Publicado em 05/11/2026 e atualizado em 06/11/2026, à noite: a inspeção do Wizz Air desviado para Veneza terminou sem encontrar nada, e a Procuradoria Nacional Antimáfia coordena as investigações na Itália. Veja o que aconteceu no dia 6.
Roma, 05/11/2026. Caças ao lado de aviões de passageiros, voos desviados e passageiros desembarcados para inspeção: foi assim a manhã desta quinta-feira nos céus da Europa. Uma nova série de alarmes de bomba atingiu cerca de 20 voos, e pelo menos sete deles envolveram a Itália, segundo a ANSA.
A informação mais importante vem primeiro: até a noite de 6 de novembro, nenhuma ameaça tinha sido confirmada e nenhum explosivo tinha sido encontrado a bordo. Na quinta, os aeroportos de Malpensa e Fiumicino seguiram funcionando.
Ainda não se sabe quem mandou as mensagens, nem por quê. Mas, se o objetivo é causar o pânico, a gente tem medo de deixar a vida passar, não de viver.

Índice
Os novos alarmes de sexta-feira, 6 de novembro
A sexta-feira teve mais ameaças: 18 voos ligados a nove países, incluindo a Itália, segundo a AGI. O Quotidiano Nazionale conta 19. Dois dos casos envolvem voos de ou para Roma. Todos os aviões pousaram em segurança, e as inspeções não encontraram explosivos. A Eurocontrol calculou que os voos atingidos foram 0,0674% dos 26.709 programados na Europa para o dia, também segundo a AGI.
- Wizz Air, de Praga para Roma: era esperado em Roma às 11:00, mas foi desviado para o Aeroporto de Veneza, onde foi inspecionado e de onde seguiu para Roma à tarde, segundo a ANSA. A inspeção terminou por volta das 12:30 sem encontrar nada, informou um porta-voz da polícia de Veneza à Adnkronos. Os voos em Veneza ficaram suspensos por cerca de uma hora, e dois aviões que vinham de Madri, um da Ryanair e um da Wizz Air, foram para Treviso, segundo o jornal La Nuova Venezia.
- Ryanair, de Lisboa para Roma: a polícia portuguesa (PSP) recebeu às 7:20 um alerta contra o voo FR8197, segundo a TSF. O avião que faria essa viagem ainda estava chegando a Lisboa. Depois do pouso, ele foi vistoriado, e passageiros e bagagens passaram de novo pelo controle de segurança. A PSP confirmou que nada foi encontrado a bordo, segundo a CNN Portugal.
- Praga: a porta-voz do aeroporto falou em nove voos, quatro chegadas e cinco partidas, segundo a agência tcheca ČTK. Os passageiros desembarcaram antes da inspeção, feita no pátio. Por volta das 13:00, a polícia informou que não foram encontrados explosivos nem objetos suspeitos e encerrou as medidas de segurança.
- Copenhague: a polícia dinamarquesa voltou ao aeroporto por causa de novas ameaças e disse que, numa primeira avaliação, não houve perigo para passageiros, segundo a ABC News. O aeroporto seguiu funcionando, segundo a Adnkronos.
- França: o gabinete do primeiro-ministro informou quatro novos alertas em aviões que sobrevoavam o país, segundo a franceinfo. Todos pousaram sem incidentes, três em Orly e um em Bordeaux, segundo o Le Temps, e passaram por inspeção. Nenhum explosivo foi encontrado, segundo o Actu17.
- Hungria e Sófia: a Hungria acionou três vezes os caças para escoltar voos civis, e dois aviões que iam para Sófia, um de Londres e outro de Bruxelas, foram inspecionados, segundo a Adnkronos.
Sobre o caso de Veneza, a primeira versão falava em um telefonema para a torre de controle de Fiumicino, mas fontes aeroportuárias negaram. A Adnkronos diz que o aviso chegou por e-mail ao aeroporto de Praga, e a LaPresse fala em um telefonema às autoridades tchecas. A LaPresse acrescenta que, pelas primeiras informações, esse caso não teria ligação com o e-mail assinado pelos “combatentes do Estado Masculino”, citado mais abaixo.
No caso de Lisboa, parte da imprensa italiana tratou o alarme como se fosse no voo que vinha de Roma. Aqui seguimos o comunicado da PSP, que diz que a ameaça era contra o voo seguinte, de Lisboa para Roma.
O que aconteceu até quinta-feira
Na Itália, as ameaças chegaram por e-mail na manhã de 5 de novembro. A contagem de voos muda de fonte para fonte: a ANSA fala em cerca de 20 na Europa, a Euronews em pelo menos 25 e a CNBC, citando a Reuters, em pelo menos 27.
A Eurocontrol, a organização europeia para a segurança da navegação aérea, passou à ANSA um número menor, segundo o Giornale di Sicilia: 14 voos em 5 de novembro e 7 em 3 de novembro. Na quinta, isso representou 0,049% dos 28.488 voos da rede europeia, e os alarmes não tiveram impacto nos atrasos da rede.
Não foi a primeira vez na semana. Na terça, 3 de novembro, outros voos já tinham sido alvo de ameaças falsas: sete pela conta do governo britânico, citada pela CNBC, e dez pela da ANSA. Entre eles, segundo o Il Giorno, estavam um Wizz Air que saiu do Aeroporto de Bergamo para Sófia e dois Ryanair que iam de Lisboa e de Dublin para Fiumicino. A AFP, citada pelo Quotidiano Nazionale, já fala em terceira onda da semana.
Os voos ligados à Itália
Estes são os oito voos ligados à Itália em 5 de novembro, segundo as listas da Sky TG24 e da Euronews:
- Aer Lingus, de Dublin para Roma: desviado para a base de Évreux, na Normandia, com escolta de caça francês. Havia 151 passageiros e 6 tripulantes a bordo.
- Finnair, de Helsinque para Roma: pousou no Aeroporto de Fiumicino por volta das 9:30, com escolta de caças italianos. A companhia confirmou que a ameaça era infundada.
- Wizz Air, de Milão para Varsóvia: saiu do Aeroporto de Malpensa por volta das 7:00 e foi desviado para Viena.
- Wizz Air, de Milão Malpensa para Bucareste: pousou normalmente.
- Aegean, de Salônica para Milão Malpensa: pousou por volta das 9:30, e a inspeção não encontrou nada.
- Ryanair, do Porto para Milão Malpensa: chegou por volta das 10:20, sem desvio.
- Iberia, de Roma para Madri, e Iberia, de Milão Linate para Madri: dois alarmes falsos, com pouso em Madri.
Essa conta também pode ser maior: a Adnkronos fala em dez casos na Itália, e a Guardia Civil da Espanha, citada pela RTÉ, em quatro voos da Iberia vindos de Roma e de Milão, e não dois.
Houve ainda um caso à parte: um voo da Ryanair de Pescara para Charleroi, na Bélgica, foi inspecionado depois que alguém encontrou a palavra “bomba” escrita no banheiro do avião, segundo a Sky TG24.
Quem está por trás dos e-mails
A mensagem que chegou a Fiumicino foi escrita em italiano, citava voos específicos e terminava com a frase “Oggi il vostro cielo sarà rosso” (hoje o seu céu será vermelho), segundo a Sky TG24. A assinatura seria dos “combattenti dello Stato Maschile”, os combatentes do Estado Masculino. Malpensa também recebeu um e-mail anônimo em italiano, segundo o Malpensa24.
O nome lembra o de um movimento russo ultranacionalista e misógino, o Muzhskoye Gosudarstvo, proibido na própria Rússia. Só que lembrar não é provar: o site La Capitale observa que ainda não há elementos para dizer se foram integrantes do grupo ou se alguém usou a assinatura. E, como nota a Al Jazeera, nenhum país atribuiu a culpa a ninguém.
Na sexta, apareceu outra mensagem. Um e-mail mandado a veículos de imprensa reivindica os alarmes, diz que “este é só o começo” e promete novos ataques, mas a autenticidade não foi verificada, segundo a ANSA. Ele é assinado por um certo Mikhail Andropov, e a Reuters, citada pelo Il Fatto Quotidiano, diz que não está claro se o nome indica envolvimento russo ou uma tentativa de jogar a suspeita sobre Moscou. A emissora irlandesa RTÉ chegou a retirar funcionários da sede em Dublin, segundo a Al Jazeera. Um canal no Telegram ligado ao grupo russo negou à BBC qualquer relação com os casos, segundo a Adnkronos.
Na Itália, a Polaria (a polícia de fronteira aérea) e a Polícia Postal estão no caso, segundo a ANSA. A Euronews informa que a Procuradoria de Busto Arsizio, que cuida dos casos de Malpensa, abriu inquérito por “procurato allarme”, o crime de causar alarme falso, contra desconhecidos.
As investigações na Itália são coordenadas pela Procuradoria Nacional Antimáfia e Antiterrorismo, segundo a Euronews, e há procedimentos abertos em Milão, Roma e Busto Arsizio, segundo a ANSA. Até o fechamento desta atualização, ninguém tinha sido apontado como responsável.
Os investigadores não descartam ligação com os e-mails que anunciaram bombas em cerca de 280 escolas nos últimos dias, mas por enquanto isso é hipótese. O comissário europeu dos Transportes, Apostolos Tzitzikostas, disse que ainda é cedo para concluir se os casos estão ligados.
Na sexta, a primeira-ministra Giorgia Meloni disse que ainda não é possível afirmar se os alarmes e os ataques de hackers dos últimos dias estão ligados, segundo a Euronews.
Por que os caças decolam
A imagem de um caça ao lado de um avião de passageiros assusta, mas ela diz menos do que parece. Para o ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, é um procedimento normal, acionado toda vez que um voo é apontado como suspeito, segundo o Quotidiano Nazionale. Ou seja: o caça mostra que o protocolo funcionou, e não que havia uma bomba.

O mesmo vale para a inspeção em solo. Em Malpensa, os passageiros desembarcaram e os especialistas em explosivos da Polaria revistaram os aviões, segundo o Affaritaliani. O vice-prefeito de Varese, Niccolò Cescon, disse que desde o início a mensagem foi considerada falsa, mas que a ameaça foi tratada com a máxima seriedade.
O que muda para quem vai viajar
Até o fechamento desta atualização, nenhum dos voos listados pelas fontes que consultamos era uma ligação direta entre a Itália e o Brasil. Na quinta, Malpensa manteve a operação plena, segundo Cescon, e a Euronews informou que não houve impacto na operação de Fiumicino. Na sexta, a interrupção que encontramos na Itália foi a suspensão temporária dos voos em Veneza durante a inspeção do avião da Wizz Air. Nas fontes que consultamos, não há anúncio de fechamento desses aeroportos.
Também não encontramos nenhuma orientação oficial pedindo para mudar planos de viagem. O CEO da Air France-KLM, Ben Smith, disse esperar que os episódios não façam ninguém reduzir as viagens. A Finnair lembrou que ameaças desse tipo quase sempre são infundadas.
A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) considera que os alertas representam uma ameaça reduzida para a segurança aérea, e a Comissão Europeia ativou a troca de informações sobre o tema entre os 27 países da União, segundo a TSF.
Na sexta, depois de uma reunião com a EASA, o comissário europeu dos Transportes disse que a aviação europeia mantém a operação plena, segundo a LaPresse.
Para viajar mais tranquilo nos próximos dias, vale o básico:
- Confira o status do voo no site ou no app da companhia antes de sair para o aeroporto.
- Deixe e-mail e telefone atualizados na reserva, inclusive se comprou por agência.
- Leve na bagagem de mão remédios, carregador e o que você precisaria se pousasse em outra cidade.
- Se o voo for desviado, siga as instruções da tripulação e guarde o cartão de embarque e os recibos.
Seus direitos se o voo for cancelado ou desviado
O Regulamento europeu 261/2004 vale para quem parte de um aeroporto da União Europeia e para quem chega à UE de fora em companhia europeia. O texto cita os “riscos de segurança” entre as circunstâncias extraordinárias que podem livrar a companhia de pagar a compensação de 250 a 600 euros.
Isso não tira os outros direitos. Em caso de cancelamento, o passageiro continua podendo escolher entre reembolso e voo alternativo, e a companhia deve oferecer refeições e, se for preciso dormir fora, hotel e traslado. Quem foi desviado deve guardar os comprovantes, porque cada caso é analisado pelo que aconteceu com aquele voo.
A nova revisão das regras só passa a valer em 23 de outubro de 2027. Explicamos o que continua valendo e o que vai mudar no guia sobre os direitos dos passageiros aéreos na Europa.
Medo de deixar a vida passar, não de viver
Sentir medo é humano, e ninguém precisa fingir que leu essas notícias sem um aperto no peito. Quem estava naqueles aviões passou por um susto de verdade, e as autoridades fazem bem em levar cada mensagem a sério.
Mas olhe o que restou desta semana: ameaças anônimas, nenhuma bomba encontrada e aeroportos funcionando. Uma frase escrita num computador conseguiu mobilizar caças e deixar muita gente com medo. Ela só ganha de verdade se a gente desistir da viagem.
Se o objetivo é causar o pânico, a resposta é esta: a gente tem medo de deixar a vida passar, não de viver. Por isso, a próxima viagem de avião, na Europa ou para qualquer outro lugar do mundo, continua em pé.

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