Quando o italiano Kimi Antonelli cruzou a linha de chegada em primeiro lugar no Autódromo Nacional de Monza, em 6 de setembro de 2026, o circuito já vivia um fim de semana histórico também fora da pista. O Grande Prêmio da Itália superou pela primeira vez a marca de 400 mil presenças e confirmou a força dos grandes eventos como motores do turismo.
O efeito não ficou restrito às arquibancadas. Hotéis, restaurantes, lojas, transportes e cidades situadas a dezenas de quilômetros do autódromo entraram na mesma engrenagem. A estimativa é de um impacto econômico de 207,8 milhões de euros em toda a Lombardia.
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Um recorde de 403.666 presenças em três dias
De acordo com o balanço divulgado pelo Comune di Monza, o GP da Itália de 2026 registrou 403.666 presenças entre sexta-feira e domingo. Em 2025, foram 369.041. O avanço foi, portanto, de aproximadamente 9,4% em apenas um ano.

Há uma distinção importante: “presenças” são os acessos acumulados ao longo dos três dias, e não necessariamente 403.666 pessoas diferentes. Um torcedor com ingresso para todo o fim de semana pode entrar na contagem em mais de um dia. Ainda assim, o número traduz a dimensão logística e turística do evento — e a necessidade de acomodar, alimentar e transportar uma multidão.
O caráter internacional chama ainda mais atenção. Segundo os dados apresentados pela Região Lombardia, 64% do público veio do exterior, com visitantes de 69 países. Alemanha, Suíça, Reino Unido, Polônia e França aparecem entre as principais origens. Durante alguns dias, Monza deixa de ser apenas uma cidade da Brianza e se transforma em ponto de encontro global.
Onde são gastos os 207,8 milhões de euros
O estudo da Confcommercio Milano Lodi Monza Brianza estimou para a edição de 2026 um impacto econômico de 207,8 milhões de euros, 7,9% acima do valor calculado para 2025.
| Setor | Impacto estimado | Participação |
|---|---|---|
| Hospedagem | € 68,6 milhões | 33% |
| Compras | € 62,2 milhões | 30% |
| Restaurantes e alimentação | € 33,2 milhões | 16% |
| Ingressos | € 31,2 milhões | 15% |
| Transportes e estacionamentos | € 12,5 milhões | 6% |
Hospedagem, compras e alimentação somam 164 milhões de euros, quase 80% do total. É aí que se percebe, de forma concreta, como um evento esportivo transborda para a economia do destino: a corrida dura algumas horas, mas a viagem inclui diárias de hotel, refeições, deslocamentos e compras.
Vale observar que os 207,8 milhões representam uma estimativa de impacto, e não um balanço final auditado de todas as vendas realizadas durante o fim de semana. A projeção da Confcommercio foi publicada antes da corrida, quando eram esperados mais de 365 mil visitantes. A frequência efetivamente registrada terminou acima dessa previsão.
O GP de Monza movimenta muito mais do que Monza
A distribuição territorial do impacto ajuda a entender a lógica de uma viagem para um megaevento. Monza e Brianza concentram a maior parcela, mas não possuem sozinhas toda a oferta de hospedagem, transporte e lazer procurada por um público tão numeroso.
| Território | Impacto estimado |
|---|---|
| Monza e Brianza | € 106,4 milhões |
| Milão e Cidade Metropolitana | € 63,2 milhões |
| Província de Como | € 22,5 milhões |
| Província de Lecco | € 6,7 milhões |
| Outras províncias lombardas | Cerca de € 9 milhões |
Na prática, o visitante pode desembarcar em Milão, dormir na capital lombarda ou na Brianza, acompanhar a corrida em Monza e reservar mais um dia para conhecer o Lago de Como. Para quem deseja prolongar a viagem, o Brasil na Italia reúne ideias de passeios saindo de Milão e um guia para fazer um passeio de barco no Lago de Como.
Esse raio econômico regional é uma das grandes vantagens dos eventos com público internacional. Eles funcionam como porta de entrada: a motivação inicial é a Fórmula 1, mas o gasto e a experiência podem se espalhar por diferentes destinos.
FuoriGP: quando a experiência sai do autódromo
Monza tentou transformar o fluxo de torcedores em vida urbana com o FuoriGP. Entre 3 e 6 de setembro, praças e ruas receberam concertos, exposições, conversas, gastronomia e experiências ligadas ao automobilismo. A programação também alcançou municípios da Brianza, como Vedano al Lambro, Biassono, Lesmo, Arcore, Villasanta, Lissone e Macherio.
O balanço do FuoriGP publicado pelo Comune di Monza estimou 122 mil presenças nas quatro jornadas, quase o dobro das 62 mil de 2025. Os cinco pontos de informação turística atenderam 12.378 pessoas, e 494 visitantes participaram de 17 visitas guiadas em italiano, inglês e francês.
Esse é um detalhe decisivo. Quando a programação termina no portão do circuito, boa parte do público passa pela cidade apenas para chegar e ir embora. Quando o evento ocupa praças, envolve comércio e oferece experiências culturais, o visitante ganha razões para circular, consumir e criar uma lembrança do lugar — não apenas da prova.
De público do evento a turista que retorna
Os números de 2026 mostram três caminhos pelos quais grandes eventos colaboram com o turismo. O primeiro é imediato: eles concentram demanda por hotéis, restaurantes, lojas e mobilidade. O segundo é geográfico: quando a cidade-sede atinge seu limite, os benefícios alcançam destinos vizinhos. O terceiro é de imagem: uma transmissão mundial coloca o nome e as paisagens do território diante de pessoas que talvez nunca tivessem pensado em visitá-lo.
O desafio começa depois da bandeirada. Para deixar um legado turístico duradouro, Monza e a Lombardia precisam converter parte desses torcedores em futuros viajantes, com roteiros fáceis de combinar, transporte eficiente, informação em vários idiomas e atrações capazes de distribuir o público além dos dias da corrida.
Também é necessário administrar os efeitos colaterais de qualquer megaevento: trânsito, pressão sobre os serviços, alta temporária dos preços e concentração de visitantes. Os mais de 65 mil passageiros transportados pelos ônibus de ligação entre a estação de Monza e o parque, informados pelo município, mostram a importância de planejar a mobilidade como parte da experiência turística.
O GP da Itália de 2026 deixa uma conclusão clara: um grande evento não vende apenas ingressos. Bem integrado ao território, ele vende estadias, refeições, passeios e, sobretudo, a possibilidade de uma nova viagem. Para informações práticas sobre o circuito e a compra de bilhetes, consulte também o nosso artigo sobre o GP de Fórmula 1 em Monza.
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