Eu adoro escrever em blogs. Tem gente que escreve por dinheiro, eu escrevo por escrever, uma necessidade interior de colocar para fora alguma coisa que faz parte de mim. Escrevo online desde 1997, mas atualmente este é o único blog ativo.

Quando decidi vir morar na Italia, no início de 2005, contei cada detalhe dos preparativos e cada pequeno acontecimento e sensação em um velho blog que era visitado exclusivamente por pessoas que eu conhecia na vida real. Me lembro que recebia dezenas de mensagens por semana – e não é exagero – de amigos que diziam que já estavam com saudades, outros programando um próximo encontro quando eu voltasse. Eram mensagens muito calorosas que foram importantíssimas para ajudar a quebrar um pouco a solidão e carência de um extrangeiro.

Um belo dia resolvi que eu não sou estrela de Hollywood e minha vida privada é privada, então resolvi fazer um blog para falar sobre vida na Italia, mas sem entrar tanto em questões pessoais. Queria poder dar algumas dicas para quem quisesse trilhar o mesmo percurso. Não sei se o blog é útil realmente para alguém, mas é util para mim, ajuda a me organizar e colocar meus pensamentos em ordem.

Passado e Presente: as amizades

Muitas coisas mudaram na minha vida. A primeira é em relação aquelas dezenas de amigos. Quando as pessoas do seu país de origem percebem que é cada vez mais distante a possibilidade que você volte a morar perto delas, existe um afastamento natural. Elas acabam te procurando menos. É ridículo dizer que não telefonam, por exemplo, porque custa caro. Até número de telefone brasileiro eu tenho, que aliás, foi o dinheiro mais inútil que eu já gastei. Além disso existe Skype alguns amigos tem o privilégio de não ter que se preocupar com conta de telefone (pelos mais diferentes motivos).

Eu também posso ligar para telefone fixo no Brasil gastando praticamente nada, mas o mais engraçado é que, tirando a família, eu não tenho mais para quem ligar! Outro dia, visto que ainda tinha mais de 24 horas para falar grátis até o dia seguinte porque estava vencendo o meu cartão (BT Dream Card) resolvi telefonar para uma velha amiga, amigona mesmo. Ela disse “alo”, eu me identifiquei, tudo bem, tudo bem, como você está, bem e você, e de repente não sabia o que dizer. Não tinha nada para contar, não sabia o que perguntar! Uma sensação estranhíssima. O telefonema durou menos de 2 minutos. Fico pensando se é simplesmente uma fase ou se depois de um tempo, a distância física vira distância em todos os sentidos.

As pessoas mudam ou você é quem muda?

Empolgação máxima: ano passado um grande amigo viria passar 4 meses pela Europa. Começaria trabalhando para um seu conhecido na Holanda por uns 2 meses e depois provavelmente iria para Londres estudar inglês. Nesse meio tempo passaria 10 dias aqui comigo. Que delícia, pensei, vamos fazer um “revival” dos velhos tempos. É bem verdade que antes da visita nós tínhamos passado mais de ano sem trocar um e-mail ou telefonema. Aqueles 10 dias foram um horror! Chegou aqui falando que em menos de 1 semana na Holanda percebeu que não tinha a menor intenção de aprender holandês, que não queria conhecer holandeses, que odiava tudo. Fiquei pensando: mas que cazzo ele foi fazer na Holanda então? Reclamou de tudo e de todos, foi antipático, fez cara feia para amigos meus italianos, pessoas que vieram especialmente conhece-lo e recebê-lo.
Uma amizade de 10 anos praticamente terminou! Vi uma pessoa frustrada, mesquinha, mal amada, com quem eu não tinha nada para dividir ou sobre o que falar! Como era possível se justamente antigamente me parecia a pessoa mais generosa, boa, querida do mundo? Novamente: será algo passageiro?

11 COMENTÁRIOS

  1. Olá,
    Entrei aqui pra te dizer que coloquei a resposta sobre o Logo, e encontrei este post um pouco saudosista. Estou na Itália há mais de 4 anos, mais do que você, e isso a mim não aconteceu, estou sempre mais próxima à minha família e aos meus grandes amigos. Me afastei (ou se afastaram de mim) aqueles que não eram tão chegados. Isso aconteça talvez porque eu volto para o Brasil todo ano, menos que isso não aguento, a saudade é grande demais. Você tem falicidade em fazer amigos na Itália? Meus maiores amigos são os de longa data… de infância, de colégio, portanto brasileiros. Abraço, entra lá pra ver a resposta e divulga. Adriana.

  2. Oi, gostei de seu blog. Vou morar na Italia e estou lendo tanta coisa, tantas experiencias. Na verdade, para mim, ja é uma forma de ir me preparando para O NOVO. Eu tenho medo de que meus amigos do Brasil se afastem. E me pergunto: quando eu voltar no Brasil como sera??? Acho que ate com a familia a sensaçao sera de estranhesa, pq nos nunca nos separamos. Mas é isso!!
    Parabens pelo Blog
    Abraços
    RapHaela

  3. Fala Adriana, fala Raphaela, tudo bem com vocês?
    Acho que na vida a gente só se afasta daquilo que não interessa. Não tem a ver com ir ou não para o Brasil; eu também fui no ano passado. Da minha família eu não me afasto de jeito nenhum.
    Mas daqueles papinhos da minha ex-rotina eu absolutamente não tenho mais paciência, não tem mais nada a ver. Aliás, talvez porque não me interessassem mais que eu tenha vindo para a Italia e por isso que eu esteja bem aqui.

  4. Olá, querida. Veja bem, eu morei no Brasil quase 11 anos e há um ano e meio abri um blog onde falo do meu Brasil… praticamente, sou a sua imagem revertida!
    Parabéns pelo blog e se quiser venha me visitar.
    Abraços
    Sandra

  5. Bom dia B!

    Desculpe a mensagem colada, mas é por uma boa cauda.

    Viemos aqui para te convidar para uma blogagem coletiva com o titulo:

    O que voce pode fazer para acabar com o analfabetismo no Brasil?

    Que acontecerá no próximo dia 18 de abril, dia Nacional do livro.

    O post convocatoria você pode ler no blog da Georgia (
    http://saia-justa-georgia.blogspot.com/) e no blog da Meiroca ( http://www.meiroca.com).
    Caso voce tenha algo a dizer a respeito, deixe um comentário no blog

    Georgia saia-justa-georgia.blogspot.com ou da Meiroca http://www.meiroca.com, para que possamos te incluir.
    Participe e divulgue em seu blog.

    Meire e Georgia

  6. oi!!!!por acaso navegando pela internet encontrei esse blog e achei super interessante.Como passei pela experiencia de viver na italia(3 anos)achei muito pertinente o que vc fala sobre os amigos.Tem 1 ano e pouquinho que voltei e passei e tenho
    passado por situaçoes inimaginàveis com relaçao aos meus amigos.Mas sabe o que eu acho mesmo?vc descobre outra cultura,aprende outra lingua,faz amigos lindos e certamente vc muda..evolui..o que infelizmente nao acontece com muito “desses amigos de toda uma vida” ai è inevitàvel o afastamento,atè porque eles acham que vc “tà metida””snob” enfim,sabe nè?basta dizer que aprecia um vinho tal,que nao deve colocar òleo na àgua para fazer a massa…e etc.jà viu…
    boa sorte pra vc e continua escrevendo sobre a italia..adorei
    eu tb tenho um blog..se quiser acessar è http://www.morrodesaopaulobyjam.blogspot.com

  7. OI,
    tava aqui pensando sobre essas questoes de amizade, e lembrei q vc ja tinha escrevi diversas coisas sobre isso, vim aqui ver. Me identifiquei bastante com este teu texto. Apos um tempo aqui, me dei conta q nao tinha um amigo de verdade no brasil. Mts pessoas q eu tinha relaçao cotidiana e considerava amigas, nunca nem me mandaram um email..Obviamente, fiquei mt chateada com isso, pois achava q eram pessoas q tinham alguma sentimento por mim, como eu havia por elas.
    Mas enfim, estou fazendo corso di italiano agora e conhecendo um pessoal, mas vejo mts impecilhos e alguns de dar ojeriza. Bom, acho q vou falar sobre isso qq dia no meu blog.
    bjkas

  8. Olá, estava passando por aqui e achei seu blog, ameiiiiiiii, vou me casar com um italiano e morar na Itália,estou lendo tudo a a respeito.
    Parabéns pelo seu blog e continue escrevendo tudo sobre a Italia.
    Beijos e fica na paz!!!

  9. Olá!!

    Adorei o seu texto e me identifiquei muito com ele, de fato o afastamento é inevitável quando existe uma distância física, porque morar fora do país abre tanto a nossa mente, que fica muito difícil compartilhar as mesmas idéias para quem não faz a menor idéia do que vivemos estando longe de casa, claro que há exceções, porque eu falo todos os dias com a minha melhor amiga e a nossa amizade não mudou absolutamente nada e muito pelo contrário está mais forte do que nunca. Parabéns pelo seu site!! Eu amoooooooo!!

    Att,

    Luciana Sousa
    http://www.jornadapelairlanda.blogspot.com

  10. OI Luciana,
    Gostei bastante do seu texto e já fui no seu site comentar. 🙂
    Bacana saber que servi de inspiração e que não fui a única a ter esse problema. Hoje em dia acho que é uma questão natural da vida se afastar. Em alguns casos não significa que o amor pelos antigos amigos não existe mais. Simplesmente ele está suspenso, esperando que a vida nos aproxime novamente.
    abraço pra vc,
    Barbara

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