Ando em um momento filosófico sobre a vida, me desculpem os leitores que estiverem interessados em informações mais práticas. E ando pensando muito sobre trabalhar.

Se você continuasse a ganhar o seu mesmíssimo salário sem ter que trabalhar, você continuaria trabalhando?

No caso em que a resposta seja sim, continuaria trabalhando, provavelmente trabalharia porque isso provoca uma sensação positiva, faz sentir bem. Mas por que faz sentir bem? Porque você sente que está fazendo algum bem a coletividade? Porque está construindo alguma coisa? Porque você descobre que serve para alguma coisa e o faz sentir importante? Porque isso faz com que você seja obrigado a levantar da cama e acaba vivendo coisas inesperadas? Porque é bom ter algo para pensar e ocupar a mente? Porque senão a gente começa a pensar demais na origem do universo e fica lá, olhando para o céu e se sentindo apenas um ser insignificante e passageiro em relação ao mundo?

Ou seria muito melhor usar o seu tempo livre para ler todos os livros e revistas e publicações que você tem vontade na hora que você tem vontade? Ou seria melhor poder viajar na hora que você quer, para onde for e com quem for? Ou seria melhor poder ficar online procurando coisas novas e interessantes? Ou melhor ainda simplesmente sair para cuidar do corpo, praticar um esporte ou simplesmente ficar de papo para o ar em um lugar bonito rodeado de natureza? Ou fazendo seja lá o quer for na hora que você quiser…

Minha conclusão até agora é que a gente trabalha principalmente por dinheiro porque o dinheiro compra a segurança de ter todas as nossas vontades e desejos realizados e, quanto mais a gente trabalha, ao menos teoricamente, mais dinheiro entra, e também teoricamente, maior a possibilidade de realizar mais desejos. A única coisa é que quanto mais a gente trabalha, menos tempo tem disponível. E quanto mais coisas a gente tem para fazer, menos tempo tem para pensar…

6 COMENTÁRIOS

  1. Entrei neste blog por acaso e achei que o post vem muito a calhar. Divagava sobre a mesma coisa nesta madrugada, numa viagem de onibus, enquanto observava a paisagem desertica do extremo oeste do Rajastao, na India.

    Em fevereiro, deixei um emprego de seis anos para viver um ano sabatico na Asia. Estou aqui ha nove e, logo, tenho mais tres pela frente.

    Ontem, comecei a pensar o quanto minha vida e mais interessante longe da rotina de Sao Paulo. Nao posso dizer que eu nao trabalhe. O blog e trabalho, mas diferente. Tenho liberdade para escrever sobre o que bem entendo, como e quando quero.

    De certa forma, escrever virou meu momento de descanso na viagem. Eu nunca poderia imaginar que trabalho viraria lazer.

    Nao condeno o trabalho, nao. Se estou aqui hoje, e porque juntei dinheiro por seis anos para me dar ao luxo de viver la dolce vita por doze meses.

    Nao ha duvida, porem, que minha vida e muito mais rica agora, com tempo de sobra para ler, escrever, viajar, conhecer pessoas e visitar blogs alheios.

    O meu, a proposito, e http://www.blogdeviagem.globolog.com.br

    Escrevi um comentario anterior, mas nao sei se ele esta no ar. O computador deu uma pirada quando apertei “enviar”. Manter blog em cybercafe na India e complicado.

    Desculpe se meu post esta duplicado.

    Um abraco

  2. Ciao Marcella,
    Já visitei e gostei muito do seu site, inclusive adicionei aqui na seção de blogs interessantes, no canto direito da página.
    Viajar nos faz pensar muito na vida, às vezes nos faz pensar até que viajar demais cansa e que é bom voltar para casa, para então cair na estrada de novo. 🙂
    Talvez seja como o trabalho: a gente tem que trabalhar um pouco, depois parar, depois voltar. Mas não sei se me vejo me matando de trabalhar novamente, ou pelo menos com aquele stress das coisas serem pedidas amanhã e realizadas ontem. É por isso que eu gosto do ritmo italiano. No começo a gente acha um defeito. Acha que tudo é lento. Depois se adapta e percebe que aqui os velhinhos tem menos rugas e vivem mais. Enfim, já é tarde e vou dormir. Boa noite para vcs!

  3. Um amigo do meu pai, que é suiço e vive no Brasil há décadas por opção disse uma vez e eu nunca esqueci:

    “Existem três fases na vida de um homem: na primeira ele tem tempo e vontade, mas não tem dinheiro; na segunda, tem dinheiro e vontade, mas não tem tempo; e na terceira, tem tempo e dinheiro, mas já não tem mais vontade.”

  4. Olá Marcela, Leonardo e blog “brasil na itália”.
    Me fiz estes mesmos questionamentos por muito tempo. Sou (era?) publicitário, trabalhei por 06 anos em Porto Alegre e este ano, finalmente, tomei coragem e fiz a viagem que sempre sonhei: um giro pela europa e morar um tempo na itália. Agora estou aqui, a um mês e 10 dias (sim, eu sei, é pouquíssimo), me pergunto às vezes se fiz a escolha certa. Era melhor a “competição” no Brasil, ou ter um trabalho aqui que me pague as contas e me permita continuar viajando? Não tenho resposta, penso muito sobre prós e contras. Ao final das contas, concordo com este comentário do Leonardo. As coisas tem que ser feitas nos tempos (e os tempos de cada um, evidentemente) corretos. No meu caso, está sendo maravilhosa a experiência.

    Abraço para vocês!
    Rogério

  5. Eu faço parte dos que trabalham para pagar as contas e me permitir alguns luxos. É, é terrível. Então, se fosse para ficar em casa ganhando até um pouco menos do que eu ganho, não pensaria duas vezes em aceitar.

    É inacreditável como eu consigo me ocupar quando não estou trabalhando. 😀

    Adoro as informações do seu blog, com certeza serão muito úteis para mim quando finalmente conseguir me mudar para a Itália (um dos luxos que meu trabalho vai me permitir 😉 )

  6. Parabéns pelo Blog.

    Seus comentários são incrivelmente precisos principlamente qdo descreve as condições de vida no Brasil e qdo correlaciona com a realidade na Italia.

    As info tbem são bem uteis.

    Obrigado

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