21 Novembro 2009

Preconceito na Italia: existe?

Tenho notado que uma das questões mais discutidas aqui no blog recentemente é sobre o tema de preconceito e achei que era já o caso de criar um canal - este artigo - exatamente para discutir isso. O preconceito existe? Ele é regra? É exceção? Se existe, qual é a melhor maneira de lidar com ele. Vamos trocar idéias e ver para onde esta conversa pode nos levar...

Começo publicando uma mensagem do Brenno que foi deixada aqui no site em formato de comentário:

Ola a todos,
Estou na Italia ha dois anos, legalmente, trabalho e estudo.
Acho que deveriamos comecar a falar mais sobre a falta de respeito dos italianos aos que vem de outros paises nao comunitarios (ate comunitarios).
Dia apos dias somos maltrados, desrespeitados como se fossemos animais. As mulheres sao putas e os homens sao ladroes clandestinos.
Basta que vc nao fale o Italiano perfeitamente (impossivel a um brasileiro, por causa da nossa impostacao de voz) que logo te perguntam de onde vc vem e comecam a diminuir o nivel de educacao na relacao formada ou que esta se formando.
Formado pela UNICAMP em biologia, passei 1 ano providenciando documentos no consulado Italiano de SP para depois de me inscrever em um curso de doutorado nao ser aceito pois os criterios de avaliacao usados pela Unicamp nao correspondem aos deles aqui!!! Palhacada, era mais facil dizer para eu nao participar do concurso.
Breve voltarei para o Brasil e serei muito diferente com os europeus que cruzarem o meu caminho. Muito mais frio, menos simpatico e amavel!!!
Obrigado
Brenno


Devo dizer que eu sou muito mais cautelosa a tratar o tema do preconceito porque tendo a acreditar simplesmente que a maioria dos funcionários italianos faz exclusivamente aquilo que são pagos para fazer e que está estabelecido em um contrato assinado quando começam a trabalhar. Uma boa parte, não faz uma vírgula a mais do necessário.

No caso das universidades, infelizmente, os títulos brasileiros não são reconhecidos na Italia e isso é uma questão de pactos e relações entre governos e universidades, um nível muito acima do simples atendente. Se os acordos não estão estabelecidos, o carinha que te atende na universidade não vai fazer mágica.

Sobre brasileira ser tratada como prostituta na Italia, devo dizer que nunca fui tratada como prostituta nos quase 5 anos que vivo em Florença. Mas escuto muita gente repetindo essa frase: será verdade ou a gente repete por repetir?

O que eu não nego é que existe sim uma barreira cultural e eu explicaria como uma grande dificuldade de adaptação aos hábitos italianos. A lógica é outra, as regras são outras, os hábitos são outros, a forma de se expressar e se relacionar é outra.

Diferenças culturais

Quando estava procurando casa aqui em Florença, no início deste ano, fui visitar dezenas de apartamentos em busca daquele "ideal". Algumas vezes chegávamos ao apartamento através de agência, outras através de anúncios no jornal. Mas nessa vez em especial tínhamos ouvido falar que em um determinado prédio tinham um apartamento vago.

Encontramos um morador por acaso do tal prédio, ele nos deu o sobrenome do proprietário do apartamento disponível e nós fomos lá tocar o interfone para saber mais informações. O fato estranho é que a pessoa que nos respondeu, uma mulher, abriu o portão e nos convidou para entrar na casa dela e esperar o marido, que estava para chegar do trabalho e nos daria mais informações.

Oras, o fato é estranhíssimo porque ela não tinha idéia de quem éramos e nos fez entrar e sentar na sala dela, ao lado dos filhos dela. Advinha? Ela era brasileira! Brasileira de Fortaleza, super simpática, um amor de pessoa.

De modo geral, um italiano jamais faria uma coisa semelhante. Talvez mal nos respondesse através do interfone, talvez descesse para conversar com a gente fora do prédio, talvez pegasse nosso número de telefone. Essa confiança no outro, no desconhecido, é uma coisa rara. Não é questão de bondade ou de maldade. São formações diferentes, hábitos diferentes. Acho que se a gente não levar isso em conta, fica muito difícil entender.

Outra língua

Quando digo: é preciso estudar muito uma língua, me refiro que é necessário aprender muito mais do que como pronunciar palavras. É preciso conhecer a nova cultura. Mesmo depois de todos esses anos, às vezes eu acredito que me falaram uma coisa e me disseram outra. Acontece. E eu só percebo que houve esse erro de interpretação porque meu marido italiano, que me conhece bem, consegue captar esses momentos de "diferenças culturais" e me ajuda.

Às vezes as palavras e as frases entendemos perfeitamente. Mas pensamos com uma outra ótica. Vou tentar explicar com um outro exemplo. Uma vez eu tive que responder um teste sobre a seguinte situação hipotética: um cidadão acaba de fazer uma viagem internacional a trabalho. Chegando no país de destino é assaltado e acaba não conseguindo fazer sua apresentação de trabalho. O que você diz para o cidadão?

Bem, na minha cabeça de paulistana maníaca é impensável que uma pessoa faça um vôo intercontinental para trabalhar e chegue no seu destino e não consiga cumprir a missão. Para mim o cara é pouco preparado. Ele devia ter o material da sua apresentação em Google Docs, em uma pena USB, devia estar mais atento se carregava um material assim importante.

Quando dei essa minha opinião teve um choque na sala! Todos os outros participantes italianos tinham ficado com pena do cara que foi assaltado e acharam que era natural que ele não tenha conseguido completar a missão, tinham palavras muito mais doces e de compreensão. Saí desse teste super mal porque cheguei a conclusão que sou realmente uma pessoa insensível.

Pace, amore e gioia infinita

Voltando a mensagem deixada pelo Brenno... qual seria a melhor solução no caso de preconceito? Tratar mal os estrangeiros que chegam no Brasil? Dar o troco na mesma moeda? Responder na hora para aquele determinado caso individual?

Espero que se possa criar uma ótima discussão, mesmo e inclusive com aqueles que discordam da minha opinião.


PS. Aproveito para convidá-los a ler o interessantíssimo artigo de Sandra Biondo sobre o irritante uso da palavra "viados" por alguns jornalistas italianos...

14 Novembro 2009

Como você apresentaria o Brasil para um estrangeiro?

Este artigo só ficará realmente interessante se contar com a colaboração de cada um que lê este texto. Peço que comentem e registrem a visão que vocês tem do Brasil.


Cada vez que encontramos um estrangeiro, seja dentro do Brasil ou fora, nós representamos o nosso país e os brasileiros de modo geral. Como você gostaria de ser representado? Qual é a realidade brasileira?

Imagino que a vida de um cidadão no sul do país, seja completamente diferente da vida de um paulistano, que é completamente diferente da vida no Amazonas, que é diferente da vida em Maceió. Dentro de cada cidade, milhares de visões diferentes sobre quem somos. Quem somos?

A minha versão

Nasci e vivi em São Paulo a maior parte da minha vida, por isso escolhi falar sobre a vida na paulicéia...

São Paulo é frenética, rápida, caótica, um lugar onde é possível obter qualquer coisa a qualquer hora. Praticamente tudo é 24 horas, do supermercado ao restaurante. Se você precisa comprar uma canetinha às 3 da manhã para terminar uma apresentação para dali a poucas horas, pode ter certeza que existe algum lugar nos arredores aberto.

É a cidade das oportunidades: existe espaço para quem tem talento. Mas nada é oferecido de graça: é preciso muito trabalho e muita dedicação. São Paulo é também uma cidade de migrantes e imigrantes. Recebe gente de todo país e de todo mundo. Existem colônias italianas, japonesas, chinesas, alemãs, de judeus... Todos convivem em paz.

São Paulo é cultural e criativa: teatro, cinema, exposições de arte, fotografia, mostras dos mais variados tipos e gêneros são frequentes em toda cidade. O paulistano adora sair, ver gente, fazer festa. Faz festa, mas é também esportivo: corre no parque, lota as academias, vai fazer rafting em alguma cidade próxima durante o final de semana.

A rotina de um paulistano fora de casa começa às 8 da manhã e termina as 10 da noite (às vezes até mais tarde porque sempre tem o aniversário de algum amigo e, frequentando tantos lugares e tantas pessoas, praticamente é um aniversário por semana, pelo menos. Isso sem falar naquele trabalho extra que era "para ontem").

É a cidade ideal para quem procura agito e quer afastar o marasmo. Em São Paulo, definitivamente, não existe lugar para o tédio...

Leia também:

-Paraísos brasileiros são destaque na mídia italiana
- São Paulo é glamour

- O retrato do Brasil através da luz
- Vincent Cassel fala do Brasil

13 Novembro 2009

Brasil na Italia na BTO (Buy Tourismo Online)

Resolvi criar o Brasil na Italia porque sentia uma grande carência di informações sobre a Italia e os brasileiros na Italia. Assim como eu, milhões de pessoas em todo mundo começaram a escrever em blogs, responder a foruns, publicar videos e fotos no YouTube. Resultado: a internet se tornou uma fonte de conteúdo riquíssima, que responde às mais diversas necessidades. Consequentemente, o hábito das pessoas também mudou. Exemplifico com o setor turístico.

O turista de hoje é chamado pelos profissionais do setor como "turista 2.0". É o cidadão que antes de viajar, pesquisa na internet informações sobre o seu destino, sobre hotéis, sobre restaurantes, companhias áereas, sobre o que ver, o que visitar, sobre museus, eventos culturais, compras... até sobre a previsão do tempo que fará, o que colocar na mala e que tipo de mala comprar.

Esse novo turista 2.0 usa a internet não apenas porque quer economizar dinheiro (bem, no meu caso, também para economizar, que não sou boba nem nada), mas principalmente porque quer descobrir um novo tipo de informação e conteúdo, que não está escrito em guias de viagem tradicionais e que as agências de viagem de sempre não conseguem satisfazer.

O assunto muito me interessa, seja como consumidora, seja porque o meu blog de certa forma tem tudo a ver com assunto! Por isso, me inscrevi como blogger para participar da edição 2009 da BTO, Buy Tourism Online, que acontece dias 16 e 17 de novembro na Stazione Leopolda de Firenze.

Depois das últimas novidades neste início de novembro, vou também como representante do "Voglio Vivere Cosi Social Media Team" da H-art.

Como interagir com o novo turista 2.0


A BTO é um evento criado para atender as necessidades de quem trabalha com turismo e propõe novas soluções através do uso da internet. Por exemplo: Google, Bing e Yahoo participam da discussão "How search engines are evolving to cater the demand of inreasingly sophisticated users" . Tripadvisor, Oyster Hotel Reviews e Zoover falam sobre os sites de "reviews" de turismo. Bem, o programa está disponível aqui e esta é a training session. Nos próximos dias volto a falar sobre o assunto e dar dicas de tendências, que podem ser úteis inclusive para quem está procurando emprego ou direcionar uma nova carreira.

PS. Quem quiser seguir as novidades em tempo real, basta seguir o hashtag #btobra no twitter! Sim, o português é a terceira língua da BTO!!! Vamos prestigiar (as outras são inglês e italiano).


Cursos e professores na Italia

Alguém aí quer fazer um curso de pandeiro? Quer recomendar para a cara-metade? Para um amigo? Achei a idéia de uma aula de pandeiro muito exótica e se fosse um pouco mais perto poderia ser uma ótima opção para fazer algo diferente, por isso aí vai a dica que recebi via email do Ibrit:

Seminario presso l’IBRIT
Domenica 15 – “Seminário de pandeiro”
.
Sei ore per conoscere i “toques” e approfondire la tecnica del “pandeiro”. A cura del musicista Ricardo Janotto.
.
Orari: 10,30 – 13,30 / 14,30 – 17,30
Prezzo: Eur 50 (soci IBRIT) Eur 60 (non soci)
.
Istituto Brasile-Italia
Via Borgogna, 3 Milano
tel 0276011320
www.ibrit.it
info@ibrit.it


Professor de português brasileiro em Firenze??

Aproveito para perguntar se alguém aí pode me indicar um bom professor(a) de português para dar aulas para uma amiga de Firenze. Por favor, alguém profissional, não posso fazer brutta figura... :)

Como somos vistos no exterior...

Qual é a imagem do seu país natal no exterior: positiva ou negativa? Na internet não faltam textos de brasileiros reclamando que a imagem do Brasil pelo mundo não condiz com a realidade, que existem muitos estereótipos... até uma blogagem coletiva sobre a mulher brasileira rolou há tempos para dar uma visão mais realistica de como realmente somos (eu participei com este post).

O que eu queria dividir com vocês é: queridos, este não é apenas um problema do Brasil (embora eu pessoalmente defenda que a imagem do Brasil no exterior tem melhorado muuuuito! Aliás, não sou eu que digo, é o The Economist, leia aqui. Ainda bem, melhor para nós, expatriados!).

Estava lendo hoje a revista semanal A (n.45 - 12 de novembro) - que por sinal chega sempre na minha casa com uma semana de atraso! - e me chamou a atenção a entrevista com Laura Pausini

Laura Pausini e a imagem da Italia no exterior

Em determinado momento da entrevista a jornalista pergunta a Laura Pausini sobre a imagem da Italia no resto do mundo e faz a fatídica pergunta: "tiram sarro dos italianos?" e Laura responde:

Absolutamente sim. A verdade é essa. Em todos os jornais, em todos os países. Em geral somos associados aquilo que acontece no nosso país, somos superficiais, estúpidos, pensamos apenas em comida, a sexo e a mulheres. Eu me sinto muito ofendida em algumas matérias que li. Nos programas de televisão, até naqueles mais sérios, que deveriam promover a cultura, vai ao ar uma entrevista de uma pessoa que conta como vai para a cama com o nosso primeiro ministro. Existem tantos italianos que poderiam ser entrevistados e falo de cientistas, médicos, até políticos, mas estes não são notícia. Não acredito que seja justo. Do nosso espetáculo, dedicado a Abruzzo (região italiana onde aconteceu o terrível terremoto), apenas o Paris Match fez um especial. Deveria ser uma notícia o fato que existem 50 cantoras mulheres que se uniram e arrecadaram quase um milhão e meio de euros para as pessoas desamparadas pelo terremoto! E não é uma notícia o fato que a Italia inteira se mobilizou por Abruzzo? Estas são notícias que falam do caráter de uma nação. Mas preferem falar dos lençóis e de um quarto...

(esta é uma rápida tradução da entrevista, para ler a versão original clique na imagem).

11 Novembro 2009

Novidades!!!

Queridos leitores,

Hoje resolvi dividir com vocês uma novidade super hiper bacana!!! A partir de agora, a autora de Brasil na Italia que vos escreve não é apenas uma blogger nas horas vagas.

Acabo de ser contratada pela H-art para a equipe do "Voglio Vivere Cosi Social Media Team". Para quem não sabe, "voglio vivere cosi" é o nome da campanha de promoção turística da Região Toscana (vocês já viram o belíssimo video?). Já os social media são os diversos instrumentos da internet para comunicação como por exemplo Facebook, Twitter e blogs.

Ou seja: em primeiro lugar agradeço a todos vocês que acompanham o blog, que ao longo desses anos comentam, escrevem mensagens, participam ou simplesmente lêem o blog. Certamente foi uma ótima idéia ter começado este blog porque ele serviu de bilhete de visita para o trabalho dos meus sonhos: ser paga para contar as coisas legais que acontecem na Toscana!

Sigam me!

Aproveito então para vender o meu peixe: será um prazer ser seguida por vocês nas minhas novas contas do twitter e facebook. Esses são os endereços:

http://twitter.com/tuscanytips - dicas para vir para toscana
http://twitter.com/shopintuscany - compras na toscana
http://twitter.com/tuscanytrends - moda na Toscana
http://twitter.com/aroundtuscany - viagenzinhas pela Toscana

http://it-it.facebook.com/people/Barbara-Voglio-Vivere-Cosi/100000505325505 - conta do facebook de trabalho

Sobre o Brasil na Italia

O blog continua como meu hobby favorito e sempre que tiver um tempinho livre vou continuar atualizando com novidades quentinhas. Então fiquem ligados. Aproveito para convidar quem ainda não segue o blog, a fazer parte da nossa lista de seguidores (na lateral direita do site). Dicas, notícias, sugestões e comentários continuam sendo muito bem vindos. Até a próxima!

08 Novembro 2009

Os 10 melhores discos dos últimos 10 anos


A revista italiana GQ (quem acompanha sempre BRASIL NA ITALIA sabe que é uma das minhas favoritas) está completando 10 aninhos e o tema da edição de aniversário foi um "best of".
É sempre gostoso repassar os melhores momentos dos últimos 10 anos e pensar nas músicas que mais marcaram a vida da gente.
Pois bem, o motivo deste post é falar que entre os 10 melhores discos dos últimos 10 anos, um deles é brasileiro: os Tribalistas de Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, que representam um mix de Brasil (São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro).
Quem não cantou pelo menos uma vezinha "Já sei namorar, já sei beijar de língua agora só me resta sonhar" que tem até página Wiki italiana. Bem, até aí nenhuma surpresa, o Brasil é famoso no mundo inteiro por sua musicalidade. De qualquer modo, acho bom sempre prestigiar os talentos brasileiros na mídia internacional. Não é uma questão de pieguice, simplesmente eles representam a imagem do Brasil no exterior e é bom ser representado por talento, gente criativa que faz e acontece. Quanto mais gente boa para representar o Brasil por aí mais fácil fica a vida de simples mortais que moram no exterior...

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