Que comer é uma das grandes maravilhas da vida, eu não tenho a menor dúvida. Mas quando a gente chega na Italia, aprende a comer com outros olhos.

Como paulistana frenética, eu podia contar nos dedos o número de vezes que comia comida preparada em casa. Como o tempo era pouco e a cabeça já tinha mil outras coisas para se preocupar, na hora do almoço frequentava restaurantes, quilos, lanchonetes, fastfood. À noite jantava fora, pedia delivery, acabava comendo algo descongelado ou a mais caseira das possibilidades: esquentava no microondas a comida preparada de manhã pela minha querida faixineira que tem uma mão de ouro para preparar um arrozinho com feijão.

Não me lembro nunca de ter ido no supermercado e pensado qual seria a origem das frutas e verduras que comprava. No máximo olhava se pareciam apetitosas ou não. É bem verdade que nunca fui a principal responsável pelas compras de casa, ao contrário da vida aqui na Italia.

A grande diferença entre Brasil e Italia é a preocupação com a procedência e qualidade dos alimentos.

Vou tentar explicar algo tão sutil. Vou ao supermercado com uma senhora minha vizinha: ela repara na origem de todos os alimentos, faz questão de laranjas italianas, especialmente se sicilianas. Se ela pode comprar milho de origem italiana ou de um outro lugar do mundo, ela compra italiano, mesmo que custe 50 % a mais. O made in Italy na hora de fazer as compras no supermercado ainda é muito forte. É por isso que existe uma crise para vender alimentos modificados geneticamente. Os italianos são em geral contra. E talvez façam bem porque os alimentos naturais tem mais sabor. É como comprar morangos italianos ou importados: os importados muitas vezes não tem gosto de nada, mesmo que sejam muito maiores.

Vai uma abobrinha aí?

Na Italia, abobrinha é uma iguaria. No Brasil, quando se fala em abobrinha, metade da população torce o nariz. Aqui se chama zucchino, é usado em pizzas, molhos para macarrão, acompanhamentos, de todas as formas possíveis e imagináveis. Aliás, de modo geral os legumes italianos são muito saborosos. É por isso que quando viajam ao exterior, sentem uma grande dificuldade em se adaptar a comida, mesmo que preparada por um chef italiano. O sabor dos ingredientes é outro.

Fast food

Se o italiano tem pouco tempo para comer, ele pára em um panificio e compra um pedaço de pizza. Ou manda montar um sanduíche com pão fresco e frios (presunto, presunto cru, salame, etc…) No máximo vai ao bar e pede um “primo” (prato de macarrão). Será muito difícil que um italiano entre no McDonalds. É mais fácil que ele coma um Kebab, aquele sanduíche em forma de rolinho árabe, do que um cheeseburger.

Comer bem

Comer bem para muitos significa comer em casa. Explico: fazendo as compras no supermercado, você sabe que escolheu os melhores ingredientes disponíveis e pode preparar o seu banquete em família. Todos se divertem no processo de preparo da refeição, a família se reúne, enfim, é um evento. E o resultado excelente.

Ir a um restaurante pode ser uma opção porque é lógico que existem muitos restaurantes maravilhosos. Mas o fato é que comer em restaurantes não é muito econômico. O mesmo prato preparado em casa custa muito mais em um restaurante, como é normal que seja, e nem sempre é tão saboroso.

Italiano no exterior

Como paulistana, ero devoradora de todas as culturas e menus. Quando viajo para um outro país quero descobrir as comidas típicas, experimentar de tudo. Adoro comida japonesa, chinesa, árabe, americana, italiana, nordestina, mineira, etc. O Italiano quando sai da italia prefere sempre comida italiana!
Em geral, os italianos são muito regionalistas, já na hora de comprar o pão, tem quem só quer o pão toscano. Ou o pugliese, ou… Resumindo: eles adoram os alimentos típicos da sua cidade natal e torcem o nariz para o que é diferente. Por isso, pode não ser uma boa idéia convidar amigos italianos para um jantar exclusivamente com comida brasileira como arroz-feijao/strogonoff. Alguns comerão a força para não fazer brutta figura….

5 COMENTÁRIOS

  1. B, eu sei bem o que é tentar convencer o italiano a comer comida brasileira. rs
    Teu post esta super completo.

  2. Brasil, engracado o que disse sobre os italianos no exterior. Nesse meu ano sabatico pela Asia, viajo com gente do mundo todo. No campo gastronomico, de longe, os mais cricris sao os italianos. Agora mesmo passei quatro dias com um suico do cantao italiano (esta no blog), em Goa, na India. Cada vez que iamos comer era uma novela. A gente tinha de escolher o melhor restaurante da cidade. Ainda assim, nem sempre meu amigo ficava feliz.

    Mas eu entendo. A gastronomia italiana e dificil de bater.

    Um beijo

  3. Pelo amor de deus… 50 euros para pessoa em um restaurante basico??? Que mentira é essa? Conheco uma infinidades de restuarante aonde voce com 25 euros come entradas, dois primi, um segundo, cafe e licores…
    Qaunto ao voce preferir pratos da propria regiao nao é sò uma questao de regionalismo, mas é uma questao de preferir sempre alimentos frescos e de que a gente conhece a procedencia sem contar o preço, coisa muito diferente que no Brasil aonde o que é de fora ou 'importado' é sempre melhor do que naciona o da propria regiao… mesmo que desde a preparaçao da comida até ela chegar na sua mesa passaram semanas ou meses, e milhares de kilometros de transporte e impostos de importaçao que influem sobre o custo.

  4. Oi Pier,

    Você tem razão, eu me expressei mal. É verdade, existem restaurantes onde é possível comer primo, secondo, água e café por até 8 euros. Afinal, eu também almoço fora todo dia.

    Estava me referindo a um restaurante para jantar fora, médio alto, onde se come até bem e você pode até tomar uma boa garrafa de vinho, mas que não tem comparação a um bom jantar feito em casa, se alguém da família sabe cozinhar divinamente, claro.

    Obrigada pela participação e vou corrigir o post para que a informação fique mais precisa.

    Um abraço,

    Barbara

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