Ao compartilhar nossas experiências, servimos de inspiração para outros brasileiros, podemos ajudar a abrir caminhos, criar novas estradas e quem sabe colaborar para um mundo melhor. É por isso que publico com prazer as dicas de Maryá C. Rabelo Lanza. O texto começa com uma apresentação do currículo e experiência direta dela até chegar aquelas respostas as famosas perguntas: “O que precisa para tentar um doutorado na Italia” e “Como funciona o doutorado na Italia”. Espero que aproveitem
Quem é você? Idade, onde nasceu, em que cidade morava no Brasil, qual era o seu grau de instrução até vir para a Itália, onde estudou…

Meu nome é Maryá C. Rabelo Lanza, tenho 30 anos, casada e sou natural de Cruzeiro,SP. Sou formada em Bacharelado de Geografia pela Universidade Federal de Juiz de Fora e Mestrado em Ciência e Tecnologia Ambiental pela Universidade Federal do ABC, São Paulo.
Realizei estágios durante a graduação na Embrapa Gado de Leite de Juiz de Fora, atuando em estudos de Áreas preservadas permanentes e análises para produção de leite com o uso dos Sistemas de Informação Geográfica no setor do Centro de Inteligência do Leite (CILeite) em 2011-2012.
Também fiz estágio no Centro Nacional de Monitoramento de Alertas e Desastres Naturais-(INPE-Cemaden\MCIT) com as equipes da sala de situação de alertas de chuvas em 24 horas, atuando com mapeamento e geoprocessamento aplicados a áreas de risco no país no aspecto da agricultura.
E realizei uma graduação sanduíche no Politecnico de Torino, Itália, sendo aprovada com uma bolsa da Capes pelo Programa Ciências Sem Fronteiras (09/2012-08/2013).

Também fiz um estágio no ITHACA de Torino, Itália participando do projeto de pesquisa de mapeamento de infraestrutura para prevenção de desastres naturais como terremotos. E trabalhei no laboratório da Ibm Research, SP em projeto para criação de um SIG com mapeamento para a produção agrícola (no caso, café) através do sensoriamento remoto.
Tenho experiência na área de Geociências, com ênfase em geoprocessamento, sensoriamento remoto, climatologia geográfica e agrometeorologia.
A chegada na Itália..
Quando cheguei na Itália em 2016, já tinha uma bagagem de experiência na minha área, e também já tinha uma boa base de italiano, por ter estudado durante 1 ano da Laurea Magistrale de Engenharia Ambiental no Politecnico di Torino.
Mal sabia que onde realizei meu estágio durante o intercâmbio era um dos Centros de pesquisas mais importantes da Itália, sendo referência na área de sensoriamento remoto, acredito que isso foi uma referência para o meu cv.
Mas independentemente disso, se queremos continuar a carreira no exterior, devemos tentar um trabalho na nossa área e não desistir. Enviei meus currículos para vários Centros de Pesquisa na Toscana, rapidamente obtive uma resposta para realizar uma entrevista no Instituto de Biometeorologia-CNR (que é um Instituto parte do Conselho Nacional de Pesquisa Italiana).

IBIMET-CNR (Firenze).
Logo, iniciei um trainning de 2 meses no Instituto de Biometeorologia de Florença e depois me contrataram com uma bolsa para um projeto de desenvolvimento sustentável na África que era todo na língua francesa.
Eu não era fluente em francês, se fosse teria participado da missão a campo na África, perdi essa oportunidade, quem sabe um dia saberei bem francês também, por isso é importante estudar línguas se vem morar pra cá, e assim trabalhei fazendo os mapeamentos em francês do sistema de arroz em 27 Vales Senegaleses a partir de imagens de satélites.
Por que você decidiu estudar na Itália?
O projeto no Ibimet tinha duração de 1 ano, e como não é normal na Itália uma pessoa sem o Phd trabalhar em Centros de Pesquisas, me deram uma carta de referência e me aconselharam a fazer um doutorado. Posteriormente, fui a procura de trabalho na minha área, antes de continuar essa longa jornada de estudos acadêmicos.
Não encontrava nada como empresa privada em Firenze, o comércio é muito maior na oferta de empregos devido ao turismo. Devido a isso, é mais fácil para todos recém-chegados arrumar um emprego em restaurantes, lojas e hotéis mas insisti nisso, prestei um concurso público do Ministério de Políticas Agrícolas, que foi uma seleção através de curriculum e entrevista. Na entrevista final, tinham 15 pessoas e eram 2 vagas para um trabalho na Confederação de Agricultores Italianos (CIA), sendo todos ali italianos mas me aprovaram em segundo lugar, conseguindo assim um trabalho para dar consultoria de legislação ambiental para financiamento de empresas agrícolas(agriturismo, fazendas, etc).
O trabalho era numa sede em Firenze mas fazia a parte de formação na sede em Roma, nunca tinha trabalhado com a parte de legislação, ainda mais desse mundo europeu mas tudo se dedicarmos, aprendemos.
Foi muito interessante para aprender todo o sistema de desenvolvimento rural da Europa e na Itália (a famosa PAC 2020 – Política Agrícola Comum que está para ser atualizada) e mais ainda treinar a língua italiana, já que tinham várias reuniões com os proprietários de fazendas e devido a ter que interpretar leis internacionais, nacionais e regionais, ao qual a Itália tem uma burocracia imensa de leis
E nessa CIA tem pessoas sensacionais, me sentia como se estivesse trabalhando em algum lugar no Brasil, fora os almoços de trabalho e jantares com vinhos Brunello de Montalcino free e outras comidas artesanais feitas pela marca dessas fazendas era um ambiente muito bom. Mas chegou o momento em que percebi que queria seguir mesmo era a carreira de pesquisa científica, e foi onde tudo começou, me inscrevi no concurso de Doutorado em Agronomia, me preparei estudando e escrevendo um projeto, no fim fui aprovada no Phd da Universidade de Pisa.

Atualmente, trabalho na Universidade de Pisa como doutoranda e participo de diversos projetos relacionados com a agricultura, uso de drone e análises ambientais em laboratório. E assim, posso contar um pouco pra vocês como faz para iniciar um Doutorado na Itália.
Informações: Concurso público de Doutorado na Itália
Na Itália, no doutorado já consideram o doutorando como um pesquisador júnior, o qual percorrerá durante 3 anos a carreira acadêmica. Praticamente em todos os Dourados da Europa é necessário uma carta de referência de 2 professores pesquisadores por quem já foi orientado / trabalhou junto em projetos. .
Para se candidatar em uma das bolsas de doutorado na Itália é necessário ter um diploma de laurea (a Graduação Brasileira) e o mestrado brasileiro, que consideram na Itália como uma Laurea Magistrale.
O que precisa fazer para tentar um Doutorado?
Primeira fase:
- A convalidação dos títulos de estudos através do Consulado Italiano no Brasil, para obter a Dichiarazione di valore.
- Fluência na língua inglesa e italiana
- Projeto de pesquisa deve ser apresentado em inglês na maioria dos casos, e em casos específicos em italiano (cerca de 20 mil caracteres com espaços). No projeto, deve revelar os interesses científicos do candidato e sua coesão com as diretrizes científicas promovidas pelo edital da Universidade Italiana. No entanto, o projeto não será um fator determinante na futura decisão sobre o tema da tese do aluno. É fundamental, porém, que nele o candidato demonstre consciência sobre o estado da arte do campo científico escolhido e competência em relação aos métodos de pesquisa em uso na disciplina. Também é necessário apresentar uma referência bibliográfica adequada.
- Análise do curriculum
- Publicação de artigo ciêntifico em Revistas Ciêntíficas ou em Congressos.
- Certificado dos estágios e experiência na área profissional
- Apresentação na inscrição da dissertação da graduação e do mestrado
- Analisam também o histórico do ensino superior, tendo mais chances em passar na primeira fase, quem tem uma média com nota final alta. Na Itália, consideram os alunos geralmente formados com voto em lode, que é o nosso 10 ou 100.
Segunda fase:
- Exame escrito
Terceira fase:
- Exame oral (tendo um tema geral e específico referido no edital do ano, e deve dar suas argumentações sobre o seu projeto de pesquisa)
- A competência, o talento, a motivação e a inclinação do candidato para a investigação científica serão avaliados com base nas qualificações demonstradas, no projeto de pesquisa e no desempenho na entrevista. Serão entrevistados somente aqueles que superarem a primeira etapa da seleção.
- Depois vem a bela saga de se deparar com um auditório com todos os seus concorrentes ali presentes e aquela cadeirinha mítica na frente de uma banca de 6 professores para você se sentar e realizar a entrevista, Não há exigência de prova de proficiência, mas você precisa comprovar inglês fluente nas entrevistas de admissão, que serão realizadas em inglês ou italiano dependendo da língua do seu curso.
Como funciona o Doutorado na Itália?
Todos os cursos começam em novembro e são em inglês, com exceção do doutorado em alguns cursos de humanas que pode ser realizado em língua italiana.
Durante o curso de doutorado, terá como atividade aulas, seminários, laboratório, pesquisa em campo e apresentação de artigo em Congressos no exterior ou na própria Itália, o qual nesse último item, recebemos um auxílio para as despesas do hotel, alimentação e viagem.
Os doutorandos bolsistas também recebem um incentivo para desenvolver parte da pesquisa em outro país em um Instituto de pesquisa reconhecido ou outra Universidade, podendo realizar em um período de 6 a 18 meses, recebendo um valor que varia em volta de 1.700-2.000 euros por mês e havendo a passagem aérea, seguro saúde tudo pago pela Universidade.
em alguns cursos de doutorado, pelo menos uma das vagas é destinada a candidatos que fizeram mestrado em uma universidade não italiana, ou seja, na maior parte dos casos, estrangeiros.
Algumas das vagas disponíveis podem ser voltadas a tópicos de pesquisa específicos. Por isso, quem se candidatar a essas vagas precisa possuir as habilidades adequadas para ser aprovado.
As bolsas de doutorado na Itália são pagas em 12 parcelas mensais sujeitas ao cumprimento dos deveres acadêmicos por parte dos doutorandos e tem uma taxa de imposto que já é retido todo mês pela Universidade, sendo um contribuinte ao INPS.
É possível em alguns casos, dependendo se a Universidade tem alojamento, morar na residência Universitária, como por exemplo, a Universidade de Bologna fornece o alojamento. No programa também estão incluídas refeições nas instalações da Universidade durante todo o período do curso, pagando uma taxa miníma de acordo com a renda do doutorando.
Todo ano tem a qualificação da tese, no I ano deve apresentar o projeto para a comissão de doutorado e a coordenação, sendo avaliada por eles, podendo ser expulso(a) o doutorando(a) que não manteve nos requisitos exigidos pelo programa de Doutorado. Depois, se qualifica no II ano e no III ano deve fazer a defesa da tese. No final do curso, desde que todas as devidas obrigações tenham sido cumpridas, o doutorando alcança o título de Philosophy doctor (PhD) ,e feito tudo em inglês, é considerado um European Scientist.
Marya Rabelo
PhD student Department of Agriculture, Food and Environment
Contatos: Linkedin e Instagram
—-
Obrigada Maryá por colaborar com a nossa comunidade de brasileiros sempre em busca de preciosas informações para construir um futuro melhor.
Se você tiver interesse em contar a sua história escreva para brasilnaitalia@gmail.com ! Você pode ajudar outros brasileiros que desejam estudar na Itália a realizar um sonho.
Gostou da dica? Reservando através dos nossos links você apoia o Brasil na Italia e nos ajuda a continuar compartilhando conteúdos como este – sem pagar nada a mais por isso.
RESERVE SUA ACOMODAÇÃO AGORA
Você encontra as melhores ofertas e ainda colabora com o nosso site. Obrigada!
GETYOURGUIDE: RESERVE TRANSFERS E TOURS ONLINE
Reserve transfers, tours e excursões na Italia e no mundo com a nossa parceira Get Your Guide


