Nas últimas horas os jornais do mundo inteiro já noticiaram o terrível acidente do navio Costa Concordia que bateu nas pedras do mar da Toscana e afundou na frente da ilha do Giglio. Embora a primeira impressão seja de choque e surpresa, em um segundo momento chega a hora de avaliar os fatos.

O comandante do Costa Concordia, Francesco Schettino, neste momento está preso com a acusação de homicídio culposo, naufrágio e abandono do navio que afundou a 50m da costa da Isola del Giglio. De acordo com testemunhas, o capitão teria pego o barco salva vidas por volta da meia-noite, quando ainda tinham muitas pessoas a bordo do navio. Como todo mundo sabe, o capitão deveria ser o último a deixar o navio e ele mesmo declarou em entrevista ter sido um dos últimos a ter saído do Costa Concordia. No entanto, o resgate a bordo do navio durou até às 5 da manhã.

Entrevista onde o capitão declara de ter sido o último a abandonar o navio:

O que o navio fazia tão próximo a costa?

Um outro fator ainda pouco claro é o que o navio fazia tão próximo a costa? O comandante Schettino disse que a rocha que destruiu o fundo do navio Costa Concordia não estava marcado no mapa náutico. No entanto de acordo com o procurador chefe de Grosseto, Francesco Verusio, o Costa Concordia estava em uma rota errada, não deveria se encontrar no ponto onde colidiu com as rochas.

De acordo com outras fontes próximas a tripulação a embarcação não deveria ter passado naquele canal: a Costa Concordia deveria ter passado a oeste, ou seja, guardando em direção a França e a esquerda da ilha do Giglio.  Veja aqui detalhes do percurso da nave.

Alguns jornais italianos divulgaram a notícia de que o comandante teria alterado a rota para cumprimentar os habitantes da Isola del Giglio.

Por que o comandante não avisou  imediatamente sobre o acidente com a rocha?

O acidente com a rocha no fundo do mar teria acontecido às 21.30, mas o comandante Schettino só teria informado a guarda costeira uma hora depois.

Algumas considerações

Fatalidade são coisas que não podemos evitar e esse acidente certamente poderia ter sido evitado se não fosse por irresponsabilidade da Costa Cruzeiros. Não aconteceu nenhum fato climático anômalo (era uma noite de mar calmo e céu limpo), não era um trecho pouco explorado (ao contrário a Costa Concordia faz essa rota 52 vezes por ano) e se tantas pessoas foram salvas é porque o navio estava tão próximo a costa, próximo demais para um navio daquela dimensão. Não tinha nenhum iceberg escondido no meio do caminho.

Acho incrível como tem gente que diz “ah, tudo bem, morreram poucas pessoas.” Hein? Que discurso é esse? É como se em uma rua onde a velocidade máxima fosse 50km/h passasse um carro a 180km e atropelasse uma pessoa. É uma fatalidade ou uma irresponsabilidade? Vamos dar o nome certo as coisas.

Atualização 18/01/2012:

A seguir vocês podem conferir o vídeo do telefonema do capitão da Guarda Costeira para o comandante da Costa Concordia que está girando o mundo traduzido para o português pela Globo.

Aqui na Italia, depois da divulgação do vídeo no site do Corriere di Firenze, surgiu um boom de comentários no facebook e twitter usando a hashtag #vadaabordocazzo

5 COMENTÁRIOS

  1. Oi Ju,
    Realmente é incrível como uma navio daquela dimensão tenha passado tão próximo a costa.
    E agora os jornais noticiam o perigo do combustível do navio vazar na reserva marinha da ilha do Giglio. Espero que não aconteça…

  2. […] Neste meio tempo começou a audiência  do comandante Francesco Schettino com a juíza do Tribunal de Grosseto, Valeria Montesarchio, a fim de confirmar as acusações de homicídio culposo, naufrágio e abandono do navio.  O Procurador Chefe de Grosseto, Francesco Verusio, informou que o oficial pode pegar até 15 anos de cadeia (que na minha modesta opinião são poucos perto do desastre que ele provocou! Confira detalhes sobre a sessão de erros do capitão Schettino aqui). […]

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