Foi decepcionante a presença brasileira no Festival della Creatività que aconteceu em Firenze final de semana passado. De um lado, é positivo que o Brasil decida investir em divulgar os seus tesouros para o mundo. O problema é como fazer essa divulgação. Oras, uma pessoa que vai a um evento chamado “Festival della Creatività” espera encontrar coisas criativas, certo? Ao invés disso me deparei com um espaço meio morto, quase sem vida. Talvez tenha sido azar: eu estive lá na quinta-feira à tarde e na sexta-feira pela manhã e as coisas pareciam pela metade. Quer dizer, a intenção deste festival é criar coisas na frente do público, mas os únicos que estavam criando alguma coisa eram dois grafiteiros paulistanos, que escolheram um muro em frente a uma espécie de corredor da risada.

Esse corredor da risada era interessante. Ele estava no meio do caminho entre um pavilhão e outro. Quando você passava, escutava uma risada daquelas boas, que te deixa curioso para saber: “mas do que eles estão rindo?”. A risada vinha de uma tenda branca fechada. E você se aproximava para ver o que é que estava escondido lá dentro. Dentro não tinha nada para ver. A idéia era justamente essa: fazer o espectador pensar que idéia poderia ser aquela tão divertida…

Mas voltando ao espaço brasileiro. Me deparei com algumas vetrines mixurucas com produtos artesanais feitos no país tropical. Numa outra área tinham dois ou três móveis que ocupavam um grande espaço. Passei por lá e os expositores estavam ocupados em não fazer nada, ninguém veio me chamar para mostrar alguma coisa, ao contrário do que aconteceu no resto do festival. Sim, os italianos diziam: “oi, você quer participar disso, quer ver isso, tem interesse naquilo, quer assinar aqui” e por aí vai. No espaço brasileiro passei como se fosse invisível. Talvez simplesmente não tivessem o que mostrar… talvez não soubessem falar italiano.

O espaço paulistano foi certamente o pior de todos. Tinha uma TV de plasma passando um programa do Luciano Huck. E ainda por cima com tradução em inglês!!! Na Itália.
Do outro lado imagens do estádio do Pacaembu. Uma série de fotos colocadas em uma parede. Aliás, o Brasil só levou foto. Era melhor criar somente um site na internet, pelo menos seria mais interativo…

A parte dos videogames gerou curiosidade. Pensei: vou jogar um pouquinho para passar o tempo. Mas não apenas os jogos não eram tão intuitivos assim (ou é problema do tico e teco, meus neurônios que não entenderam o que eu devia fazer) como em um deles você tinha que montar palavras. Em português, obvio, para um festival italiano. Boh. Fiquei lá uns 5-10 minutos, passando de um jogo ao outro. Nem uma alma viva apareceu para me ensinar a jogar.

Crítica construtiva

Entendam que eu critico porque gostaria de ver realmente uma presença brasileira válida no festival. Gostaria de ver as pessoas comentando e interagindo sobre o meu país natal.

Se eu fosse o responsável pela organização teria levado uns artesãos que fariam colares com material na frente do público, enquanto uma intérprete em italiano chamaria as pessoas para dizer a origem do material e contar curiosidades.
Organizaria uma oficina onde os visitantes poderiam sentar e aprender a fazer bijouterias brasileiras, que poderiam levar de recordação para casa.

Se a idéia é falar de combustível brasileiro faria uma espécie de túnel onde a pessoa vai passando e vai descobrindo como o petróleo é extraído em profundidade ou como os carros do país rodam graças a cana de açúcar. E já que italiano gosta de comida, oferecia ao lado um local de degustação do caldo de cana grátis. Para mostrar como brasileiro é criativo: transformou comida em energia para carro!

A impressão que tive é que o Brasil não preparou nada de especial para este evento. Simplesmente reuniu uma meia dúzia de coisas já prontas e jogou lá. Nada foi feito especificamente para o público italiano. O que mostraram não dá a idéia do talento que os brasileiros realmente têm.

Resumindo: faltou interatividade. Quem vai ao festival quer participar, jogar, experimentar, aprender e descobrir coisas novas. Quer ser surpreendido. Esperamos que o Brasil mostre sua cara em um próximo evento…

2 COMENTÁRIOS

  1. eu vi uma expo chamada Segunda Pele com fotos de mulheres pintadas muito legais. E um video chamado Paraiba Dreams com depoimentos gravados emocionantes. Acho que o erro foi misturar coisas institucionais, tipo SESC, etc, com o trabalho de artistas. Estande de escola é uma coisa, arte é outra. Não achei graça nas risadas gravadas. O vestido do Jum Nakao feito de papel tambem é muito criativo. O resto estava fraco.

  2. Oi Anonimo,
    Certamente é impossível ver tudo de um festival como esse. O problema na minha opinião é que eram vídeos gravados, tudo gravado. Pouca coisa acontecendo ali, na hora. Para ver um vídeo, eu não saio de casa. Assisto na TV ou no computador.

    Entendo que a experiência ajuda na qualidade e o importante é que o Brasil continue participando de eventos desse tipo pelo mundo. Estou esperando o próximo!

Comments are closed.