A notícia de um novo bistrô no teto de São Pedro divulgada inicialmente pelo jornal italiano Il Messaggero gerou bastante polêmica e repercussão na Itália. Apresentado pela jornalista Franca Giansoldati como um lugar onde saborear uma amatriciana divina com uma das vistas mais espetaculares de Roma, o artigo dizia que já estaria em andamento a criação de um pequeno restaurante no grande terraço acima da Basílica de São Pedro, numa área com vista ampla da cidade e bem próxima às estátuas dos apóstolos. O Vaticano respondeu. Leia o artigo para saber mais.

O que dizem que está sendo construído e onde ficaria

A hipótese era a de um espaço de “bistrô”, com cozinha e mesas, instalado no grande terraçamento que fica acima de São Pedro, praticamente diante das estátuas dos apóstolos.

O artigo sugeria que o local seria montado aproveitando alguns ambientes que, no passado, serviam para guardar materiais usados pelos “sampietrini”, os trabalhadores ligados à manutenção da basílica. É um ponto que, até pouco tempo, era inacessível ao público, o que reforça o impacto da ideia caso ela se concretize.

O que o Vaticano respondeu

Em um Comunicado Oficial, o Vaticano disse:

Não se trata de um bistrô no terraço da Basílica de São Pedro, mas apenas da ampliação do ponto de restauração já existente neste espaço acima da Basílica, no contexto de uma ampliação da área para acolher os numerosos peregrinos. O Escritório de Comunicação da Basílica intervém sobre as notícias divulgadas esta quinta-feira sobre a suposta abertura de um restaurante no terraço de São Pedro.
O Escritório esclarece que “para fazer face ao aumento do fluxo de visitantes, está sendo estudada uma ampliação da área do terraço que pode ser visitada pelos peregrinos”. Isso “permitiria aliviar a concentração de visitantes na Basílica e promover um clima de maior recolhimento”.
Nessa perspectiva – ressalta-se –, seriam disponibilizados alguns espaços onde seria possível ampliar a pequena ala de serviços já existente, com um estilo sóbrio e adequado ao contexto, respeitoso da sacralidade do local, que atende às necessidades dos peregrinos”.

O novo artigo do jornal Il Messaggero

Em um novo artigo publicado no jornal Il Messaggero no dia 30 de janeiro de 2026, vem à tona a divisão de opiniões dentro do Clero. Em um trecho da reportagem, Giansoladi escreve:

A ideia de ter grupos de turistas consumindo pizzas, sanduíches de presunto, massas e até spritz à sombra das estátuas gigantes dos apóstolos — literalmente sobre o túmulo do apóstolo Pedro — causa desconforto em parte significativa do clero vaticano. “Seria impensável algo assim no teto de uma sinagoga, no Muro das Lamentações, sobre a Caaba em Meca ou no terraço de Westminster”, comentou reservadamente um prelado.
O conflito reflete duas visões opostas: cardeais e bispos reformistas defendem uma Basílica mais moderna e acessível ao turismo de massa, não apenas para arrecadar fundos, mas para simbolizar uma “casa de portas abertas”. Já a ala tradicionalista insiste no máximo respeito pela sacralidade única deste local de culto, construído sobre o túmulo do apóstolo predileto de Cristo.

Enquanto isso a gente só está imaginando um dia que começa com uma visita aos Museus do Vaticano e Capela Sistina, seguida por uma subida até a cúpula do Vaticano e um almoço com vista para Roma. Já pensou?

Vista da cúpula da Basílica de S. Pedro
Vista da cúpula da Basílica de São Pedro

Provável inauguração na Páscoa de 2026

O projeto do novo bistrô ou ampliação do ponto de alimentação ou como você quiser chamar, teria sido pensado para entrar em operação durante o Jubileu, mas os prazos e outras prioridades teriam travado o cronograma.

Com o fim do Ano Santo e um cenário supostamente mais “tranquilo”, não se descarta que o plano ganhe forma em 2026, aproveitando um marco histórico: os 400 anos da consagração da basílica na estrutura atual, ocorrida em 18 de novembro de 1626, na cerimônia conduzida por Urbano VIII. É uma janela simbólica perfeita para inauguração, mas, de novo, isso aparece como expectativa, não como agenda oficial.

O novo artigo do jornal Il Messaggero diz: “ainda é impossível saber se os preços serão populares e acessíveis a todos, ou se serão ajustados à exclusividade do local. Tudo está em fase de elaboração, ainda levará algum tempo. Pela velocidade com que os operários estão trabalhando, é possível que já esteja funcionando na Páscoa. Com certeza o bistrô estará pronto para as celebrações do quadricentésimo aniversário da inauguração da basílica. Após mais de um século de obras, a antiquíssima basílica constantiniana foi demolida, e o novo edifício foi consagrado em 18 de novembro de 1626 por Urbano VIII.”

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O que já existe hoje no terraço e por que isso faz sentido para o turismo

Quem já subiu em direção ao “Cupolone” sabe que o terraço funciona como um ponto de passagem importante. No local, já existe um bar pequeno, logo após a saída do elevador, onde são vendidos café, bebidas e sorvetes.

A Piazza de San Pietro com a Basílica ao fundo
A Piazza de San Pietro com a Basílica ao fundo

No verão, com o calor forte, esse pit-stop costuma ser quase obrigatório antes de encarar mais escadas ou seguir com a visita. A ideia de ampliar a área de descanso e alimentação no terraço seria, segundo o texto-base, consequência direta do peso turístico crescente da basílica, cada vez mais pressionada por grandes fluxos de visitantes.

Entre a grandiosidade histórica e um almoço “suspenso” sobre Roma

O texto também lembra a solenidade da consagração de 1626, descrita como uma celebração imponente, com procissão, canto do Veni Creator e uma missa longa.

E reforça a dimensão simbólica do lugar: a basílica foi construída sobre a tumba do apóstolo Pedro, com menção ao achado do grafite “Petros Enì” nas escavações da necrópole vaticana, interpretado como indício da sepultura.

É justamente esse contraste que torna a notícia tão comentada: a basílica como lugar de culto e história, e, ao mesmo tempo, a possibilidade de um espaço de refeição em um dos mirantes mais privilegiados de Roma.

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Barbara Bueno - brasilnaitalia
Barbara Bueno é uma jornalista brasileira que mora em Florença desde março de 2005. Foi para a Toscana em busca das suas origens italianas. Em janeiro de 2007 criou o blog BRASIL NA ITALIA. Já trabalhou como content manager para a Regione Toscana, obteve habilitação como assistente turística e foi proprietária de agência de viagem na Italia (até chegar a pandemia...). Hoje se interessa por criptomoedas e voltou a fazer o que mais gosta: buscar novidades, visitar lugares interessantes e escrever! Se você tem uma dúvida sobre a Italia visite a seção Dúvidas sobre a Italia.

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