Chega de luxo! Cansou! Nao aguento mais ler nas revistas o “cobiçado” ultimo modelo “exclusivo” de anel de Diamantes da Chanel ou de celular que toca musica, tira foto e funciona como computador. E a expressao “must have”, tem algo mais repetitivo e sem criatividade dos ultimos tempos? A gente ja tem tanta coisa e a cada estaçao aparece uma coisa nova que temos que ter para sermos mais felizes.

Desde que cheguei na Italia (nao sei por que so aqui me veio esse pensamento) tenho o habito de pensar em como era a vida nos primordios dos tempos, quando o homem saia para caçar se quisesse dormir sem fome. Fico pensando que no inicio de tudo, a unica coisa que desejavamos era ter comida, um teto seguro e uma boa saude. O tempo livre seria passado em comunidade, e ai começou a ser desenvolvida a comunicaçao.

O problema foi que comunicaçao evoluiu ate virar marketing e o marketing foi tao bem sucedido em vender necessidades superfluas que hoje a gente nao sabe mais diferenciar o que é ou nao importante. Fico absolutamente chocada quando leio materias sobre milhoes de euros/dolares/reais desviados por corrupçao. Todo mundo se mata de trabalhar e “matam” uns aos outros simplesmente para ter mais coisas. Mas para que ter tudo isso? Qual o numero de roupas maximas que uma pessoa pode comprar por ano para poder se trocar 3 vezes ao dia sem repetir o modelito?

E essa corrida da classe media mundial em trabalhar mais para poder ter mais, e parecer mais luxuoso, para que meu Deus do ceu??? Hoje li uma materia nao sei onde que falava de uma adolescente de 15 anos que enviava fotos suas em poses sexys em troca de uma ricarica (carga) no celular de 25 euros. Fico pensando que mais cedo ou mais tarde as pessoas vao acordar e vao voltar a dar valor as coisas simples: as pessoas, o ser humano, a vida. O x da questao eh que vivemos em um mundo onde tudo serve para fazer dinheiro e logico que as empresas vao querer monetizar o conceito de pessoa, ser humano e vida.

E a onda do vintage? Acho uma coisa ridicula, como se o comprador de vintage estivesse em busca da vida nos tempos da vovo, tempos que nao existem mais, pelo menos na vida das classes dominantes do planeta. Uma correria, sem saber muito bem para que se quer chegar em algum lugar. Nao seria hora de parar um pouco? De ir mais devagar?

Bem, termino com um trecho de entrevista que achei surpreendente, exatamente porque ditos por Domenico Dolce & Stefano Gabana ao La Nazione de hoje (13/01/2008)

“Oggi siamo arrivati a dei punti di non ritorno, a delle tremende assurdità. E invece bisogna tenere i piedi per terra e sapere sempre chi siamo e da dove siamo partiti. Anche nel lavoro e nel business. Oggi viviamo tutti molto bene, ma ricordiamoci che paghiamo per non mangiare, ci alleniamo come matti per dimagrire, spendiamo un sacco di soldi per stare bene. Ecco, forse stiamo troppo bene. Fermiamoci, diciamoci: forse sto abusando. Si arriva perfino all’assurdo di tanti giovani che si drogano per essere contenti. E’ l’ apice della cretineria! Torniamo invece a cenare un po’ tra amici, a trovarsi al ristorante per combattere la solitudine.”