Naquela tarde de inverno quando perambulava pela cidade, lembrei-me de que precisava de um novo par de sapatos com forração de lã, pois os dias frios assim o exijiam.

Numa loja de artigos masculinos, diriji-me à seção competente e logo “botei” os olhos num “mocassim” muito bonito, que ao lado de vários outros pares me chamou mais a atenção, talvez por estar junto a uma parede e coluna toda espelhada, onde os pares sobressaíam duplamente.

Ao me abaixar para pegar os mesmos, uma mão estranha se adiantou. Educadamente retirei a minha, ao que o cavalheiro ao meu lado tambem educadamente retirou. Voltei a me abaixar, e o referido senhor novamente voltou a disputar comigo o cobiçado par.

Nesse vai e vem de pega e não pega e já perdendo a esperança de alcançar o meu objetivo, levantei o corpo e dei-lhe a preferência. Quando o encarei, já meio irritado, notei que o mesmo não me era estranho. Ao fixá-lo melhor levei um grande susto, pois estava dialogando comigo mesmo.

A confusão se instalou em minha mente, e logo tomei consciência do que havia acontecido; tudo causado pelo grande espelho na parede.

Antes que houvesse mais alguma coisa de sobrenatural, agarrei o meu par de “mocassins”, não sem antes dar um forte tapa na mão do meu vizinho.

Diriji-me ao caixa e à seção de pacotes e na rua, abraçado aos meus sapatos, lembrava-me do grande susto que o “ESPELHO MÁGICO havia me passado.

Samuel Fernandes
São Paulo, 2004

2 COMENTÁRIOS

  1. Que susto,heim? Muito legal esse conto real e ao mesmo tempo fantástico! um beijo e tudo de bom!Chica

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