Existiu um período em que era proibido falar italiano no Brasil. É difícil imaginar uma coisa dessas nos dias de hoje, afinal vivemos um período de valorização de tradições, estudamos línguas estrangeiras para melhorar as oportunidades de carreira ou simplesmente pelo gosto de aprender. Mas isso aconteceu de verdade e aqui você vai saber quando era proibido falar italiano no Brasil e por quê.

Eu me lembro que minha avó me contava que seus pais conversavam em italiano entre eles, mas nunca falavam italiano com ela. Ela nasceu no Brasil em 1930 e era filha de mãe e pai italianos. Minha avó entendia um pouco do italiano e conseguia falar algumas frases, mas não era fluente.
Difícil saber exatamente por que seus pais não ensinaram o italiano para ela: falta de tempo ou de vontade? não existiam os instrumentos tecnológicos de hoje que facilitam e barateiam o aprendizado?
A propósito recomendo a leitura de 5 dicas para estudar italiano por conta própria
Talvez existisse um motivo a mais para evitar o italiano com as crianças. E esse motivo eram as leis brasileiras na época.
Quando foi proibido falar italiano no Brasil
Entre 1937 e 1945 o Brasil era governado por Getúlio Vargas que instituiu uma “Campanha de Nacionalização” durante o Estado Novo. O objetivo era valorizar a cultura brasileira, construindo um país patriota. Vale lembrar que naquela época a Europa era governada por ditadores autoritários como Mussolini na Italia e Adolf Hitler na Alemanha.
Ao mesmo tempo o Brasil era um país que recebia muitos estrangeiros: portugueses, italianos, franceses, alemães, espanhóis, japoneses entre outros tinham vindo “colonizar” o Brasil em busca de uma vida melhor. Com a sua Campanha de Nacionalização, Getúlio Vargas queria minimizar as comunidades de imigrantes e construir a integração entre os brasileiros.
Clarissa Mombach, mestre em Literatura Comparada pela UFRGS publicou um artigo sobre o Governo Vargas e suas implicações na Produção Literária Teuto-Brasileira onde escreve:
Nas escolas, os professores deveriam ser brasileiros natos ou naturalizados, as aulas deveriam ser ministradas em português e era proibido o ensino de outras línguas estrangeiras. Em 1939, medidas mais drásticas foram adotadas: houve a proibição de falar uma língua estrangeira em público – inclusive durante celebrações religiosas – e o fechamento de diversas instituições de caráter étnico dirigidas pelos imigrantes alemães e seus descendentes (ginástica, corais, tiro ao alvo, bolão e outras agremiações consideradas perigosas). Em 1942, com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, as repressões ficaram ainda mais violentas, pessoas que não falassem português eram presas e parte da memória dos imigrantes foi destruída (jornais, revistas, livros, documentos, etc). O isolamento relegado aos descendentes alemães em suas colônias passou a ser visto como um problema a ser amplamente discutido. Por não dominarem o português, por manterem escolas, cultos e missas em língua alemã e por normalmente casarem-se entre si, os descendentes alemães eram acusados de serem resistentes à integração nacional.
O italiano não foi a única língua proibida no Brasil. Abaixo um recorte de jornal de 29 de janeiro de 1942 que diz: “Proibido Falar em Italiano, Alemão e Japonês em qualquer lugar público”.

Transcrevo abaixo um trecho do texto do recorte de jornal para facilitar a leitura:
“Atendendo a situação internacional e em virtude de ordem superior, torno público que:
1 – Os estrangeiros nacionais da Alemanha, Italia e Japão devem comunicar a sua residência nesta delegacia dentro do prazo de 30 dias;
2- Não lhes é permitido:
a) Viajar de uma localidade para outra, sem licença da Delegacia
b) Reunirem-se, ainda que em casas particulares e a título de caráter particular (aniversários, bailes, banquetes, etc)
c) Discutir ou trocar ideias sobre a situação internacional
d) Mudar de residência sem prévia autorização
3- Todos os estrangeiros das referidas nacionalidades devem entregar suas armas na Delegacia, acompanhadas do registro e porte, quando detentores dos mesmos;
4- Aos mesmos estrangeiros ficam cassadas as licenças para negociar com armas, munições e materiais explosivos
5- É probido:
a) Distribuição de escritos em idioma das potências com as quais o Brasil rompeu relações;
b) Cantar ou tocar hinos das referidas potências
c) Fazer saudações peculiares a essas potências
d) Usar o idioma das mesmas potências em qualquer lugar…
E você, tem alguma informação adicional para compartilhar com a gente? Algum artigo de jornal, lembrança de família ou relato interessante? Escreva na seção comentários abaixo!
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