Eu sempre gostei de arte, mas sempre achei que havia algo errado em alguns quadros. A moldura! Ela é necessária, mas alguns ficariam melhores sem elas, para quer suas paisagens impressas fiquem livres e transcendendo as bordas de tão belos panoramas. Isso é o que veio na minha cabeça, bem na curva de uma estrada do Sul da Itália, descendo em direção a Agnone. Uma fração litorânea da província de Montecorice, na Campania que apresento agora.

 

Agnone ao fundo: Se eu fosse fazer um quadro, não colocaria moldura.

Também de perto, já circulando em suas ruas, a beleza continua. Clima familiar, limpeza extrema, barzinhos aconchegantes no pequeno calçadão com poucas pessoas, poucas casas, pequenos prédios e todas essas construções de frente para um belo mar azul, transparente e circundado de montes verdes. Sem falar no clima quente que senti ao chegar não vendo a hora de me trocar e logo entrar no mar. Isso não demorou, e quando aconteceu, pude ver onde estava todo mundo!

No pulito calçadão, quase ninguém...
Já na spiaggia, quase sem lugar na sabbia, todos! Culpa do Sol também.

As características marcantes e diferentes da pequena praia ficam por conta da pequena extensão de areia de espessura grossa e cor mais escura, misturada a pequenas pedras que chegam a fazer cócegas e massagens nos pés, além de outras maiores que servem como acentos para se bronzear por inteiro. Já dentro d´água, os pequenos “quebra-mares” garantem banhos sossegados e sem ondas, além de ser ideal para curtos passeios a bordo de pequenos barcos.

Depois de dois dias frequentando as pedras, o bronzeado vem. Eu estava precisando!
Nas águas quentes, mansas e cristalinas fica até difícil para os peixes se esconderem.

Voltando ao asfalto da pequena riviera, o clima pacato e hospitaleiro convidava a curtir todos os pontos do lugar, como se por lá o tempo estivesse parado no melhor momento. Idem a uma inesquecível e bela cena de filme numa eterna pausa. E, por falar nisso, tive o privilégio de conhecer um local que resume tudo.

Do chão ao céu, o nome do cinema faz jus ao lugar onde se encontra.

Um cinema a céu aberto, nos moldes dos antigos e mais românticos, batizado com o mesmo nome do famoso clássico conterrâneo do cineasta Giuseppe Tornatore de 1988. Porém, este, diferente daquele da película filmada, não foi demolido. Continua lá gravando em sua memória, belas paisagens e histórias de quem passam por lá. Como eu mesmo fiz antes de partir para gravar algumas outras cenas, numa praia vizinha, sem me esquecer da pequena, e agradável, Agnone.

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Fernando Ferrari (fffernandoferrari@gmail.com) é brasileiro de nascimento, francês de cidadania e italiano de coração! Publicitário, escritor amador, mora em São Paulo, já esteve na Itália duas vezes e mantém o blog www.cabecatroncoetextos.blogspot.com Um dia pretende trabalhar e viver mais tempo por lá, mas enquanto não surge uma oportunidade, escreve para diminuir a saudade.