Existem vários elementos essenciais, a disposição do homem, para serem usados na composição de uma joia. Alguns de maior destaque, valor e fama. Caso do ouro, por exemplo, comunmente ligado a vitória. Da prata, que remete a uma conquista menor e até mesmo a perda daquela maior (ofuscando seu valor) e o bronze! Liga metálica, de cobre e estanho, que (acredite) pode ter valor maior que os dois primeiros. Se acha isso estranho é por que esqueceu de mais dois elementos primordiais na criação da joia: Dedicação e tempo!

Duas partes de um todo utilizadas também, e tão bem, por Callia. Escultor paulista (de formação artística) e engenheiro (da parte acadêmica), filho de italianos vindos de Polignano a Mare (província de Bari) neto do maestro Salvatore Callia e que assina seus trabalhos usando C. Callia. Abreviando seu primeiro nome com a terceira letra do alfabeto, de forma bem apropriada, assim como faz do terceiro metal mais popular (o bronze) sua matéria prima de maior importância na composição de suas obras. Para mim, um Midas modesto.

Ouro em bronze: Com seu toque, Claudio Callia valoriza obras!

Em seu DNA, Callia carrega uma carga que mistura elementos da medicina e engenharia (por parte dos pais) e dotes artísticos (vindos dos avós, como já citei, seu avô maestro, homenageado com nome de rua em sua cidade natal italiana e também no Brasil com nome de colégio em São Paulo). Desta forma, desde pequeno, Callia já seguia seu caminho usando as duas vertentes. Aprendendo a tocar música clássica no piano enquanto crescia e se formava em engenharia civil, tendo inclusive, patentes na área automotiva.

Em sua trajetória, também foi aluno do Colégio Dante Alighieri antes de se tornar artista e expor obras mundo afora. Anos mais tarde teve a chance de voltar ao Colégio, agora como convidado a participar de projetos na instituição em comemoração ao centenário do mesmo. Um orgulho e grande oportunidade de retornar a conhecida casa, desenvolvendo escultura que sempre esteve presente em sua vida, desde infância, graças a um contato com elas presentes na casa de seus familiares, feitas em bronze vindas da Itália.

Nuvens: Numa obra premiada, rosto da criança lembra outro que marcou sua infância na casa de familiares.

O artista menino cresceu e suas obras também. Hoje, as que recebem as pessoas na entrada principal do Dante, são gigantes e pesadas! Com mais de dois metros; pesando 350 quilos cada e imponentemente suspensas do chão, levaram quase dois anos para chegarem ali: Atenas e Kronos! Deuses da mitologia grega (ou Minerva e Saturno na Romana) que munidos de espada; elmo; coruja; escudo; ampulheta e foice (elementos carregados de significados) vão garantindo e defendendo os valores priorizados pelo Colégio.

Peças grandes que com dedicação; tempo e a ajuda da esposa, Callia foi construindo. Trabalho que exige cuidados especiais e que ocuparam, inicialmente, apenas suas manhãs. Mas que por conta dos diversos processos de fabricação (cerca de dez: Da modelagem em argila até chegar o bronze; usinar; transportar e instalar) exigiram as tardes, noites e até madrugadas! Onde o artista, ao som de música clássica no ateliê, num ritual para dialogar com a arte, se envolvia com ela sem deixar que ela tomasse, para si, a autoria.

Criador e criaturas: Atenas e Kronos, deuses nascidos por suas mãos!

Na Itália, Callia esteve em Firenze, Roma, Genova, Veneza entre outras cidades, respirando e estudando arte. E, ao que parece, essa inspiração foi inspiradora! Tanto que, certa vez, um especialista em arte definiu a sua como Neoclássica. Algo de se orgulhar e perceber que o passado pode caminhar em perfeita harmonia com o moderno. Sorte da escola, que conta com este privilégio e visão de seu presidente, Messina, que no passado foi aluno de música do Maestro Callia, lá mesmo no Dante e hoje vê mais um da família brilhar.   

Herança de família eternizada: Busto do avô maestro, feito por Eugenio Prati, está na sala da presidência.

Há um renascimento artístico no Dante. Unindo universo pedagógico a elementos da cultura italiana. Abrindo portas para aulas no ateliê, dadas pelo próprio Callia e criação de mais duas peças para lá. Mas o que mais vale é a emoção de ver um pai ser surpreendido por seu filho que diz: Pai! Tem um dedo meu ali! E este, antes duvidando, tem a confirmação do próprio artista que introduziu as marcas de dedos dos alunos em sua obra (ainda na fase argila) por crer que esta é a verdadeira joia! E vai da natureza do homem, valorizar isso.

Diálogo entre Deuses: Tempo voa. Sabedoria permanece (latim) mostra que a vida é fugaz mas a arte eterna!

Veja o vídeo da execução da obra.

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Fernando Ferrari (fffernandoferrari@gmail.com) é brasileiro de nascimento, francês de cidadania e italiano de coração! Publicitário, escritor amador, mora em São Paulo, já esteve na Itália duas vezes e mantém o blog www.cabecatroncoetextos.blogspot.com Um dia pretende trabalhar e viver mais tempo por lá, mas enquanto não surge uma oportunidade, escreve para diminuir a saudade.
www.facebook.com/fffernandoferrari

4 COMENTÁRIOS

  1. Adorei conhecer seu trabalho, também o trabalho deste artista e com certeza vou me tornar leitora assídua de sua página.
    Abraços,Dolores

  2. Olá Dolores!

    Agradeço suas palavras, continue acompanhando o site Brasil na Itália e recomende aos amigos!

    Obrigado, grazie, arrivederce e até a próxima!

    FF

  3. Gostei muito do seu site.Vou estar sempre por aqui.Conheço o artista C.Callia,sou fã de seu trabalho .

    Abraços

    Vera Spera

  4. Olá Claudio, tudo bem?
    Lembra de mim? Compartilhamos aulas no Dado a MUITO tempo atras! rs
    bjos

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