A Alta Velocidade na Itália está prestes a ganhar um novo nome. Depois de anos em que o mercado ficou praticamente nas mãos de Trenitalia e Italo, a SNCF, grupo ferroviário francês, recebeu sinal verde para avançar em sua entrada no país. Para quem viaja com frequência entre cidades como Milão, Roma, Veneza e Turim, a notícia merece atenção porque pode abrir espaço para mais opções de viagem no futuro.

A decisão foi anunciada nesta sexta-feira, 6 de março de 2026, pela Autoridade Garante da Concorrência e do Mercado, que aceitou os compromissos apresentados pela RFI, responsável pela infraestrutura ferroviária italiana. Na prática, o tema central era o acesso à rede de Alta Velocidade e a possibilidade de um novo operador finalmente conseguir entrar em um setor que até agora funcionava como um duopólio.

Ainda não é uma mudança que o passageiro vai sentir amanhã na estação, mas é um passo concreto para mexer em um dos mercados mais estratégicos da mobilidade italiana.

O que aconteceu e por que isso importa

A investigação tinha começado em março de 2025 para verificar se a forma de distribuição da capacidade da rede podia dificultar a chegada de novos concorrentes. Em outras palavras, o problema não era apenas a existência de duas grandes empresas dominando a Alta Velocidade, mas também as regras que poderiam tornar muito difícil a entrada de uma terceira.

Com a decisão agora oficializada, a RFI terá que garantir ao novo entrante um pacote mínimo de 18 slots horários nas linhas Turim-Milão-Roma e Turim-Milão-Veneza. Esses canais terão estabilidade por dez anos, o que dá ao projeto uma base mais sólida e permite que a nova operadora planeje investimentos de forma mais realista.

Também haverá mudanças nas regras da rede para alinhar melhor o sistema italiano aos princípios europeus de concorrência, melhor aproveitamento da infraestrutura e proteção das necessidades dos passageiros. Parece um detalhe técnico, mas é justamente esse tipo de regra que define se a abertura do mercado vai funcionar de verdade ou se vai ficar apenas no papel.

SNCF quer começar a operar em 2027

O nome mais associado a essa abertura é o da SNCF Voyages Italia, braço italiano do grupo ferroviário francês. Segundo as informações divulgadas, a empresa pretende lançar sua nova oferta de Alta Velocidade no país a partir de setembro de 2027.

A estreia deve acontecer com 18 slots horários e foco nas rotas entre Turim e Roma, passando por Milão, e entre Turim e Veneza, também via Milão. Não por acaso, são trajetos importantes tanto para o turismo quanto para quem viaja a trabalho.

Milão continua sendo uma espécie de coração ferroviário da Itália. Roma segue entre os destinos mais movimentados do país. Veneza mantém um fluxo fortíssimo de visitantes durante quase todo o ano. E Turim reforça a importância do eixo do norte. Em resumo, a SNCF não vai entrar por uma porta lateral: a ideia é começar justamente nos trajetos mais estratégicos da rede.

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Alta Velocidade na Itália terá nova operadora: SNCF prepara estreia e mercado pode mudar

O que pode mudar para quem viaja de trem na Itália

Para o passageiro, a palavra mais importante aqui é concorrência. Quando mais uma empresa entra em um setor tão relevante, a tendência é que o mercado fique mais interessante. Isso pode significar novos horários, serviços diferentes, mais pressão por qualidade e, dependendo da estratégia comercial das operadoras, até tarifas mais competitivas em algumas rotas.

Não dá para prometer desde já passagens mais baratas. Esse tipo de efeito depende de vários fatores e leva tempo. Mas faz sentido imaginar que a presença de uma terceira empresa possa tornar o mercado menos engessado. E isso, para quem usa trem na Itália, já é uma notícia relevante.

Vale lembrar que a Alta Velocidade italiana faz parte da rotina de muita gente e também do roteiro de milhares de turistas. Para quem visita o país, viajar de trem entre grandes cidades costuma ser uma das formas mais práticas de se deslocar. Em muitos casos, é mais simples do que voar, especialmente por causa da localização central das estações e do tempo economizado no embarque.

Se esse mercado ficar mais aberto, o impacto pode ir além dos trilhos. Pode influenciar a forma como as pessoas organizam viagens, escolhem cidades-base e até distribuem melhor o tempo entre destinos como Milão, Veneza, Florença e Roma.

O fim de uma fase no setor ferroviário italiano

O ponto mais simbólico dessa história é que o duopólio da Alta Velocidade italiana começa a ser questionado de forma concreta. Durante anos, quem queria viajar nesse segmento escolhia basicamente entre Trenitalia e Italo. Agora, pela primeira vez, a entrada de uma terceira operadora ganha contornos reais, com regras, prazos e espaço mínimo garantido.

Para quem acompanha o setor, isso marca uma virada importante. Para quem simplesmente quer viajar melhor pela Itália, a mudança pode parecer distante, mas merece ser observada desde já. O trem de alta velocidade é uma peça central da experiência de viagem no país, e qualquer novidade nesse mercado pode acabar influenciando bastante a vida prática dos passageiros.

A estreia da SNCF ainda depende dos próximos passos e do avanço do plano de investimentos, mas o recado já foi dado: a Alta Velocidade na Itália está começando a sair de uma lógica de dois nomes apenas. E, se tudo avançar como previsto, a partir de setembro de 2027 os trilhos italianos podem ficar mais competitivos do que nunca.

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Barbara Bueno - brasilnaitalia
Barbara Bueno é uma jornalista brasileira que mora em Florença desde março de 2005. Foi para a Toscana em busca das suas origens italianas. Em janeiro de 2007 criou o blog BRASIL NA ITALIA. Já trabalhou como content manager para a Regione Toscana, obteve habilitação como assistente turística e foi proprietária de agência de viagem na Italia (até chegar a pandemia...). Hoje se interessa por criptomoedas e voltou a fazer o que mais gosta: buscar novidades, visitar lugares interessantes e escrever! Se você tem uma dúvida sobre a Italia visite a seção Dúvidas sobre a Italia.

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