constitui um pré-requisito importante para receber as competições de atletismo” — afirmou Malagò, citado pelo Il Messaggero.

O atletismo e a natação são considerados as “rainhas” dos Jogos de Verão, e Roma já conta com as duas instalações essenciais no complexo do Foro Italico: o Estádio Olímpico e o Estádio de Natação. Malagò ressalta que, objetivamente, não existem outros estádios olímpicos comparáveis na Itália; o de Turim tem capacidade muito reduzida e o de Milão (tanto o antigo San Siro quanto o novo que será construído) não possui pista de atletismo.
Porém, Malagò adverte que o processo formal de candidatura impõe um calendário preciso. O novo procedimento do COI não prevê mais votação aberta entre países membros, mas sim a avaliação por uma comissão específica. E, como o governo italiano e a administração municipal de Roma vencem o mandato em 2027, as negociações formais só poderão avançar “não antes do fim de 2027 ou início de 2028”, segundo o dirigente.
Roma como laboratório olímpico em 2026
O segundo artigo publicado pelo Il Messaggero traz a visão de Diego Nepi Molineris, CEO da Sport e Salute, empresa pública controlada pelo Ministério da Economia e Finanças (MEF). Para ele, Roma já vive, na prática, uma espécie de “Olimpíada difusa” ao longo do ano de 2026.
“Roma no ano de 2026 será um laboratório organizacional, infraestrutural e midiático. É como se estivéssemos preparando e vivendo uma Olimpíada, distribuída no tempo” — declarou Nepi Molineris.
A agenda da cidade é intensa e serve como um autêntico teste organizacional: o torneio Seis Nações de rúgbi, a RomaOstia e a Maratona de Roma, a etapa final do Giro d’Itália, o Settecolli de natação, os Internazionali de tênis, o Golden Gala de atletismo, além da World Triathlon Cup e eventos de esportes urbanos como o skate.
O executivo destaca o Foro Italico como um “unicum” na Europa, onde tênis, natação, atletismo, futebol e rúgbi convivem em poucos metros. Com a futura cobertura da quadra central de tênis e o projeto de restyling do Estádio Olímpico para a Eurocopa de Futebol de 2032, a infraestrutura se consolida. Além disso, no campo da mobilidade urbana, o avanço da linha C do metrô até a região da Farnesina é considerado o ponto de virada estrutural para conectar o polo esportivo ao restante da cidade.
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Roma já hospedou os Jogos Olímpicos
Para quem visita Roma hoje, é impossível não sentir o peso histórico do olimpismo na cidade. Em 1960, a Cidade Eterna recebeu os Jogos Olímpicos de Verão que ficaram para sempre gravados na memória do esporte mundial: foi ali que um jovem chamado Cassius Clay — mais tarde Muhammad Ali — conquistou o ouro no boxe, e que o italiano Livio Berruti voou nos 200 metros rasos sob uma nuvem de pombas brancas libertas no Estádio Olímpico.
O próprio Foro Italico, onde ficam o Estádio Olímpico e o Estádio de Natação, é um passeio obrigatório para os turistas interessados em arquitetura, história e esporte. O complexo, construído na era fascista e transformado num dos mais belos centros esportivos da Europa, fica à beira do Tibre, a poucos quilômetros do Centro Histórico. Para os brasileiros que vivem na Itália ou que planejam visitar Roma, uma tarde no Foro Italico — especialmente durante um grande evento esportivo — é uma experiência única.
Roma 2040: sonho possível, mas ainda prematuro
O ano de 2040 marcaria os 80 anos das Olimpíadas de Roma 1960, uma coincidência simbólica poderosa. Porém, tanto Malagò quanto Nepi Molineris são categóricos: falar em candidatura concreta hoje seria precipitado.
O caminho passa por consolidar o modelo organizacional em 2026, aguardar as eleições municipais e legislativas de 2027, e só então construir um dossier sólido com o aval do governo, da prefeitura e do COI.
Como resumiu Nepi Molineris ao Il Messaggero: “Roma não deve perseguir um sonho, deve consolidar um modelo. As palavras-chave para abrir a gaveta Roma 2040 são: seriedade, otimismo, visão, união e praticidade.”
A Itália mostrou ao mundo, em Milano Cortina, que sabe organizar Jogos Olímpicos. Agora, resta saber se Roma terá, desta vez, a paciência e a determinação política para transformar o eterno sonho olímpico em realidade.
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