O Brasil está novamente nas páginas da revista mais “cool” da Italia. A edição de julho da revista Wired dedicou praticamente uma página ao novo bondinho do Rio de Janeiro: o do Complexo do Alemão, uma linha de teleferico de 4 quilômetros de distância e 6 estações, que serve para facilitar o transporte até o interno da favela.

A matéria da Wired começa explicando a grande dificuldade em se deslocar de um ponto A a um ponto B dentro das favelas cariocas: “em geral é necessário zigzaguear em um sobe e desce sem sentido, em estradinhas que em alguns pontos não tem mais do que meio metro de largura. Transporte público? Praticamente não tem como passar. A menos que se olhe para o alto. Literalmente acima do teto das casas. É isso o que fizeram os inventores do novo sistema de telefericos que, desde o mês março passado, atravessam, ou melhor, sobrevoam a área do Complexo do Alemão.”

De acordo com a matéria são 152 gôndolas que podem transportar até 30 mil pessoas por dia, diminuindo de uma hora e meia a 16 minutos o tempo necessário para atravessar o bairro e chegar até a estação ferroviária mais próxima.

“O novo bondinho tem causado muita polêmica” –  diz o artigo, que justifica:  “nessas favelas não existe nem água corrente e morre tanta gente nas guerras do narcotráfico, o que leva a pensar que as gôndolas voadoras não são exatamente uma necessidade imediata. Mas talvez a prioridade dos administradores seja outra: em 2014 o Rio de Janeiro será sede da Copa do Mundo e em 2016 das Olimpíadas. Transformar as favelas em um parco temático parece uma idéia capaz de melhorar a imagem do Rio.”

A opinião de Brasil na Italia

Há poucos meses o Rio de Janeiro foi destaque no mundo inteiro por uma verdadeira guerra  digna dos mais violentos filmes de Hollywood e me lembro de uma cena da polícia seguindo traficante exatamente no Complexo do Alemão. Saber que tão pouco tempo depois já tem um bondinho ativo que garante o acesso a favela me parece uma notícia extraordinariamente positiva. Significa aproximar a favela do resto da cidade; um ato de inclusão social que vai melhorar a vida dos habitantes do Complexo do Alemão. Se de um lado os moradores tem acesso mais rápido a cidade, de outro os turistas podem chegar mais facilmente. Turismo traz dinheiro, o que representa uma melhoria na qualidade de vida dessas pessoas. E uma melhor qualidade de vida dessas pessoas significa menos desigualdade social e menos violência para a classe média e elite.

Depois de ler a matéria na revista Wired fui procurar na internet o que a imprensa brasileira dizia a respeito do bondinho. Encontrei um artigo do Extra, um jornal super popular, que me deixou chocada. Não tanto pelo texto do artigo, mas pelo comentário dos leitores. Gente que teve a coragem de dizer: “eles tem que subir o morro de mula, a pé, pra dar valor ao dinheiro que nós do asfalto pagamos para eles, luz, água, impostos, etc”. Nunca li algo tão racista e de gente tão ignorante em toda a vida. Gente que esquece que quem mora em favela também trabalha duro, muitas vezes em troca de uma ninharia, e apesar de trabalhar tanto é totalmente excluído da sociedade. O problema não é quem mora na favela, o problema são as pessoas que desviam o dinheiro público. Quem quiser fazer batalha, que vá contra esse tipo de caso/pessoa.

comentário de leitores a respeito da matéria do jornal Extra Online

Aqui na Italia a mídia vê a inovação brasileira, no Brasil a gente escuta a piadinha medíocre. Espero que não seja a voz da maioria dos brasileiros…

 

4 COMENTÁRIOS

  1. Oi Babi

    Há muito anos que este bondinho esta em construção, muito antes da invasão da policia no ano passado. Eu acho maravilhoso, quem dera um dia a gente conseguir colocar um bondinho desse em todos os nossos morros.

    Agora eu to no BR e eu queria dar uma voltinha no tal bondinho. Como ainda esta em fase de experimentaçao, o ingresso ainda esta sendo gratuito e as filas estão gigantescas! Quem sabe no proximo ano eu consigo dar uma de turista la no Alemão!

    Um abraço

  2. Il problema che il progetto è nato vecchio, con cabine troppo piccole.
    I residenti del morro si lamentano di questo, una famiglia numerosa non riesce ad entrare in una sola cabina, deve dividersi in due cabine differenti.

    Ma comunque, l’idea è buona, andrà migliorata con il tempo, e per l’orografia di città come Rio, tutta un saliscendi, è una più che ottima soluzione.

    Speriamo che l’amministrazione pubblica non si fermi a questa teleferica, ma ricopri tutta l’area dei morros con una ragnatela di teleferiche, per dare più mobilità alle persone.

    Giancarlo
    http://ilmosta.blogspot.com

  3. Tudo bem com a reportagem. Voces sao otimos!
    So… que nos Estados Unidos essa mania de relaxar e entrar no espanhol esta dando muito problema aqui. O Hispanico gosta de forcar a lingua deles em outras pessoas, nao dao nehum valor a lingua do pais para onde eles fogem ou procuram emprego–so a deles que conta.
    Acho que a lingua de um pais e a identidade do povo; da cultura, enfim a lingua e como mae, nao se abandona, a gente protege contra estrangeiros que querem tira-la de voce!
    Um sabio disse: “PRIMEIRO TIRAM A TUA LINGUA, DEPOIS A TUA TERRA!”
    Muito facil, simplesmente forcar a lingua noutro pais e sem nenhuma arma, a terra se torna sua, morou?
    Pensem queridos irmaos e irmas. O Portugues e nosso e ninguem deve tira-lo de nos.
    Quem nao quizer aprender o Portugues quando moram no Brazil; problema e perda e deles quem nao aprender. O turista nao entra nessa categoria porque estao ai noBrazil so para passear e a gastar dinheiro!
    ORGULHO DA PATRIA! NA NOSSA PATRIA FALAMOS PORTUGUES!
    Jane

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