Estátua de Donatello em Florença – A Itália é um país repleto de tesouros artísticos, e Florença é um dos epicentros desse legado cultural. Agora um desses tesouros volta a brilhar com um novo esplendor: o bronze de Donatello, “Giuditta e Oloferne“, na Sala dei Gigli do Palazzo Vecchio. Graças ao apoio da organização Friends of Florence, a escultura passou por um meticuloso processo de restauração que durou cerca de dez meses, trazendo de volta sua grandiosidade original.

Estátua de Donatello em Florença: Um Símbolo de Liberdade

Criada entre 1457 e 1464, a escultura “Giuditta e Oloferne” é uma das obras mais notáveis de Donatello. Famosa por sua expressividade poderosa, pela maestria e refinamento na técnica de execução, bem como pela fascinante história de vicissitudes que a levaram a escultura de Donatello a se tornar um símbolo da liberdade de Florença.

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Detalhe da Judite de Donatello, obra recém restaurada (foto: Antonio Quattrone /divulgação)

Segundo a hipótese mais aceita, a escultura foi encomendada a Donatello por Piero de’ Medici por volta de 1457. A execução foi interrompida devido à partida do artista para Siena, sendo concluída entre 1461 e 1464, quando foi colocada no jardim da antiga residência medicea na Via Larga, o atual Palazzo Medici Riccardi, para contrastar com o David de bronze do mesmo escultor que já estava no pátio próximo (hoje no Museu Nacional do Bargello).

A obra traz a assinatura de Donatello gravada no travesseiro sobre o qual repousam os dois personagens.

Detalhe da assinatura de Donatello na escultura de Giuditta e Oloferne (foto: Antonio Quattrone /divulgação)
Detalhe da assinatura de Donatello na escultura de Giuditta e Oloferne (foto: Antonio Quattrone /divulgação)

De acordo com o livro bíblico homônimo, a jovem judia Giuditta salvou sua cidade do cerco do exército assírio cortando a cabeça do general Holoferne após seduzi-lo e embriagá-lo.

Na época, Giuditta era geralmente representada já triunfante sobre a cabeça decapitada de seu inimigo. Donatello, com grande originalidade, adicionou a figura de Holoferne, criando assim a primeira obra isolada de grandes dimensões dedicada a esse tema, capturando a ação em andamento.

Donatello representou a heroína em uma posição ereta, firme e orgulhosa, com o braço segurando a espada levantada com ímpeto, pronta para desferir o golpe final. O corpo exangue do tirano está preso entre as pernas de Giuditta, com os membros pendendo vilmente do pedestal de bronze, onde três relevos báquicos remetem à sua luxúria. O bronze era originalmente adornado com dourados, dos quais hoje restam poucos fragmentos.

A obra reinterpretava em chave laica e política o relato bíblico da jovem heroína, como atestavam duas inscrições que trazia na base de pedra quando se encontrava no jardim mediceo, que foram perdidas:

  • a primeira a qualificava como símbolo do triunfo da humildade sobre a soberba e da virtude sobre a luxúria;
  • a segunda continha a dedicatória de Piero de’ Medici, que atribuía à escultura a função de modelo de fortaleza e liberdade, incitando os cidadãos a seguir o exemplo de Giuditta para a defesa da República Florentina.

Esse segundo significado tornou-se predominante quando, em 1495, um ano após a expulsão dos Medici e a proclamação da nova República de inspiração savonaroliana, a Signoria de Florença deliberou confiscar esta obra, junto com outras que se encontravam na residência medicea, e transferi-la para sua sede de governo.

As duas epígrafes da base foram substituídas pela atual, que traz a data da transferência e fez com que o bronze se tornasse um símbolo da liberdade florentina.

A Giuditta foi colocada em destaque no arengo do Palazzo della Signoria, onde permaneceu até 1504, quando teve que ceder espaço ao David de Michelangelo, penalizada pela necessidade de encontrar uma localização para a nova escultura e pelas críticas de uma facção que achava inconveniente representar a cidade por meio de uma mulher que mata um homem, além de atribuir-lhe a culpa de ser um “sinal de morte” portador de má sorte, pois chegou ali quando Florença estava perdendo o domínio de Pisa.

Dois anos depois, estava novamente na praça, sob a Loggia da Signoria, mas apenas em 1919, após ser colocada em segurança durante a guerra, foi recolocada, em posição central, no arengo do Palazzo Vecchio.

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A escultura de Donatello em Florença antes da restauração (a foto foi tirada em 27 de março de 2022) - Crédito: Barbara Bueno
A escultura de Donatello em Florença antes da restauração (a foto foi tirada em 27 de março de 2022) – Crédito: Barbara Bueno

De lá, não foi mais removida, exceto por razões de segurança durante a Segunda Guerra Mundial (1940-1946), quando também foi restaurada por Bruno Bearzi, a pedido das fundições Marinelli. Após as celebrações mediceas de 1980, constatado o avançado estado de degradação do bronze, foi decidido substituí-la no exterior por uma cópia e transferi-la para a Sala dei Gigli do Palazzo Vecchio.

Na ocasião da transferência, a obra foi submetida, pela primeira vez, a um minucioso restauro científico, realizado pelo Opificio delle Pietre Dure de Florença no Palazzo Vecchio, entre 1986 e 1988.

O Restauro Atual da estátua de Giuditta e Oloferne

O recente projeto de restauração foi dividido em duas fases. Inicialmente, foi feita uma análise detalhada da condição da escultura, incluindo uma limpeza cuidadosa para remover o pó acumulado.

A segunda fase envolveu um trabalho mais profundo de conservação, utilizando tecnologias modernas como o laser para remover corrosão e revelar fragmentos de douramento que restavam.

Este processo não só restaurou a estética original da obra, mas também trouxe novas informações sobre as técnicas utilizadas por Donatello.

O Legado Continuado

A restauração de “Giuditta e Oloferne” é mais um exemplo do compromisso da Friends of Florence em preservar e valorizar o patrimônio artístico de Florença. Este projeto não apenas recuperou a beleza de uma obra-prima renascentista, mas também reforçou a importância de proteger e estudar continuamente essas preciosidades culturais.

Para os visitantes de Florença, a escultura na Sala dei Gigli é agora uma testemunha renovada da habilidade artística de Donatello e da história vibrante da cidade.

Visitar Florença e ver a “Giuditta e Oloferne” restaurada é uma experiência que conecta o presente ao passado glorioso da Renascença italiana. É uma oportunidade de apreciar a arte em seu estado mais puro e entender o valor do trabalho contínuo de preservação cultural.

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Barbara Bueno - brasilnaitalia
Barbara Bueno é uma jornalista brasileira que mora em Florença desde março de 2005. Foi para a Toscana em busca das suas origens italianas. Em janeiro de 2007 criou o blog BRASIL NA ITALIA. Já trabalhou como content manager para a Regione Toscana, obteve habilitação como assistente turística e foi proprietária de agência de viagem na Italia (até chegar a pandemia...). Hoje se interessa por criptomoedas e voltou a fazer o que mais gosta: buscar novidades, visitar lugares interessantes e escrever! Se você tem uma dúvida sobre a Italia visite a seção Dúvidas sobre a Italia.

2 COMENTÁRIOS

  1. Emocionante conhecer a história desta arte tão bela e saber que está sob cuidados de preservação. Muito bom artigo.

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