Vivemos um período de transição. Essa transição deve-se a uma mudança na forma de comunicação, consumo e produção do mundo moderno. Por mais que a produção global tenha aumentado nas últimas décadas, o desemprego cresce. E, enquanto políticos tentam arrumar um culpado, geralmente “o outro governo” ou “os imigrantes”, o buraco aumenta.

Talvez a notícia não seja mais fresca, afinal Jeremy Rifkin escreveu o seu livro “The end of work” em 1995, há mais de dez anos! E no entanto, seus comentários e previsões continuam coerentes nos tempos de hoje. Gostaria de citar algumas passagens da minha versão em italiano, que traduzo para o português, esperando dar uma “iluminação” em tempos de escuridão:

A terceira revolução industrial é, no bem no mal, um evento com o qual devemos
fazer as contas. As novas tecnologias de informação e das telecomunicações tem o
potencial para liberar, mas também para desestabilizar, a sociedade no próximo
século. Se conseguirem nos liberar, oferecendo uma vida mais agradável, ou se
provocarão um desemprego em massa e uma potencial depressão mundial, dependerá principalmente como cada nação responderá a questão do aumento da produtividade.

Infelizmente noto que a desigualdade social aumenta e pouco tem sido feito para dividir o bem estar conquistado. Alguém aí se lembra quando dizia-se que com a nova tecnologia o homem poderia trabalhar menos? Teria mais tempo para viver? Hoje em dia a televisão noticia a cada dia uma grande empresa que está demitindo em massa. Enquanto isso, quem trabalha, além de acumular tarefas e trabalhar mais, deve-se atualizar o tempo inteiro através de cursos de aperfeiçoamento. Se a vida é já difícil para quem se prepara, quem não se prepara está com os dias contados. Eu imaginava que na Italia esse impacto moderno fosse menos forte, por ser um país que prezava pela divisão social, mas a desigualdade aumenta por aqui também.

O único setor que está emergendo é aquele do conhecimento – o knowledge
sector – constituído de uma pequena elite de empreendedores, cientistas,
técnicos, programadores de computador, professores e consulentes.

Selecionei este trecho porque se você quer saber onde investir seus talentos, talvez a resposta esteja aí em cima.

Estamos iniciando uma época em que as máquinas substituem progressivamente os
seres humanos nos processos de fabricação e movimentação de mercadorias e no
fornecimento de serviços.

Isso é verdade. Eu mesma admito que prefiro comprar tudo online por uma questão de comodidade e imagino que esse hábito se disseminará no futuro. A verdade é que as compras online funcionam melhor do que as in loco. Não existe fila, não existe trânsito, não existe mau humor. Um fenômeno que não dá para ser revertido, devemos aprender a lidar com ele.

Na Europa o medo do desemprego cria um dificuldade social e é a fonte de um
renascimento de movimentos políticos neofascistas.

Espero que nossa geração seja um pouco mais iluminada e não cometa atrocidades semelhantes àquelas do passado.

Durante toda a Idade Moderna, o valor dos indivíduos foi medido com o valor de
mercado do trabalho realizado por cada um. Agora que o valor de tal recurso está
se tornando cada vez mais marginal e irrelevante, em um mundo cada vez mais
automatizado, será necessário explorar novas maneiras para definir o valor dos
indivíduos e das relações sociais.

Por enquanto, noto que o valor dos indivíduos se mede com os minutos de fama e a quantidade de grifes que tem no guarda-roupa. Talvez não estejamos exatamente na direção certa… Talvez depois de tantos anos de gerações sexo, drogas e rock’n’roll seja a hora de voltar o foco para a família. Não aquela família moralista, mas aquela baseada no amor, companheirismo e um ponto de referência seguro em um mundo cada vez mais inseguro.

Bem, por hoje basta filosofias. Recomendo vivamente que você leia Jeremy Rifkin. A versão em português se chama “O fim dos empregos” ou em italiano “La fine del Lavoro”. Para saber onde comprar o livro visite nossa lista de lojas e livrarias online

6 COMENTÁRIOS

  1. Muito legal! Quando vamos virando máquinas, autômatos, cheios de frescuras, querendo e querendo sempre mais, vamos aos poucos, perdendo valores. Se eles forem pouco a pouco resgatados, poderemos quem sabe estar preparados pra melhor enfrentar as crises que aparecem pontualmente de tempos em tempos. Um beijo,chica

  2. Otimo texto. Desenvolvimento e progresso ou, desenvolvimento e mudança? Ja coloquei o livro na minha lista de compra. Ah, sinto muita falta de encontrar livros sobre sobre comunicaçao, mas gostaria de autores italianos. Ha algum para indicar?

    Ciao

  3. otimo post! realmente bonito e informativo. Acredito que as pessoas não podem mais se dar ao luxo de esperar estabilidade de emprego, infelizmente… hoje em dia, todos tem que ter um plano B, um C…

    Ciao!

  4. @Chica
    Acho que não devemos nunca perder o foco das coisas importantes da vida. Os acessórios servem simplesmente para facilitar e não devem ser o objetivo final, né?

    @Claudia
    Eu tenho lido ultimamente varios livros de temas diferentes, mas no momento não me lembro um específico para comunicação. Você pode consultar a seção livros aqui no site para ver alguns dos autores italianos que já sugeri…

    @Tania
    Na verdade já piorou, ne? Os periodos de transição sao sempre angustiantes, inseguros e nós já vivemos esse momento agora. Temos que passar pela fase sucessiva e seria tao bom se pudessemos passar “de maos dadas” como sugeria Carlos Drummond de Andrade…

    @Celecelestino
    Ja estava com saudades das suas dicas. Vou conferir o link. 🙂

    @Rafael Chaves
    Precisa estar preparado para tudo e pensar em movimentos a 360 graus. Talvez quando aceitarmos que a vida eh incerta e insegura as coisas serão mais simples e naturais.

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