Comecei a ler um livro muito interessante que e chama Manifesto per la Felicità – Come passare dalla società del ben-avere a quella del ben-essere de Stefano Bartolini, que tive o prazer de conhecer ao vivo durante uma palestra no último Festival della Creatività aqui em Firenze.

O autor divide informações interessantes e preciosas. Segundo Bartolini, uma mudança de valores na sociedade moderna tem gerado pessoas mais inseguras, consumistas e infelizes. De acordo com um estudo americano sobre os valores nos Estados Unidos, a cultura do consumo é em expansão: em 1970 apenas 39% dos estudantes universitários americanos defendia que uma ótima situação econômica fosse o objetivo principal da vida. Em 1995, a percentual de estudantes subiu para 74%.

Ter dinheiro é uma coisa ruim?

Bartolini explica que uma condição econômica confortável é importante para a felicidade, mas o consumismo desenfreado não. O autor defende que os valores de consumo são associados a uma pior qualidade de relações com amigos e parceiros afetivos e isso deriva de uma tendência a considerar o outro como um objeto. Essas pessoas consumistas, em geral, tendem a ser menos generosas, cínicas e desconfiadas, menos dispostas a colaborar.

Além de ser associada a uma pior relação com o outro, a cultura do consumo gera também uma pior relação com si mesmo e consequentemente a uma pior auto-estima, auto-realização, vitalidade e autonomia.

O mundo nos empurra ao consumismo

“A publicidade, quando bem feita, faz as pessoas acreditarem que sem um produto são perdedores. As crianças e adolescentes são muito sensíveis a isso (…) o que abre uma vulnerabilidade emotiva. É muito fácil atingir os jovens porque são emotivamente mais vulneráveis” – explica a publicitária Nancy Shalek.

Os publicitários, aqueles que se ocupam de promover a venda de objetos materiais, são perfeitamente conscientes da importância das necessidades não materiais. Por isso, buscam persuadir os consumidores dizendo que comprar pode dar vantagens não materiais como amor, segurança e sucesso. A religião deles é não informar sobre produtos mas criar associações entre produtos e emoções positivas.

O consumo se tornou uma espécie de expressão individual: “compro, então existo”. A mensagem essencial desse tipo de mensagem é: “Se você se sente inseguro, inadequado, excluído, perdedor, você se sentirá melhor com o aumento do seu consumo.”

Outros tipos de solução a esse mal-estar poderiam funcionar melhor – como comprar menos para trabalhar menos e cuidar melhor das próprias relações – mas essa não é a mensagem sugerida pelo mundo da publicidade.

Certamente não é culpa exclusiva dos publicitários e pretendo voltar a falar sobre isso mais para frente. Por enquanto deixo essa mensagem para reflexão.

4 COMENTÁRIOS

  1. OI Leo,
    Eu me lembro deste seu artigo, eu até deixei um comentário na época. Será que um dia vamos saber? Vamos chegar perto da resposta?
    Será que vamos descobrir que no fundo somos personagens do joguinho de alguem? Como naquele filme com o Jim Carey, The Truman Show? 🙂
    Admito que esse pensamento as vezes passa pela minha cabeça…
    Obrigada pela dica do livro, vou anotar na minha lista de futuras leituras.

  2. E respondendo a pergunta do post, todo mundo precisa de algum dinheiro pra ser feliz, mas não muito. Acho que relações humanas de qualidade e o exercício intelectual (como a filosofia desse post, por exemplo) trazem muito mais felicidade que um celular moderno.

  3. As pessoas hj em dia procuram tanto a "receita da felicidade" que simplesmente se esquecem de serem felizes!

    O que me faz feliz? Encontro com família/amigos, dias ensolarados, cães, finais de semana e feriados, dançar, ouvir boas músicas, aprender algo novo, ect, etc, etc… claro q dinheiro traz um "plus" de felicidade, como comprar uma roupa nova, viagens, bom vinho, boa comida.

    O importante mesmo, é ser feliz com o que você tem!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here