As regras para turistas na Itália estão ficando mais rígidas neste verão europeu. Em várias cidades turísticas, principalmente no litoral, os municípios voltaram a publicar normas para limitar comportamentos considerados inadequados em espaços públicos: andar de biquíni ou sem camisa no centro, comer sentado em bancos e muretas, fumar na praia, bloquear pontos panorâmicos para selfies e até circular em grupos turísticos grandes demais.

Biquíni e sunga fora da praia: onde o turista deve ter cuidado

Em muitos destinos italianos, o traje de banho é aceito na praia, nos clubes de praia e nos acessos imediatos ao mar. Mas o mesmo biquíni, maiô, sunga ou torso nu pode virar problema nas ruas do centro, em praças, monumentos, lojas, transporte público e prédios municipais.

Em Gallipoli, na Puglia, a norma assinada em junho de 2026 proíbe circular ou permanecer sem camisa, em traje de banho, roupa íntima ou com vestimenta considerada inadequada em vias, praças, parques, transporte público local, monumentos históricos, repartições públicas e estabelecimentos comerciais. A regra vale até 30 de setembro e não se aplica a praias, estabelecimentos balneares e trechos de ligação imediata com o litoral.

Em Scalea, na Calábria, o Comune também publicou uma norma sobre turismo e preservação dos espaços públicos: é proibido circular ou permanecer sem camisa e/ou em traje de banho nas áreas e vias públicas do centro habitado. A medida entrou em vigor em junho e vale até 15 de setembro de 2026.

Regras para turistas na Itália: biquíni fora da praia, sanduíche na rua e cigarro na areia podem dar multa

Nas Ilhas Égadi, na SicíliaFavignana, Levanzo e Marettimo — a regra já vinha sendo aplicada em anos anteriores. O Comune de Favignana informa que é proibido circular nos centros históricos em traje de banho ou sem camisa, com extensão da proibição ao Palazzo Florio, ao antigo Stabilimento e aos escritórios municipais. A multa indicada pelo município vai de 25 a 150 euros.

Lago de Como: grupos turísticos menores e sem megafone

As regras não se limitam às cidades de praia. Em Varenna, no Lago de Como, a imprensa local informou novas medidas para organizar o fluxo turístico: grupos de visita com limite de 25 pessoas, proibição de amplificação da voz da guia e regras contra comportamentos que atrapalhem a passagem de pedestres. Também foi noticiado o veto a circular sem camisa ou em traje de banho fora das áreas adequadas, com multas que podem chegar a centenas de euros.

Para o viajante brasileiro, isso significa que tours guiados em cidades pequenas da Itália podem ter regras próprias. Nem sempre a guia pode usar microfone ou alto-falante, e grupos grandes podem ser obrigados a se dividir.

Fumar na praia: cada cidade decide

Não existe uma única regra nacional italiana que proíba fumar em todas as praias, mas vários municípios estão adotando praias “smoke-free”, ou seja, livres de fumo.

Em Rimini, uma das grandes novidades da norma balneária de 2026 foi ampliar a proibição ao fumo. Antes, o veto era limitado à beira-mar; agora, o Comune informa que ele se estende a todas as áreas em concessão dos estabelecimentos balneares, com exceção dos espaços para fumantes eventualmente indicados pelos próprios concessionários. A multa prevista vai de 25 a 500 euros.

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Em Rimini é proibido fumar nas praias: a multa varia de 25 a 500 euros

Em Pesaro, nas Marcas, a regra é ainda mais direta: desde 1º de abril de 2026, é proibido fumar em toda a faixa de areia municipal, inclusive debaixo do guarda-sol. O veto vale para tabaco, cigarros tradicionais, cigarros eletrônicos e dispositivos de tabaco aquecido. Áreas de bar ficam excluídas, e os concessionários podem criar espaços sinalizados para fumantes. Veja os detalhes no site oficial do Comune di Pesaro.

Antes de acender um cigarro na praia, olhe a sinalização do clube de praia ou da praia livre. Em caso de dúvida, pergunte ao estabelecimento balnear.

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Tropea: não é só para turistas, moradores também entram na regra

Em Tropea, na Calábria, a preocupação com a imagem turística chegou também às propriedades privadas. Uma norma municipal de 9 de junho de 2026 determina que terrenos, áreas comuns de edifícios e áreas privadas descobertas sejam mantidos limpos, sem mato, lixo, restos de poda ou materiais abandonados. O texto também prevê manutenção de fachadas externas para preservar a segurança e a boa aparência da cidade.

A medida mostra uma tendência interessante: em alguns destinos, a organização da cidade não é cobrada apenas do turista que sai da praia de biquíni. Moradores, proprietários e administradores de imóveis também podem ser chamados a manter jardins, fachadas e áreas privadas em ordem.

O que o turista brasileiro deve fazer para evitar multa

A regra de ouro é: praia é praia, centro histórico é centro histórico. Ao sair da areia, coloque uma saída de praia, camiseta, vestido, bermuda ou roupa normal antes de entrar em ruas comerciais, igrejas, museus, transporte público, bares e prédios públicos.

Também vale evitar comer sentado no chão, em escadas, muretas e bancos de áreas muito turísticas, especialmente em cidades pequenas e superlotadas. Se quiser fazer um lanche econômico, procure áreas permitidas, parques onde o piquenique seja autorizado ou bancos afastados de monumentos e acessos principais.

Para fumantes, a atenção deve ser redobrada. Em muitas praias italianas, inclusive em áreas com guarda-sol, a proibição já inclui cigarro eletrônico. Não basta estar ao ar livre: se houver norma municipal ou placa de “spiaggia smoke-free”, o risco de multa existe.

E, para quem viaja em excursão, vale confirmar com a agência se o grupo respeita os limites locais.


E você, o que acha dessas regras pega-turista? Servem apenas para fazer caixa com as multas? São necessárias para organizar o fluxo de pessoas? A saúde? Ou quem sabe querem fazer o turista gastar dinheiro em restaurantes locais invés de usar soluções econômicas? Algumas são ok e outras são sem noção? Conta para a gente sua opinião nos comentários!

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Barbara Bueno - brasilnaitalia
Barbara Bueno é uma jornalista brasileira que mora em Florença desde março de 2005. Foi para a Toscana em busca das suas origens italianas. Em janeiro de 2007 criou o blog BRASIL NA ITALIA. Já trabalhou como content manager para a Regione Toscana, obteve habilitação como assistente turística e foi proprietária de agência de viagem na Italia (até chegar a pandemia...). Hoje se interessa por criptomoedas e voltou a fazer o que mais gosta: buscar novidades, visitar lugares interessantes e escrever! Se você tem uma dúvida sobre a Italia visite a seção Dúvidas sobre a Italia.

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