Voltamos ao tema “estudar na Italia”. Dessa vez agradeço a simpaticíssima Juliana que conta como foi a experiência de sair de São Paulo para fazer um Master (Pos graduação Lato Sensu) aqui no Belpaese. O curso era Media Relation (assessoria de imprensa). Boas notícias: ela não tinha cidadania nem é descendente de italiano. Conseguiu bolsa, veio, terminou o curso e ainda está aqui para contar história…

1) Quem é você? Idade, onde nasceu, em que cidade morava no Brasil, qual era o
seu grau de instrução até vir para a Itália, onde estudou…

Meu nome é Juliana, tenho 26 anos, nasci e sempre morei em São Paulo. Sou bacharel e licenciada em Letras na área de Língua e Literatura Portuguesa e Italiana pela USP (Universidade de São Paulo).


2) Por que você decidiu estudar na Itália?
Sempre tive curiosidade de conhecer o berço da civilização ocidental e o país das belas artes. Mas a vontade se fez maior depois que comecei a estudar italiano na faculdade. E quando soube diversas oportunidades de bolsa de estudos para cidadãos brasileiros sem cidadania ou descendência italiana, fiquei mais entusiasmada.

3) Como fez para descobrir o curso que segue atualmente?
Descobri o curso através de uma professora de Literatura Italiana que, por sua vez, soube através de anúncios lido em sites da comunidade italiana no Brasil.

4) O que foi necessário para se inscrever no curso? Documentos, provas, etc.
Como fiz o Master (pós-graduação Lato sensu), os documentos que apresentei foram: Histórico Escolar do Ensino Médio (antigo Segundo Grau), Cópia da página do Diário Oficial onde consta a “Lauda de Concluinte” (no Diário Oficial contêm as “Listas de Concluinte” a partir de 1980; para títulos obtidos antes de 1980, o Histórico Escolar precisa do “Visto Confere” da Delegacia de Ensino) e Histórico, Diploma e Conteúdo Programático do Ensino Superior, todos acompanhados de uma tradução juramentada e com firmas reconhecidas (tanto dos responsáveis da escola do Ensino Médio e universidade quanto dos tradutores). Se for necessário, o próprio consulado fará uma prova para avaliar seu nível de italiano, ou então, como no meu caso, uma Lettera di Motivazione (os motivos da escolha do curso, por que estudar na Itália, por que seria útil estudar lá, etc.) e uma entrevista pelo telefone com os responsáveis do curso. Para mais informações, aconselho a visitar o site do consulado italiano da sua cidade.

5) Quanto custa o curso?
O curso custa em torno dos €6.000.

6) Você conseguiu bolsa de estudos? Se sim, o que teve que fazer?
Sim, consegui uma bolsa e pagava metade do valor total em duas parcelas, com o dinheiro que a Camera del Commercio di Milano, a Università Cattolica del Sacro Cuore e a Università Bocconi ofereciam aos estudantes (de €5.000 a €10.000).

7) Estudar e trabalhar ao mesmo tempo é possível?
Depende do curso sim, muita gente que faz curso de graduação mesmo trabalha de noite ou nas horas vagas. Eu não consegui trabalhar e estudar ao mesmo tempo por causa do horário das aulas (todos os dias, exceto sábado, das 10 às 17).

8) Existem diferenças entre o método de ensino brasileiro e o italiano?
Não sei responder a respeito da educação básica italiana por falta de conhecimento prático. Sobre o estudo superior, de acordo com minhas experiências pessoais, não vi muita diferença, exceto pela quantidade e forma de avaliações (na USP, por exemplo, todo final de semestre tínhamos provas ou monografias, sem contar os trabalhos durante a semana; também fazíamos avaliações predominantemente escritas, ao contrário da Itália que tem avaliação oral e/ou escrita). Também notei que nos cursos de pós-graduação Lato sensu tem um coordenador que organiza todos os eventos, aulas, datas de avaliações e até acompanha as aulas com os alunos. Não sei como funciona no Brasil, mas pelo menos no Mestrado, sei que cada aluno tem um orientador.

9) Depois que o curso terminar você pretende continuar na Itália ou voltar para o
Brasil?

O curso terminou, acompanhado do estágio de 300 horas e agora estou acompanhando outros cursos, independentes do master.

10)Qual era o seu nível de italiano antes de iniciar o curso? Era suficiente para
acompanhar as aulas?

Não fiz um teste de proficiência porque sou formada em italiano, entao, supõe-se que já temos um bom nível de italiano (um dos motivos pelo qual não fiz uma teste para avaliar meu nível da língua). Já falava bem italiano, o suficiente para me arriscar em aulas particulares e escolas, trabalhava com italianos, conhecia uma razoavel comunidade de italianos em São Paulo, o que me facilitou muito em acompanhar as aulas. É claro que alguns termos não conhecia, mas com a ajuda dos professores, colegas e leituras de jornais e revistas, o problema é superado.

11)Se você pudesse dar um conselho para quem deseja seguir o mesmo caminho que você, qual seria?
Ser claro e seguro no seu objetivo, estudar bem o italiano e o inglês, estar sempre em contato com profissionais da sua área, com a atualidade (ler muito jornal, não só o da Itália, mas de outros países da Europa, EUA e, por que não, do seu país de origem) ser curioso e dinâmico. São conselhos para quem deseja entrar no mercado de trabalho italiano. Para quem gostaria de ingressar na vida acadêmica (ser professor universitário ou pesquisador, por exemplo), vale o conselho mencionado e um pouco de “sorte” (se conhecerem um professor universitário, melhor ainda).

12)Qual foi a maior dificuldade que você passou?
No começo, um pouco de dificuldade de me integrar ao restante da classe. Era a única estrangeira do grupo.

13)Qual foi o momento mais bacana e inesquecível?
Foram tantos! Algumas aulas, passeios, encontros com os colegas. Sem contar a minha vida extra-universidade.

14)Você possui algum site/blog que gostaria de divulgar?
Resolvi reativar, em meados de setembro do ano passado, meu Msn Spaces. A idéia é meio antiga e seria uma espécie de diário da minha vida na Itália. Mas como tinha pouco tempo para me conectar e a internet não era uma maravilha, ficou de lado. Aí então resolvi, no ano passado, escrever um pouco sobre as cidades italianas que visitei sob uma ótica histórica (não pensem que seja um ensaio ou tratado sobre história, é bem simples, para ser acessível a todos) . É bem amador e ainda está em construção, mas espero que gostem (aceito sugestões e comentários): http://jrscarvalho.spaces.live.com/

15)Espaço livre para você contar o que quiser sobre estudar na Itália.
Para quem ama a língua, a História, a Literatura e a cultura da Botinha, estudar na Itália é uma grande oportunidade que não deve ser desperdiçada. E vale também para aqueles com laços sanguíneos, afinal, se é oriundi, tem que vir para cá conhecer sobre os ancestrais e aprender bem a língua da sua nacionalidade. E você que deseja vir para cá, verá como seu italiano vai melhorar tanto, sem que você perceba.

Se você tiver interesse em contar a sua história escreva para brasilnaitalia@gmail.com ! Você pode ajudar outros brasileiros que desejam estudar na Itália a realizar um sonho.

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8 COMENTÁRIOS

  1. olá, estudei um mes italiano na italia em uma pequena cidade chamada Camerino. Estou encantada com este blog e acredito que vou aprender muito passando por aqui. beijos!

  2. Muito legal essa troca de experiência e é muito útil para quem pretende fazer o mesmo. Como sempre esse site fazendo o bem, de uma ou outra forma! Muito legal! um beijo,chica

  3. @Viajantenavegante
    Oi, seja bem vinda aqui no blog. Se quiser contar sobre sua experiência na Italia, mesmo que um curso de italiano, nós vamos adorar. Me escreva em brasilnaitalia@gmail.com.
    A propósito, fui no seu site e queria deixar um comentário lá, mas por alguma razão não abria nenhuma janela ou espaço para comentar quando clicava no link. Confere se tá tudo ok.
    Inté!

    @Chica
    Obrigada, querida! Um beijão.

  4. Depois de uns dias sem acessar à internet, eis a minha surpresa ao ver minha experiencia na Italia exposta aqui a todos! Muito obrigada BIN!

  5. Sensacional….vc como sempre BIN escolhe pessoas simpatissíssimas para conversar e trocar figurinhas…estava sentindo falta dessas trocas de experiências…Parabéns pelo trabalho!!
    E Parabéns Juliana pela coragem!!!!

    Um forte abraço

    letícia

  6. Legal o blog. Mas o correto seria dizer que Juliana não tem ascendência italiana e não descendência. Nossa descendência são nossos filhos. Portanto, se queremos dizer que alguém não tem antepassados de uma determinada origem dizemos que fulana não tem ascendência tal, ou, na voz passiva, que fulana não é descendete de italianos.
    Abraço

  7. @Juliana
    Obrigada a voce pela participaçao.

    @Leticia
    Valeu pelo retorno. Bom saber das coisas que voce mais gosta de ver aqui no Brasil na Italia. 🙂

    @Rafael,
    A frase foi mal formulada mesmo. Estou corrigindo ja! Obrigada.

  8. O Rafael tem razao… pensei numa coisa e escrevi outra. Queria dizer “para descendentes italianos”, mas acabei escrevendo errado.

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