Ontem rolou a inauguração de duas novas mostras na EX3, o Centro de Arte Contemporânea de Florença. Eu fui lá conferir, visto que tinha adorado a última exposição com a obra do brasileiro Ernesto Neto. A parte mais chocante e interessante da exposição era a instalação de Marzia Migliora. Chocante porque você entra em uma sala enorme (visualizem uma sala enoooorme) e encontra essa espécie de passarela em forma de cruz rodeada por pedaços de mármore branco. A primeira impressão é: “você está brincando que eu vim até aqui para ver um monte de pedra jogada em uma sala com alguns pedaços de lenho!”

O segundo passo é ler a explicação da obra na parede. Aí você descobre que a forma de cruz azul não tem nada a ver com religião, com o X de escolha que você usa para preencher formulários. Todas aquelas teorias que você formulou para tentar explicar o que via vão por água abaixo.

A obra, na verdade, representa um símbolo marítimo que obriga os marinheiros a “suspender imediatamente tudo aquilo que estão fazendo”. A linguagem do mar, visiva e oral, não admite ambiguidade ou atrasos. A ordem se transforma em necessidade. O tempo e a linguagem ganham sentido no confronto do homem com o destino, a natureza.E se tornam eternos, inevitáveis, sem autoritarismo, mas com autoridade.

Fica aí o conselho do dia: hora de suspender as atividades. Até a próxima!