Quando aceitei escrever sobre Roma, não pensei direito no desafio que tinha pela frente. A primeira vez que estive na capital italiana foi em 2008 e, desde então, venho buscando uma forma de traduzi-la. Como me faltam palavras, optei pela saída mais simples e decretei: é a cidade mais bela do mundo.

O órgão da Basílica S. Maria Degli Angeli e Dei Martiri

Roma é cheia de adjetivos e superlativos: é exagerada, é desorganizada, é barulhenta, é afrodisíaca e é capaz de despertar todos os pecados capitais, principalmente a gula. E você sente esse turbilhão de sentimentos desde o momento em que coloca os pés na cidade.

O Fiumicino destoa dos modernos aeroportos da Europa, como o da Bélgica. Pegar o expresso até o Termini, a estação central, é outra experiência. A compra do bilhete é meio confusa, é preciso validar o tíquete e ingressar no trem é sempre uma luta –é muita gente e muita mala ao mesmo tempo. Uma vez conquistado o seu espacinho, prepare-se para um aperitivo de Roma: surgem as primeiras ruínas e avista-se o Trastevere, um dos bairros mais tradicionais, separado do centro da cidade pelo Tibre.

Veja mais detalhes sobre como ir do Aeroporto Fiumicino até o centro de Roma

Frommer’s, Lonely Planet e qualquer outro guia dará dezenas de opções de passeio em Roma. Na minha opinião, a cidade deve ser descoberta a pé. Prepare-se para longas caminhadas e muitos degraus, bem recompensados com os mais deliciosos gelatos, capuccinos e expressos.

Independente da religião que segue, não deixe de visitar a Basílica S. Maria Degli Angeli e Dei Martiri, localizada em frente à Piazza della Repubblica, em um uma antiga estância termal romana. A transformação ocorreu pelas mãos de ninguém menos que Michelangelo Buonarroti, a pedido do papa Pio IV em 1561. O projeto do artista florentino, que viria a morrer três anos depois, foi seguido à risca pelo seu assistente Antonio Lo Duca. A Basílica, porém, só ficou pronta em meados do século de XVIII.

Portanto, prepare-se para soltar muitos “Mamma Mia” em um espaço suntuoso, mas acolhedor. A partir da porta de bronze, acumulam-se capelas, monumentos e obras de cair o queixo – entre elas, a Madonna e os Anjos, de um artista desconhecido, e a cabeça de São João Batista, esculpida em mármore de Carrara pelo polonês Igor Mitoraj.

Quem visitar a basílica no fim do dia, por volta das 17h, pode assistir a uma missa em inglês e depois aproveitar o concerto gratuito. Sim, um concerto, em uma igreja projetada por Michelangelo, em um órgão construído por Barthélémy Formentelli e que cobre quase uma parede inteira. Coisas que só Roma faz por você…

o encontro com o papa no Vaticano

Alguns passeios você não pode deixar de fazer – o encontro com o papa no Vaticano às quartas-feiras é um deles. Para o Coliseu, o Fórum Romano e os Montes Palatinos, vá com roupas confortáveis, tênis e uma garrafa de água, que pode ser abastecida pelo caminho. Um ingresso só pelas três atrações custa 12 euros. Prepare-se para enfrentar filas. Ao longo delas, você será abordado por pessoas com promessas de burlar as filas por 20 euros. Bobagem! Quem adquire o audioguide no Coliseu por cinco euros a mais não enfrenta tanta fila e ainda pode aproveitar o local no seu próprio ritmo.

A Villa Borghese é mais uma boa atração de Roma. Para visitar a Galeria, é preciso reservar a entrada, algo que o concierge do seu hotel pode fazer por você. É proibido circular pelos dois andares com mochila, bolsa e máquina fotográfica. Você deixa na “chapelaria” e pega na saída. Todo esse trabalho tem uma boa justificativa: as salas são realmente muito pequenas e cheias de obras de arte. Essa é, portanto, uma forma de evitar acúmulo de pessoas e, principalmente, acidentes. Entre Raffaellos e Caravaggios, não deixe de olhar pra cima. As pinturas no teto são verdadeiras obras de arte, cheias de histórias. Entre as esculturas, vale disputar espaço para ver o Apollo e Dafne, de Bernini. Para retomar o fôlego, aproveite o verde da Villa Borghese. Combine esse passeio com compras na Piazza de Spagna – afinal, ninguém é de ferro. Cartão postal de Roma, esta praça concentra uma boa quantidade de lojas para todos os gostos e bolsos.

Quer saborear aquela salada caprese e pasta? Então, vá ao La Matriciana, próximo à Piazza della Repubblica e bem em frente Teatro Dell’Opera. O atendimento é cortês e a refeição fica ainda mais gostosa com o vinho da casa, que também é mais barato. Lembre-se: inaugurado em 1870, este é um restaurante tradicional e, como tal, não fica aberto o dia todo. Somente das 12 às 15h, reabrindo às 19h para o jantar. Ah, acredite, eles não funcionam aos sábados.

Vale, ainda, deixar de lado qualquer preconceito e reservar uma graninha para comprar um dia em um daqueles ônibus hop in-hop off. Há várias opções e roteiros diferentes. Escolha o que mais te agrada, relaxe e simplesmente admire a cidade mais linda do mundo e seus cartões-postais em vários momentos do dia: com o sol se firmando, com o calor bombando, ao entardecer e à noite. Acredite! Roma é capaz de te surpreender.

O coliseu de Roma

E já que deixamos os preconceitos de lado, vale ressaltar um trecho que Elizabeth Gilbert inseriu no seu best-seller Comer Rezar Amar – até hoje a melhor tradução que já encontrei da cidade: “Atualmente, na Europa, vem acontecendo uma queda de braço. Algumas cidades estão competindo com outras para ver quem vai emergir como a grande metrópole do século XXI. Será Londres? Paris? Berlim? Zurique? Talvez Bruxelas, centro da jovem comunidade? Todas tentam superar as outras culturalmente, arquitetonicamente, tributariamente. Mas é preciso dizer que Roma não entrou nessa corrida por status. Roma não compete. Roma só fica olhando toda essa aflição e esforço, inteiramente impassível, cantarolando uma melodia como quem diz: Ei…podem fazer o que quiserem, mas eu continuo sendo Roma. A segurança régia dessa cidade me inspira, tão firme e tão azeitada, tão bem-humorada e tão monumental, como quem sabe que tem o seu lugar especial na história. Quando eu for uma velha senhora, gostaria de ser como Roma”.

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Artigo e fotos por Tati R. Lima, jornalista e blogueira (https://blogdoceviagem.com/) especialmente para o BRASIL NA ITALIA. 

5 COMENTÁRIOS

  1. Nada como o velho mundo para surpreender e oferecer a possibilidade de viver a história nos dias de hoje. O bom da vida é poder viajar.

  2. Conhecemos Portugal e parte da Espanha, but…a Italia é de difícil tradução, como você escreveu..
    Pretendemos aprender o indioma, para traduzir tudo que lá está do passado intrigante dos nossos avós, porque partiram?..porque deixaram uma região tão bela?..embora nosso País tenha belezas de sobra. Fica algumas dúvidas sobre a imensa dor de ter que deixar uma parte dêles lá, a família, os amigos. Disseram-nos que por amor, também se deixa partir, é vero?…a Italia fez isto um dia com os filhos?..
    Parabens, pela matéria.
    Scaglioni e patrizzi.

  3. Excelentes informaçoes, estive em Roma varias vezes e continuo apaixonado por essa cidade.
    Pretendo viver la algum tempo, tenho 63 e estou aposentado, minha vontade e de fazer um curso de italiano e viver la por no minimo uns tres meses.
    Meu e mail é noceti_brasil@hotmail.com , se alguem tiver alguma dica ou quiser trocar informaçoes estou a disposiçao.
    Jose Francisco (Chico)

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