No segundo dia da minha viagem pelos Balcãs fomos conhecer três cidades de um país chamado Montenegro: Perast, Kotor e Herceg Novi. Nós estávamos usando a cidade de Trebinje, na Bósnia e Herzegovina, como base. Assim, preparamos os documentos para atravessar a fronteira entre os dois países e fomos descobrir alguns dos cartões-postais mais famosos da região.
Para não se confundir: em italiano, Perast é chamada de Perasto; Kotor, de Cattaro; e Herceg Novi, de Castelnuovo.
Se você perdeu o artigo sobre o primeiro dia, leia aqui, mas basicamente tínhamos reservado um pacote de 6 dias e 5 noites nos Balcãs através da GetYourGuide.
Índice
Perast: passeio de barco até Nossa Senhora das Rochas
A cidade de Perast é considerada uma zona VIP e cara de Montenegro. Só para dar uma ideia, nosso guia Balša nos contou que os preços dos imóveis podiam até superar os valores de áreas nobres em cidades como Florença e Veneza. Então, se você curtir a área e quiser comprar uma casinha por lá, prepare algumas centenas de milhares de euros.

Mas por que ela é assim tão interessante? Perast faz parte de uma região reconhecida como Patrimônio Mundial da Unesco, é rica em história e tem um belo panorama. Nós não ficamos tanto tempo assim no lugar para dar tempo de eu me apaixonar, mas foram certamente horas agradáveis.

A principal atração turística de Perast é o passeio de barco, que passa pela ilha de São Jorge (Ostrvo Sveti Đorđe) e vai até a Ilha de Nossa Senhora das Rochas (Gospa od Škrpjela).

Uma curiosidade é que a Ilha de Nossa Senhora das Rochas é artificial. Segundo a tradição local, sua história começou no século XV, quando marinheiros encontraram um ícone da Virgem Maria sobre uma rocha no mar. A partir daí, os moradores passaram a depositar pedras no local e, ao longo dos séculos, a ilha foi sendo ampliada com rochas e antigas embarcações carregadas de pedras. Até hoje, os moradores mantêm viva essa tradição em uma celebração anual chamada Fašinada, realizada no dia 22 de julho.
E foi exatamente esse passeio que fizemos. Quando chegamos, por volta das 11:30, encontramos o estacionamento lotado, mas, felizmente, não muito longe dali, havia uma vaga grátis onde estacionamos o carro.

Apesar de ser 3 de outubro, já em pleno outono, pegamos um dia lindo e quente de sol. Tinha até gente curtindo um banho de mar, embora eu não tenha visto uma verdadeira praia no local. Nas colinas ao redor, as cores das árvores começavam a mudar com os primeiros tons de vermelho.

O barco que ia até a Ilha de Nossa Senhora das Rochas já estava de saída, então embarcamos e, em cerca de 10 minutos, já estávamos na ilhota, onde a principal atração é a Igreja Católica de Nossa Senhora das Rochas. Há também um pequeno museu e uma lojinha de souvenirs.

Dentro da igreja havia muitos turistas, mal dava para andar, então acabamos fazendo uma visita rápida.

Depois fomos procurar alguma lembrancinha na loja de souvenirs, tiramos umas fotos e voltamos de barco até Perast.


Antes de pegar o carro de novo, Aurora queria tomar um sorvete e aí realmente vi que a lenda de que a área é cara é verdade: um gelato de duas bolas custou 5 euros.
Compramos o sorvete em um quiosque qualquer, que não tinha nada de charmoso e nem um lugar para sentar. Foi mais caro do que em muitas sorveterias em Florença que frequentamos. Mas o panorama era realmente bonito.
Depois seguimos viagem para o nosso próximo destino: Kotor.
Kotor: subida às muralhas e centro histórico
Quando cheguei em Kotor e vi aquelas muralhas que subiam em direção às colinas foi quase amor à primeira vista: decidi que queria subir lá no alto.

E assim, antes mesmo de dar uma volta no centrinho, fomos direto até a entrada da fortaleza, que é paga: eu paguei 15 euros e Aurora entrou de graça (o valor do ingresso para este passeio não estava incluído no nosso pacote de viagem).


A Aurora foi minha supercompanheira de viagem e aventuras e topou ir até o alto comigo. Claro que, antes mesmo de chegar à bilheteria, ela já disse que estava cansada, mas eu conheço ela (ela é uma atleta) e ela me conhece (adoro este tipo de passeio e odeio gente resmungando do lado), então até me suportou quando pedi para tirar infinitas fotos dela, de mim e da paisagem.

A cada nível, parávamos para admirar o visual, com a cidade abaixo da gente, o navio de cruzeiro que fazia uma parada em Kotor e os veleiros na baía.
Durante a subida, também encontramos a Igreja de Nossa Senhora da Saúde (Our Lady of Health), dedicada à protetora de Kotor e de sua diocese. Segundo a tradição, no século XV, um ícone da Virgem Maria foi encontrado sobre uma rocha acima da cidade, em um lugar chamado Zdravlje. A descoberta foi considerada milagrosa e, em homenagem à Nossa Senhora, foram construídos uma igreja e um santuário que, ao longo dos séculos, se tornaram um importante local de oração e peregrinação para os fiéis.

Era cerca de 1 da tarde, o sol estava a pino e, apesar de ser outubro, fazia bastante calor. Felizmente, no meio da subida, havia pessoas vendendo água geladinha. Fiquei pensando: que guerreiros! Subiam até o topo diariamente com quilos de garrafas de água e gelo para oferecer esse serviço especial aos turistas.

A história das muralhas de Kotor também tem ligação com a Itália, seja porque suas origens remontam ao período romano, quando a região abrigava uma cidade chamada Acruvium, seja porque Kotor fez parte da República de Veneza durante quase quatro séculos.

Na verdade, as primeiras fortificações são muito anteriores à chegada dos venezianos. Parte do sistema defensivo medieval que ainda podemos observar hoje foi construída entre os séculos XII e XIV, quando as muralhas eram altas e estreitas, preparadas para proteger a cidade dos ataques com as armas usadas naquela época.
Em 1420, Kotor passou para o domínio da República de Veneza, que controlou a cidade até 1797. Os venezianos consideravam Kotor um ponto estratégico para defender suas rotas comerciais e militares no Mar Adriático e, por isso, investiram na ampliação e modernização das fortificações.
Com a evolução das armas de fogo e o uso dos canhões, as antigas muralhas medievais precisaram ser reforçadas. Os engenheiros militares venezianos construíram bastiões, torres e estruturas defensivas mais resistentes aos ataques de artilharia. Entre as obras desse período estão o bastião de Gurdić, de 1470, e as reformas da Fortaleza de São João, no alto da montanha, que funcionava como uma última linha de defesa da cidade.

Uma das construções mais importantes desse sistema é o Bastião Bembo, que tem formato pentagonal e fica na parte norte das muralhas. Seu projeto é atribuído aos arquitetos militares italianos Michele Sanmicheli e Gian Girolamo Sanmicheli, embora essa autoria não seja considerada definitiva.
Para os venezianos, Kotor também serviu como um lugar para experimentar novas soluções de arquitetura militar, combinando as antigas muralhas medievais com técnicas defensivas desenvolvidas durante o Renascimento italiano.

Essa herança é tão importante que, em 2017, as fortificações de Kotor foram reconhecidas pela UNESCO como parte de um patrimônio compartilhado com outras construções defensivas venezianas na Itália e na Croácia. Entre elas estão as cidades fortificadas de Bergamo, Peschiera del Garda e Palmanova, na Itália.
Já pela subida e pela descida das muralhas de Kotor, a visita à cidade teria valido a pena. Mas o centro histórico da cidade é um charme à parte e também contou muitos pontos a favor da escolha do destino.

Como desde o ano 2000 a cidade virou uma parada de navios de cruzeiro, dá para perceber que Kotor é muito turística, cheia de barzinhos e lojas de souvenir.

E por todo lugar encontramos imagens de gatos relacionadas a Kotor. Não são um charme esses souvenirs? Você se identifica com algum dos gatos e gatas?

Eu particularmente teria ficado mais tempo na cidade, mas nosso guia já estava nos esperando para nos acompanhar até o último destino do dia e eu não queria deixar de conhecer Herceg Novi. Então nos despedimos da cidade, deixando aquele gostinho de quero mais.

Herceg Novi: onde comer e caminhar à beira-mar
A nossa terceira parada do dia foi na cidade de Herceg Novi, por onde já tínhamos passado no caminho para Perast e tirado uma foto panorâmica do alto. Mas nós só visitamos a cidade mesmo depois de Kotor.

Quando chegamos em Herceg Novi para passear por lá, por volta das 4 da tarde, a única coisa em que eu estava pensando era que estávamos morrendo de fome. Ficamos tão ocupadas vendo as atrações de Kotor que não queríamos perder tempo sentadas em um restaurante comendo. Mas uma hora a fome bateu.

Nosso guia Balša nos levou para conhecer a famosa torre do relógio de Herceg Novi, chamada de Sahat Kula, que foi construída pelos otomanos em 1667. Também vimos a Igreja de São Miguel Arcanjo, na praça Belavista, na cidade velha.


Mas naquela hora nosso foco era outro: precisávamos realmente comer alguma coisa. A praça do centro antigo tinha vários bares e restaurantes, mas naquela hora estavam servindo apenas bebidas: entramos em alguns para pedir informações e descobrimos que a cozinha estava fechada.
Como nosso guia Balša tinha frequentado bastante a cidade, ele nos indicou um restaurante que funcionava o dia inteiro para uma pausa rápida e eficaz para o almoço. E assim, descemos as escadarias infinitas da cidade até encontrarmos o restaurante Tri Lipe, que também vendia sanduíches.

Eu fui com o prato típico local, a tal da pljeskavica, que era praticamente um hambúrguer que você podia completar com tomate, cebola, um tipo de queijo branco e outros acompanhamentos. A Aurora preferiu um sanduíche de frango grelhado. Foi ótimo porque tudo foi preparado na hora, estava gostoso e gastamos pouco, cerca de 5 euros por sanduíche.


Depois de saciar as necessidades básicas, aí sim fomos curtir Herceg Novi. Descemos para a praia e fizemos uma agradável caminhada pelo litoral, inclusive com vista para a Fortaleza do Mar (Forte Mare), uma das fortificações históricas de Herceg Novi.

Provavelmente a cidade é uma ótima pedida para quem viaja no verão e quer curtir praia.

Honestamente, se tivéssemos ficado hospedadas lá, com aquele clima gostoso que pegamos, provavelmente teríamos encarado um banho de mar também.

Vimos o sol se pôr atrás das colinas e assim encerramos nossa passagem por Montenegro.

Encontramos nosso guia, preparamos os documentos para a fronteira e voltamos para Trebinje, na Bósnia e Herzegovina.
De volta a Trebinje
Ficamos umas horinhas relaxando no hotel e só saímos na hora do jantar. Rodamos os restaurantes, mas a Aurora disse que queria jantar um crepe hipercalórico com chocolate por todos os lados no Sicilia. Depois de um dia cheio de atividades, é claro que eu disse sim. E assim terminamos nosso segundo dia nos Balcãs.


Na manhã seguinte estava programado um passeio até Dubrovnik, na Croácia.
Dica: com uma eSIM italiana, como a da Very Mobile, a internet funciona na Croácia sem custo extra de roaming, mas a Bósnia e Herzegovina e Montenegro ficam fora do acordo de roaming da União Europeia. Por isso, usei a eSIM Balcãs da Holafly, com dados ilimitados em 5 países: Albânia, Bósnia e Herzegovina, Macedônia do Norte, Montenegro e Sérvia. Fiquei conectada assim que atravessamos a fronteira e usei Google Maps, tradutor e WhatsApp sem preocupação, além de fazer o backup das fotos na nuvem (vai que eu perco o celular!). Se quiser contratar, use o código BRASILNAITALIA.
Siga nosso roteiro por aqui:
1º dia: Trebinje (Bosnia Hezergovina)
2º dia: Perast, Kotor e Herceg Novi (Montenegro)
3º dia: Dubrovnik (Croácia)
4º dia: Mostar (Bósnia e Herzegovina)
5º dia: Ston e Slano (Croácia)
Mapa da viagem
Para você visualizar o que fizemos, o mapa que mostra onde está a Itália e onde as cidades:

Abaixo em versão com zoom:

E você, conta nos comentários: já conheceu a região? Se reconheceu em algum dos momentos da nossa viagem ou tem alguma dica para nossos leitores?
Gostou da dica? Reservando através dos nossos links você apoia o Brasil na Italia e nos ajuda a continuar compartilhando conteúdos como este – sem pagar nada a mais por isso.
RESERVE SUA ACOMODAÇÃO AGORA
Você encontra as melhores ofertas e ainda colabora com o nosso site. Obrigada!
GETYOURGUIDE: RESERVE TRANSFERS E TOURS ONLINE
Reserve transfers, tours e excursões na Italia e no mundo com a nossa parceira Get Your Guide
