Com seu segundo romance em lançamento no Brasil, “As Primeiras Luzes Da Manhã” (São Paulo, Bertrand Brasil, 2012), o fenômeno italiano Fabio Volo começa a conquistar também os brasileiros. Escritor, ator, diretor de TV e rádio, Volo, 40 anos, é também um galã na Itália, onde seus livros vendem como água. Em 2011 foi protagonista do filme “Il Giorno In Più”, baseado no seu próprio livro homônimo. O primeiro romance de Volo lançado no Brasil, “O Tempo Que Eu Queria” (2011, Bertrand Brasil), vendeu mais de um milhão de cópias em todo o mundo e conta a história da vida e do amor de um homem pela sua ex-namorada.

Fabio Volo chega ao mercado brasileiro com livro em português

Segundo Volo, que não completou o ensino médio, seu segredo de sucesso é apenas ser reflexo do homem comum. O seu primeiro livro, “Esco A Fare Due Passi” (2000) vendeu mais de 300 mil cópias apenas no primeiro ano e foi seguido por outros sucessos, como “È Una Vita Che Ti Aspetto”, best-seller na Itália em 2003, e “Un Posto Nel Mondo” (2006).

Sua primeira incursão no mundo do cinema, com o filme “Casomai” (2002), lhe valeu uma indicação ao prêmio David di Donatello, o Oscar italiano, na categoria Melhor Ator Protagonista. A imprensa italiana olha com desconfiança este fenômeno literário recente, mas, pelos números de vendas, é obrigada a dar crédito a este escritor que se define um “não-escritor”. Como apresentador de TV e de rádio, Volo ganhou notoriedade entre o público jovem e descolado italiano, o mesmo público retratado nos seus romances, que viaja de Cabo Verde a Nova York e busca incessantemente o autoconhecimento, tema recorrente nos seus livros. Confira a seguir esta entrevista exclusiva concedida por e-mail à jornalista Aline Buaes.

Como você começou sua carreira de escritor? Qual a sua principal motivação para escrever?

Sempre escrevi, desde pequenininho, pois sempre gostei de me isolar em um mundo íntimo. Para mim, a escrita sempre foi necessária para entender muitas coisas sobre mim mesmo. Tenho sorte que muitas pessoas gostaram das minhas histórias e então continuei a publicá-las. Mas, mesmo que eu não pudesse mais publicar, continuaria a escrever de qualquer jeito. Nunca poderia renunciar a escrever.

“O tempo que eu queria” obteve um enorme sucesso de vendas na Itália. A quais motivos você deve esse sucesso?

Acredito que o sucesso deste livro é devido à simplicidade do estilo e da linguagem, e também, principalmente, porque o relacionamento com um dos nossos pais que precisa ser recuperado é um assunto que afeta a vida de todos nós.

Existem semelhanças no modo de ver o amor entre “O Tempo Que Eu Queria” e “As Primeiras Luzes Da Manhã”?

“O Tempo Que Eu Queria” narra um amor que não acabou mas que também não consegue ser vivido. O protagonista ainda precisa consertar a sua relação com a família, especialmente com o pai. Gostaria de amar, mas não é capaz. Em “As Primeiras Luzes Da Manhã”, ao contrário, a protagonista é uma mulher que ama mas que não realizou nenhum processo de conhecimento de si mesma e dos seus desejos reais. Através do erotismo e da sexualidade ela encontra o caminho para entender a sua verdadeira intimidade.

Os seus livros falam muito sobre a busca de si mesmo, de entender a vida, os sentimentos, o amor, a amizade, etc. Escrever para você é um modo de ajudar os outros a entenderem a si próprio?

Quando escrevo nunca penso no objetivo de ensinar alguma coisa, mas penso em compartilhar algo. A busca do auto-conhecimento é um tema central em quase todos os meus romances. O objetivo é trazer a luz sobre nós mesmos, dando vida ao homem que somos destinados a ser.

Qual a sua impressão sobre seus leitores aqui no Brasil?

Estive no Brasil apenas uma vez, de férias, há muitos anos. Nunca estive no Brasil por causa dos meus livros e seria uma honra para mim poder fazer isso e conhecer as pessoas que lêem meus livros. Esperamos que ocorra em breve.

Além de escritor, você é também ator, roteirista, apresentador de televisão e rádio. Qual destas profissões é a sua preferida?

Como eu disse antes, escrever para mim é uma necessidade à qual não poderei nunca renunciar. O rádio é um trabalho muito divertido, assim como a televisão. O cinema possui o seu fascínio particular. Mas, se eu tivesse que escolher um deles, seria a escrita. Até porque, quando eu escrevo, não tenho horários e compromissos geográficos. Posso escrever de qualquer país do mundo quando quero, talvez até do Brasil um dia…

Crédito fotos: Divulgação Bertrand Brasil

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