A presença da Tropicalistic no FuoriSalone 2026 promete recolocar o design brasileiro em evidência em uma das semanas mais importantes do calendário internacional do setor. De 20 a 26 de abril de 2026, Milão volta a receber profissionais, marcas, jornalistas e apaixonados por design do mundo inteiro, e desta vez a plataforma fundada por Virginia Morsani e Lorenzo Gallori retorna em parceria com Neia Paz com uma proposta que parte de um tema forte: a inteligência artesanal.
A exposição “ia – Inteligência Artesanal” será apresentada na Via Maroncelli 10, em pleno Brera Design District, uma das áreas mais desejadas do FuoriSalone. O endereço por si só já chama atenção, mas o conceito da mostra vai além do impacto visual: a ideia é colocar em primeiro plano aquilo que o design brasileiro tem de mais difícil de reproduzir em série, que é justamente a força do gesto humano, da matéria, da experimentação e da identidade cultural.
Para quem acompanha a presença do Brasil na Milano Design Week, vale lembrar que o Brasil na Italia já publicou também o artigo sobre o paulistano Alê Jordão no Fuori Salone 2026, além de outras matérias ligadas à Tropicalistic e ao design brasileiro em Milão. Nesta edição, o projeto volta maior, mais ambicioso e com uma curadoria ampla, reunindo nomes de diferentes regiões do Brasil.
Índice
Uma mostra brasileira em um endereço estratégico de Milão
A exposição da Tropicalistic e Neia Paz será instalada no cortile de um edifício histórico da chamada Vecchia Milano, em um imóvel construído antes das grandes transformações urbanas do século XX. Hoje o espaço abriga um showroom de moda bastante conhecido, mas durante a semana de design será transformado em uma experiência imersiva marcada por cores, matérias-primas e narrativas que dialogam com o Brasil contemporâneo.
Estar em Brera faz diferença. O distrito é um dos pontos mais visitados do FuoriSalone e concentra uma circulação internacional intensa, o que amplia a visibilidade de projetos autorais e facilita o contato com imprensa especializada, compradores, arquitetos, galeristas e profissionais do mercado. Para um projeto ainda jovem, mas já em expansão, essa localização ajuda a dimensionar o salto de escala desta segunda edição.
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A programação da mostra não ficará limitada à exposição principal. O espaço também receberá apresentações e encontros organizados pelas marcas participantes, reforçando a proposta de transformar a visita em uma experiência mais dinâmica e relacional.
O conceito de “ia – Inteligência Artesanal”
O ponto de partida da mostra nasceu durante o FuoriSalone 2025, em uma conversa com o fotógrafo brasileiro Walter Bellonzi, autor do projeto homônimo que investiga visualmente a relação entre o ser humano, a matéria e o ato criativo.
A partir dessa leitura, a curadoria propõe uma reflexão que faz muito sentido no momento atual: em um cenário cada vez mais marcado por automação, repetição e padronização estética, o design feito a partir da mão, da sensibilidade e até da imperfeição ganha outro valor.
É justamente aí que o conceito de inteligência artesanal se torna interessante. Em vez de opor tradição e inovação, a mostra sugere que o design brasileiro contemporâneo consegue articular conhecimento ancestral, pesquisa material, técnica e liberdade criativa em objetos que não soam homogêneos. O resultado não é uma vitrine de brasilidade superficial, mas uma tentativa de mostrar como território, mistura e repertório cultural podem se transformar em linguagem de design.
A instalação expositiva é assinada pela arquiteta Carmela Rocha, conhecida pelo trabalho com conceitos expográficos para mostras e exposições internacionais. Já a identidade visual e gráfica de “ia – Inteligência Artesanal” leva a assinatura de Maria Fraga, designer gráfica portuguesa que vive entre São Paulo e Porto e que, nesta edição, trabalha em diálogo direto com a cenografia para traduzir visualmente o conceito curatorial da mostra.
Designers, marcas e peças que ajudam a contar esse Brasil contemporâneo
A curadoria reúne um grupo amplo de designers, artistas e marcas, com nomes que vão do Norte ao Sul do Brasil.
Entre os participantes estão Segafredo com Breno Loeser, Uultis, Katharina Welper, ÍCON Design, Traço Um, Adriana Chamma, Álefer Weschenfelder, Bete Said com Casa de Marimbondo, Ruan Caique, Marcelo Bellotto, Maximira Durigan, Luciana Teixeira, Gabriel Freitas, Ricardo Gaspar para Baziotti Outdoor Decor, Rodrigo Laureano/Studio Ronega, Teka Mesquita, Century, Jaildo Lima para House Garden, Rodrigo Ambrósio, Ju Block, MCM Studio, Igor Lima, Delphine Araxi e Massame Studio.
Mais do que simplesmente listar participantes, o interessante aqui é observar como a seleção mistura linguagens, materiais e repertórios. Há peças que dialogam com fibras naturais, cerâmica, couro, vidro soprado, compósitos, madeira maciça, biomateriais e técnicas artesanais reinterpretadas de forma contemporânea. Em comum, está a tentativa de mostrar um design brasileiro que não cabe em uma fórmula única.
Entre os destaques anunciados está a releitura tropical da clássica xícara da Segafredo, assinada por Breno Loeser. A proposta transforma um objeto cotidiano em manifesto visual e reforça a conexão cultural entre Brasil e Itália também por meio do café.
A Uultis leva a Milão peças autorais que combinam design, sustentabilidade e tecnologia, enquanto Katharina Welper apresenta trabalhos que dialogam com arte e funcionalidade, incluindo mesas em mosaico e uma obra que reflete sobre a banalização da imagem contemporânea.


A ÍCON Design chega com peças que unem artesanato refinado e referências do design automotivo. A Traço Um aposta em superfícies, tramas e matérias-primas escolhidas com cuidado para ambientes internos e externos. Adriana Chamma leva um totem modular em cerâmica inspirado em folhas tropicais. Álefer Weschenfelder apresenta peças ligadas à coleção Intuição, em que cores primárias se tornam linguagem emocional.
Há também trabalhos que aprofundam o elo entre design, ancestralidade e território, como a Cadeira Axé – Ponta de Lança, de Bete Said em colaboração com a Casa de Marimbondo, e a luminária Futuro Ancestral, de Ruan Caique, produzida com fibra de tucumã e fragmentos reaproveitados de ônix translúcido.


Em outra chave, a instalação “Peles da Natureza”, de Teka Mesquita, chama atenção por trazer um comentário mais direto sobre Amazônia, regeneração ambiental e exploração do território.
Esse conjunto ajuda a entender a proposta curatorial. O espaço da Tropicalistic e Neia Paz no Fuori Salone 2026 apresenta um recorte do design brasileiro contemporâneo a partir de suas tensões, suas memórias, seus materiais e suas invenções.
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Brasil, Itália e um diálogo que ganha força em 2026
A edição de 2026 conta com o apoio institucional do Consulado-Geral do Brasil em Milão, um dado importante porque reforça o peso cultural da iniciativa dentro da programação paralela da semana de design. Também há o patrocínio do Segafredo Zanetti Group, numa colaboração que ajuda a costurar ainda mais o vínculo entre os dois países.
No caso da Segafredo, essa ponte passa por Minas Gerais, onde é produzido o café Segafredo Brasil, na plantação Nossa Senhora da Guia. A narrativa faz sentido dentro da mostra porque conecta design, território, produto e imaginário cultural, sem limitar o Brasil a um repertório decorativo previsível.
A expectativa é de receber um público internacional formado por profissionais do setor, imprensa especializada e visitantes interessados em experiências autorais. Em um FuoriSalone onde há sempre excesso de informação, excesso de eventos e excesso de estímulos, propostas com identidade clara tendem a se destacar mais.
Serviço: exposição “ia – Inteligência Artesanal” em Milão
A mostra “ia – Inteligência Artesanal” acontece na Via Maroncelli, 10, no Brera Design District, em Milão.
Dica: a poucos passos da mostra da Tropicalistic, na Galleria Paola Colombari (Via Maroncelli 13) você poderá conferir Frida’s Boka Loka, do brasileiro Alê Jordão.
Nos dias 20, 21, 22, 23 e 24 de abril de 2026, o horário será das 11:00 às 20:00. No dia 25 de abril, a visitação será das 10:00 às 18:00. Já em 26 de abril, último dia, a exposição ficará aberta das 10:00 às 14:00.
Além da exposição, o público poderá participar de algumas experiências paralelas, como degustação de café com a Segafredo, experiências de realidade virtual com a Amplio e mini entrevistas para podcast, também organizadas pela Amplio, mediante reserva de horário.
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Quem está por trás do projeto
A Tropicalistic é uma plataforma sediada em Milão dedicada à promoção do design autoral brasileiro no mercado internacional. Em um cenário em que ainda são poucas as iniciativas voltadas especificamente a dar visibilidade ao design brasileiro no exterior, a proposta da plataforma é conectar essa produção a um público global mais amplo e qualificado.
Já Neia Paz atua entre Itália e Brasil como produtora e project manager, especializada na produção e organização de eventos, experiências e ações de relacionamento voltadas ao setor moveleiro. Sua atuação nesta edição ajuda a reforçar o caráter estratégico do projeto, que não se limita à exposição em si, mas busca ampliar networking, circulação e oportunidades de mercado.
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