Nada mais estimulante para ir atrás dos nossos sonhos do que ouvir as histórias de quem foi, fez, realizou e continua realizando. BRASIL NA ITALIA tem a intenção de publicar aqui, preferencialmente às terças feiras, o depoimento de brasileiros que vieram a Itália a fim de estudar e investir na carreira. Hoje o tema é doutorado e agradeço a gentilíssima disponibilidade de Leonardo Fernandes, o entrevistado da semana. 🙂
1) Quem é você? Idade, onde nasceu, em que cidade morava no Brasil, qual era o seu grau de instrução até vir para a Itália, onde estudou…
Leonardo Fernandes, 30 anos, natural de Rio Grande, RS. Fiz a universidade de engenharia de computação na minha cidade, na FURG (Fundação Universidade Federal de Rio Grande) e o Mestrado em Ciência da Computação na Unicamp, em Campinas-SP.

2) Por que você decidiu estudar na Itália?
Eu não decidi especificamente estudar na Itália. Eu sempre quis morar fora, conhecer culturas diferentes. A Europa em particular me atraía pela existência de tantas culturas e idiomas diferentes em uma área relativamente pequena.

3) Como fez para descobrir o curso que segue atualmente?
Bom, na verdade eu comecei um doutorado em Lugano, na parte da Suiça que fala Italiano. Descobri o curso em Lugano através de um professor da minha cidade que trabalha lá. Me inscrevi e fui aceito para trabalhar com uma outra professora, americana. Depois de um ano estudando em Lugano, essa professora, minha orientadora, se transferiu para Trento, na Itália e me convidou para vir fazer o doutorado aqui na Universidade de Trento para seguir sendo orientado por ela. E aqui estou.

4) O que foi necessário para se inscrever no curso? Documentos, provas, etc.
Foi necessário ter traduções oficiais e reconhecimento por parte do consulado italiano de todos os diplomas. Uma coisa que me chateou bastante foi que só o consulado local pode reconhecer o diploma. Por exemplo, eu não pude reconhecer o diploma da Unicamp no consulado italiano de Porto Alegre e tive que ir até São Paulo só para reconhecê-lo. Além disso, são necessárias cartas de recomendação de professores e uma carta pessoal falando sobre os objetivos do doutorado, além de um currículo contendo a experiência acadêmica e profissional do candiddato, lista de publicações científicas e um resumo da dissertação do mestrado. Também é um requisito o domínio do inglês, que é a língua “oficial” do doutorado.

5) Quanto custa o curso?
É gratuito. Paga-se apenas uma taxa simbólica anual.

6) Você conseguiu bolsa de estudos? Se sim, o que teve que fazer?
Sim. Na área de informática todos os alunos aceitos no doutorado automaticamente recebem bolsa. O valor atual da bolsa gira em torno de 1000 Euros mensais.

7) Estudar e trabalhar ao mesmo tempo é possível?
Teoricamente sim. O “permesso di soggiorno” para estudar dá o direito a trabalhar em tempo parcial. Na prática, nenhum dos meus colegas trabalha. Em primeiro lugar porque não sobra muito tempo para isso, e em segundo lugar porque a bolsa permite a um estudante que more sozinho viver razoavelmente bem.

8) Existem diferenças entre o método de ensino brasileiro e o italiano?
Neste nível eu acho que as diferenças diminuem muito, pois muitos dos professores, tanto italianos quanto brasileiros já tiveram experiências como doutorado no exterior, tendendo a homogeneizar os métodos. Além disso, muitos dos professores que nos dão aulas não são italianos. Na infra estrutura e nas possibilidade de financiamento de projetos sim, se nota um pouco mais a diferença em favor das universidades européias.

9) Depois que o curso terminar você pretende continuar na Itália ou voltar para o Brasil?
Se dependesse de mim, eu gostaria de ir morar na França ou na Espanha. Tenho essa característica de querer conhecer realidades diferentes. Mas depende mais das oportunidades profissionais que surgirem do que de mim.

10)Qual era o seu nível de italiano antes de iniciar o curso? Era suficiente para acompanhar as aulas?
Todas as aulas são em Inglês. Eu tinha um nível muito bom de inglês. O italiano, quando eu fui para Lugano era o básico, mas em um ano já se aprende bastante. É mais fácil para nós brasileiros que para meus colegas de outros países. É mais fácil, mas ainda assim requer esforço. Conheço brasileiros que falam muito bem e brasileiros que falam muito mal.
11)Se você pudesse dar um conselho para quem deseja seguir o mesmo caminho que você, qual seria?
Estude muito. Aprenda inglês. Faça contato com professores que trabalhem com assuntos do seu interesse na universidade em que deseja se inscrever bem antes de iniciar o processo de inscrição. Se houver um professor interessado em trabalhar com você já é meio caminho andado para ser aceito.

12)Qual foi a maior dificuldade que você passou?
Esperar quase um ano para receber um “permesso di soggiorno” que venceu um mês depois do dia em que o recebi e ter que entrar na fila do permesso de novo…

13)Qual foi o momento mais bacana e inesquecível?
São vários. Posso citar dois, um reveillon em uma estação de esqui na casa de um colega na Suiça e minha viagem a Roma. Das cidades italianas que conheci até agora, Roma é a que mais me agrada.

14)Você possui algum site/blog que gostaria de divulgar?
Sim, meu blog é http://leonardofernandes.blogspot.com/

15)Espaço livre para você contar o que quiser sobre estudar na Itália.
Estudar na Itália, ou no exterior em geral, na minha opinião é uma experiência recompensadora. Nos faz abrir os horizontes. Conhecer muitas coisas diferentes. Nos faz até mesmo valorizar mais o Brasil. Eu recomendo para qualquer pessoa que tenha oportunidade, de morar no exterior por um tempo. Vale muito a pena.
Se você tiver interesse em contar a sua história escreva para brasilnaitalia@gmail.com ! Você pode ajudar outros brasileiros que desejam estudar na Itália a realizar um sonho.

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6 COMENTÁRIOS

  1. Olá, boa noite.

    Meu nome é Ruth. Moro em Cuiabá-MT.

    Há muito estou curiosa p/ saber como se deve agir p/ estudar na Itália – especificamente p/ fazer doutorado.

    Recordo que em 2003 eu tentei; cheguei a enviar emails a algumas universidades de lá, mas infelizmente, por conta de meus compromissos aqui no Brasil e falta de meios em me dedicar às línguas, acabei suspendendo o sonho.

    Agora que li a entrevista acima, depois de fazer buscas em sites que me esclarecessem a respeito dessa idéia que ainda não abandonei, confesso que tudo ficou muito claro p/ mim. E, mesmo sem saber disso, já havia mantido contato c/ minha profª de inglês p/ reforço e atualização, prática etc., como também, mantive contato c/ outra profª p/ aprendizagem do mínimo da linguagem italiana.

    Verifico, pela entrevista acima, que possuo sim condições de tentar esse meu objetivo: cursar o doutorado em Direito Criminal (c/ enfoque no tema índole criminosa), p/ dar continuidade ao trabalho de curso da faculdade.

    Só fiquei c/ uma dúvida: sou mestre pela Universidade Federal de Mato Grosso, mas na área de estudos lingüísticos (ainda que c/ tema em discurso criminal); será que isso dificulta o acesso ao curso lá?

    Se alguém aí puder fazer esse esclarecimento ficarei eternamente grata.

    Grande abr e obrigada,

    Ruth Dourado
    (email: ruthdourado@terra.com.br; ruthdourado@yahoo.com.br; ruthdourado@gmail.com; ruthdourado@hotmail.com)

  2. Oi Ruth, sou o Leonardo, entrevistado deste post. Vou te mandar um email para o teu gmail tentando responder tua dúvida ok? Mas já adianto que acho que tens tudo para conseguir estudar aqui sim. Abraço.

  3. Olá! boa noite, meu nome é Aryanna e gostaria de parabeniza-lo por essa entrevista muito esclarecedora para pessoas como eu que tem interesses de estudar no exterior.

    Só tenho uma dúvida se você puder me esclarece-la eu agradeço, sou formada em biomédica por uma universidade particular aqui da minha cidade, mas sou especialista na área de micologia (fungos)pela Universidade Federal de Pernambuco e mestre em ciências da saúde pela Universidade Federal de Alagoas, como já deu para notar desenvolvo pesquisas na área da saúde e minha dúvida é se nas universidades italianas não tem oportunidade de Doutorado nessa área, pois só vejo pessoas fazendo doutorado na área de humanas ou exatas.

    Desde já obrigada!
    Aryanna, Maceió-Al
    (aryanakelly@gmail.com)

  4. Oi, o meu nome é marcos moro na europa a 20 anos. Para comecar você sabe qual é a dificuldade para reconhecer o teu curso nas universidades brasileiras. Estou temtado isso no BR. Voce ja se imformou a respeito da revalidação do teu específico diploma, mestrado ou Phd no BR. Se prepara para ficar por aí!
    Sou formado em História contemporanea com uma Tesi sobre a imigração Italiana no Brasil.
    O meu curso seria comparavél com um mestrado em dificuldade e tempo de estudos (na média demora 8 anos para terminar), as universidades brasileiras não os reconhecem porque estruturado oficialmente em 4 anos com 21 exames mais ˝Tesi di Laurea˝ que ninguén termina em menos de 6 anos. Eu estudei na PUC-SP por dois anos e meio abandonei por questoes economicas. Na EU eu tive que estudar muito mais duro, não tinha muito tempo livre para trabalhar ou me divertir.
    Não esperem que centros de conhecimento sejam profumdos no analizar um currículo de uma universidade estrangeira. Elas são muitas e em diferentes linguas e sistema. eles pedem que os documentos sejam reconhecidos no Consulado Brasileiro (No caso italiano em Milão é o mais próximo) quatrocentos 400KM de Trieste e depois, seren traduzidos para o Portugues $$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$ e emtregues nas Universidades Públicas Brasileiras que tenha o mesmo curso, Certas Universidades escluen a priori certos cursos de certos paises Na Unesp o sistema de laurea ou mestrado Frances, Belga e Italiana( eu nunca ouvi falar muito mal desses sistemas de ensino). Na Unicamp os Fraceses serão bem vistos se são científicos por um acordo bi-lateral.
    Se você gosta de matérias Humanística como Historia e Geografia, fale bem uma segunda e uma terceira lingua (fiz projeto Erasmus na Espanha e moro na Inglaterra a 15 anos) o Brasil não está interessado em você.
    Não reclame se aí eles te tratarem do mesmo jeito, a base das relações internacionais e a reciprocidade e os meus ex-professores Italianos sabem como as universidades públicas brasileiras nôs estão tratando quando retornamos ao BR.
    Eu gostaria de reconhecer o meu diploma Universitário Italiano na PUC-SP almenos eu sei que alguém alí fala o Italiano. Eles reconheceran 5 exames que eu fiz no meu velho curso de geografia naquela instituição e elogiaram a bibliografia estudada.
    pizzigna@hotmail.com

  5. Gostei da entrevista do Leonardo e de suas respostas francas e incentivadoras.Alias, gostei particularmente do que disse em relação a conhecer culturas diferentes, pois esse é o meu desejo. Sou advogada, e desejo fazer doutorado na Italia, Roma. Infelizmente ainda não tenho influencia no ingles, o que irá dificultar minha ida imediata. Mas com a entrevista do Leonardo, vi que não é impossivel, basta me esforçar! Obrigada Leonardo, sucesso na vida!

  6. Leonardo, sou mestrando de computação da UFRGS (entrei no início deste ano) e pretendo fazer meu doutorado na Catânia. Se tiver como, gostaria de trocar umas ideias com você, ainda por cima que você também é da computação. Meu e-mail é azulunifei@gmail.com.

    Obrigado. Abraços.

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